O Belas Artes, cinema de rua paulistano na esquina entre a Avenida Paulista e a Rua da Consolação, procura um novo patrocinador. O espaço foi patrocinado pela gestora Reag até dezembro de 2025 num acordo que durou dois anos.
De acordo com o diretor do espaço, André Sturm, o Belas já tem negociações abertas para um novo patrocinador, mas ainda não fechou negócio. O grande desafio do cinema de rua, há mais de 80 anos parte da programação paulistana, é pagar o aluguel de um ponto tão relevante da cidade (a gestão do local, porém, não revela valores da locação).
— O patrocínio é vital por conta do aluguel. O problema é que ocupa um imóvel em um lugar valioso. Desta vez, porém, tínhamos uma cláusula de saída do patrocinador. Negociamos e garantimos três meses de aluguel, que são três meses de sobrevida— diz Sturm, que também é diretor de cinema.
Com a negociação, o ideal é que o espaço garanta seu próximo patrocinador até março. Do contrário, entra em uma "situação difícil", explica Sturm. As conversas para os próximos patrocinadores estão abertas e há interessados de alguns segmentos. Anteriormente, o Belas Artes teve patrocínio da Caixa, da cervejaria Petra e, agora, do Reag.
O cinema, diz Sturm, teve em 2025 o melhor ano de visitação desde a pandemia da Covid-19. Mensalmente, cerca de 30 mil pessoas assistiram a alguma opção de sua programação. A curadoria do cinema, inclusive, passou a fazer parte de duas unidades da rede Cinesystem, em Botafogo, no Rio, e na região do Frei Caneca, em São Paulo.
— O filme Homem com H (filme de Esmir Filho) estreou em 500 salas brasileiras. A número 1 de público, porém, foi aqui no Belas Artes. Bugonia (do grego Yorgos Lanthimos) estreou em 100 salas e a número 1 também foi no Belas Artes. É o cinema com destaque em filmes de qualidade — garante.
A saída da Reag, a ntes do fim do contrato de cinco anos firmado com o Belas, se deu em meio ao envolvimento da gestora na Operação Carbono Oculto, deflagrada pela Receita Federal e outros orgãos governamentais. A ação policial mirava a lavagem de dinheiro do crime organizado no setor de combustíveis. Após a divulgação do caso, a gestora mudou de nome e agora se chama Arandu Investimentos.
Fundado em 1943, o Belas Artes tem em sua história diversos momentos de desafios financeiros. O ponto chegou a ficar fechado entre meados de 2011 e 2014. Depois disso, retomou à cena paulistana sempre com patrocínios externos. Na época do fechamento, a ausência de atividades no ponto rendeu abaixo-assinados e outras manifestações públicas.