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Comissão do Senado prevê punir plataformas e proteger casais gays, e tema deve dividir Congresso

FolhaPress 04/04/2024 08:51

BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) - O Senado Federal discute regulamentar o uso de inteligência artificial, a responsabilização de plataformas por vazamento de dados e ampliação da proteção a famílias formadas por pessoas do mesmo sexo.

Senac 16 de julho — Capa (rail)

As propostas estão em um relatório preliminar de atualização do Código Civil preparado por uma comissão de juristas criada por ordem do presidente da Casa, Rodrigo Pacheco (PSD-MG).

O grupo tem até 12 de abril para finalizar a minuta. E a previsão é que, em breve, os temas sejam debatidos pelos parlamentares.

A avaliação nos bastidores do Congresso é de que o projeto apresentado pelo colegiado deve gerar divisão entre os senadores, sobretudo nas questões relacionadas a gênero e família.

Sob reserva, integrantes da comissão, que inclui ministros do STJ (Superior Tribunal de Justiça), afirmam que se trata de um trabalho técnico para aperfeiçoar a legislação atual. Reconhecem, no entanto, o temor de que trechos da proposta causem polêmica e debates ideológicos contaminem as discussões.

Sobre relacionamentos homoafetivos, por exemplo, o relatório retira menções a homem e mulher para questões legais de uniões estáveis. Propõe uma redação contemplando relações entre "duas pessoas".

SESC PICASSO

O texto atual do Código Civil —aprovado em 2002, e em vigência desde 2003— afirma que casamento ocorre entre "o homem e a mulher". Um entendimento já desatualizado.

A união estável entre pessoas do mesmo sexo é um direito reconhecido pelo STF (Supremo Tribunal Federal) desde 2011.

Apesar disso, ano passado o debate voltou à tona na Câmara dos Deputados e deixou claro como o tema tem potencial para dividir novamente o Legislativo. Em outubro de 2023, a Comissão de Assistência Social, Infância, Adolescência e Família da Casa aprovou por 12 a 5 um projeto que inclui no Código Civil o veto a casamento de pessoas do mesmo sexo —o texto segue em trâmite na Câmara.

Outra novidade proposta pela comissão no Senado é a autorização a divórcios realizados em cartório de maneira unilateral, ou seja, com a vontade de apenas uma das partes do casal. Atualmente, separações sem consenso só ocorrem através de mediação judicial.

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Senadores ouvidos sob reserva pela reportagem evitaram fazer comentários sobre as propostas porque preferem manter boa relação com Pacheco, padrinho da ideia de formar uma comissão sobre o tema. Mas a previsão é de que, quando o debate iniciar entre os parlamentares, as divergências devem se acentuar.

Um ponto visto como potencial para gerar atrito entre senadores e dividir a Casa diz respeito ao conceito de família previsto no Código Civil.

A ideia é que a lei assegure direitos, como em questões previdenciárias, a três tipos de grupos familiares: que tenham "convívio estável, contínuo, duradouro e público"; pessoas que criam filhos sozinhas; e "família não conjugal formada pelo convívio de pessoas que vivam sob o mesmo teto com compartilhamento de responsabilidades familiares e não apenas as de caráter patrimonial".

DO MUNDO ANALÓGICO PARA O DIGITAL

O texto preliminar dos juristas também prevê a responsabilização civil de plataformas digitais por vazamento de dados de usuários.

Ainda no campo da tecnologia, a proposta contém uma regulamentação específica para o uso de inteligência artificial. A criação de imagens de pessoas vivas ou falecidas, por exemplo, só podem ocorrer "para utilização de atividades lícitas" e depende de consentimento da pessoa ou herdeiros e do "respeito à reputação".

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O ministro do STJ Luís Felipe Salomão, que preside a comissão, afirma que diversos países têm debatido atualização em seus códigos civis e que atualizar essas regras é "colocar o país na vanguarda".

"É a transição do mundo jurídico analógico para o mundo jurídico digital, esta é a grande proposta que o código traz. A sociedade mudou muito", diz. "No texto, nós criamos, por exemplo, um livro específico sobre o mundo digital, que vai dialogar com os outros capítulos da lei, que tratam de sucessão, empresas, contratos, entre outros temas".

O novo Código Civil, caso aprovado, também autoriza que pessoas solicitem a retirada da vinculação de seus nomes a outros temas em sites de busca. "Ao indivíduo é possível requerer a aplicação do direito à desindexação, que consiste na remoção do link que direciona a busca para informações inadequadas", diz o texto.

A previsão é que a pessoa tenha direito à remoção quando o caso envolver imagens pessoais íntimas, foto de menores da idade e "pornografia falsa involuntária".

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