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CNPq torna obrigatória extensão de 2 anos por gestação em editais de bolsas de produtividade no país

FolhaPress 06/01/2024 18:19

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - A diretoria-executiva do CNPq (Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico) publicou neste sábado (6) uma nota em que torna obrigatória a extensão do prazo de dois anos por gestação ou adoção para avaliação de projetos de bolsistas que são mães.

Senac 16 de julho — Capa (rail)

A decisão vem após a repercussão do caso da professora Maria Caramenez Carlotto, da UFBAC (Universidade Federal do ABC), que recebeu um parecer preconceituoso dizendo que "as suas gestações [provavelmente] atrapalharam essas iniciativas [pós-doutorado no exterior], o que poderá ser compensado no futuro".

Após o ocorrido, Carlotto, que divulgou a carta em sua conta pessoal no X (antigo Twitter), dezenas de outras pesquisadoras afirmaram ter recebido pareceres também discriminatórios. O CNPq chegou a divulgar uma nota de esclarecimento, na qual dizia que a carta era de um parecerista ad hoc (consultor externo) e que "instruirá seu corpo de pareceristas para maior atenção na emissão de seus pareceres".

Na nova nota, o órgão reconhece a "necessidade urgente de revisão e aprimoramento da Resolução Normativa 002/2015 para deixar mais claro os procedimentos e compromissos éticos na avaliação de propostas".

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Tal resolução define as atribuições, finalidades, composição e funcionamento do corpo de assessores, dos Comitês de Assessoramento, dos Comitês Temáticos, do Núcleo de Assessores em Tecnologia e Inovação, do Núcleo de Assessores para Cooperação Internacional e da consultoria ad hoc.

A nota continua, dizendo que vai iniciar a partir de fevereiro de 2024 um grupo de trabalho, formado por cinco a sete membros da comunidade científica e servidores do CNPq, para formular um Código de Ética aos membros dos comitês de áreas (que definem a finalidade dos recursos) e dos assessores ad hoc, em um prazo de dois meses.

Neste sentido, o órgão também determina que a partir de março deste ano passa a ser "obrigatória a inclusão do critério de que o período de avaliação da produtividade científica da(o)s proponentes seja estendido por dois, para cada parto ou adoção que ocorrer dentro do prazo estipulado na chamada".

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Assim, "ficam reduzidos os efeitos dessas responsabilidades na comparação entre outras propostas submetidas na mesma área", diz o documento.

É a primeira vez que o órgão publica uma decisão do tipo. Segundo Fernanda Staniscuaski, fundadora do Parent in Science (movimento que busca maior inclusão e igualdade para pais e mães na ciência), antes o critério cabia a cada comitê de área, e somente um terço (35%) deles tinham incluído a cláusula da maternidade ou parentalidade em seus editais.

A direção do CNPq disse também que vai abrir uma investigação, seguindo a orientação da Procuradoria Federal do órgão, para avaliar os casos específicos divulgados de pareceres preconceituosos. Há, ainda, a possibilidade de recurso por parte das pesquisadoras que se sentiram discriminadas.

Um levantamento feito pelo Parent in Science, divulgado pela Folha, mostrou que as mulheres são só 35,6% das bolsistas de produtividade (PQ) há 20 anos.

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O mecanismo de bolsa de produtividade (PQ) do CNPq funciona como um bônus para aqueles pesquisadores ou pesquisadoras que se destacam em suas respectivas áreas de conhecimento. A avaliação segue diversos critérios, incluindo a quantidade de artigos científicos produzidos nos últimos anos.

Há hoje 16.108 bolsistas dessa modalidade no país, de um total de 109.548 docentes, segundo dados de pós-graduação da Capes (Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior, ligado ao Ministério da Educação), o que equivale a menos de 15% deles. Excluindo os bolsistas seniores, não incluídos na análise, restam 15.850. Destes, 5.642 são mulheres (35,6%), e os 10.208 restantes (66,4%) são homens.

Os dados, de até julho de 2023, foram levantados pelo Parent in Science da base do CNPq por meio da plataforma Fala.br. Vendo a distribuição por área, as exatas e engenharias concentram o menor número de mulheres (por volta de 20%), enquanto saúde e linguística, letras e artes têm as maiores taxas (mais de 50%).

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