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Como conversar com seu filho sobre os perigos dos cigarros eletrônicos

FolhaPress 30/05/2024 14:01

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - "Ele é bonitinho, gostoso, difícil de resistir. Não parece tóxico, mas é mais abusivo que qualquer homem: eu tô falando do vape", diz a ex-BBB e influenciadora Hana Khalil, 28, em um vídeo nas redes sociais, sinalizado com as hashtags #publicidade e #CancelaOVape.

Senac 16 de julho — Capa (rail)

A publicação faz parte da campanha da ACT (Aliança de Controle do Tabagismo) para o Dia Mundial Sem Tabaco, em 31 de maio, e se junta a um movimento que busca dissuadir jovens do apelo do cigarro eletrônico, popularmente conhecido como vape e pod.

A OMS (Organização Mundial da Saúde), que criou a efeméride em 1987, escolheu como tema para este ano "A proteção das crianças contra a interferência da indústria do tabaco" devido ao aumento do uso dos dispositivos entre jovens --segundo relatório da agência, a utilização é maior entre crianças de 13 a 15 anos do que entre adultos.

O Ministério da Saúde também lançou nesta semana uma campanha contra os cigarros eletrônicos. Mas o que os pais podem fazer para ajudar? A Folha de S.Paulo perguntou a especialistas qual é a melhor forma para as famílias abordarem o assunto com crianças e adolescentes.

Conversa aberta

Não será fácil, adverte a diretora da ACT, a psicóloga Mônica Andreis. "É sempre difícil abordar o tema de experimentação ou uso de qualquer droga com jovens e crianças. A adolescência é um período de maior risco porque há uma maior curiosidade e uma menor percepção de risco", diz.

SESC PICASSO

O primeiro passo para falar sobre os cigarros eletrônicos é propor uma conversa aberta e sem julgamentos, dizem os especialistas.

Para a psiquiatra Daniela Tassinari, especialista em tabagismo pelo Instituto Perdizes do Hospital das Clínicas, é importante falar com os filhos para entender o que eles já sabem sobre o assunto e quais características os atrai para o consumo.

"Você pode perceber que não sabem muito sobre o produto, que estão sendo seduzidos porque todos estão usando ou porque o gostosinho é doce. E aí você pode atuar esclarecendo [os perigos]", afirma.

"Não precisa mexer nas coisas da criança para ver se acha um vape. Pergunta, conversa, expõe o que está acontecendo. Não está claro [os efeitos do cigarro eletrônico] nem para os profissionais de saúde, nem para os adultos, imagina para crianças e adolescentes."

Informação

Estabelecido um terreno de confiança para a conversa, é o momento de trazer os dados de forma clara e factual.

CONTADOR - BONUS

Tassinari afirma que os cigarros eletrônicos foram inseridos no mercado mundial --inclusive no Brasil, onde existe proibição da Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária)-- como uma proposta de redução de danos, uma vez que seria um produto "menos pior" que o cigarro de combustão comum. Estudos, porém, apontam riscos à saúde. Isso, aliado ao sabor mais palatável e aos formatos coloridos, dissocia ainda mais os vapes do que já se sabe sobre o cigarro.

"As pessoas têm ainda poucas informações dos prejuízos que os cigarros eletrônicos geram na saúde. É importante trazê-las de forma concreta, enfática e incisiva, porque é uma mensagem que não está clara", diz a médica.

Segundo Andreis, os pais podem mostrar que mesmo que o produto não tenha cheiro e aparência do cigarro convencional, ainda provoca dependência, uma vez que usam sais de nicotina.

Outra abordagem, diz, é apontar que os jovens estão sendo alvo de uma indústria que perdeu consumidores e agora está buscando um novo mercado, usando sabores como algodão doce. "O jovem tem a sensibilidade a perceber que está sendo manipulado. Então é possível falar que, assim como as pessoas no passado caíram na armadilha do Cowboy do Marlboro, isso pode estar acontecendo agora."

Apele para um médico

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Se você não conseguir explicar exatamente quais são os riscos que o jovem encara ao usar um cigarro eletrônico, pode relegar essa função a um médico.

Sidnei Epelman, líder de oncopediatria da Oncoclínicas, afirma que os pais devem abordar o assunto com o pediatra ou clínico geral nas consultas. "Para que o jovem faça escolhas corretas não porque o pai proibiu, mas porque pode haver consequências", diz.

Ele alerta que a nicotina presente nos cigarros eletrônicos é prejudicial para o desenvolvimento cerebral, pulmonar e cardíaco das crianças e adolescentes, além de aumentar o risco de diversas doenças, incluindo 16 tipos de câncer e doenças cardíacas e pulmonares graves.

Segundo Epelman, isso deve ser feito em consultas de rotina e não em uma visita exclusiva para falar sobre o assunto. "Na oncopediatria [tratamento de câncer em crianças], tem pouco a ser prevenido", diz. "Mas o câncer de pulmão dá para prevenir".

Apele para outros jovens

"Também é interessante ver jovens falando para jovens", diz Andreis. Uma alternativa, segundo ela, é mostrar para seus filhos o conteúdo de influenciadores jovens que pararam de usar vape.

Há o movimento #SemNicotina de influenciadores que mostram os problemas que sofreram após o uso. Foi criado pelo influenciador do TikTok Gustavo Foganoli, 23.

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