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Clientes da Unimed Vitória relatam cobranças duplicadas e uso de dados em golpes

Usuários pagaram boletos enviados em nome da operadora e depois descobriram que os débitos continuavam em aberto.

Vitória News 05/07/2026 07:18
Clientes da Unimed Vitória relatam cobranças duplicadas e uso de dados em golpes
Imagem ilustrativa

Clientes da Unimed Vitória têm procurado a cooperativa médica para relatar boletos que, embora tenham sido pagos, continuam constando como pendentes no sistema. Os casos se somam a uma sequência de golpes envolvendo boletos falsos, registrados desde 2021 e que voltaram a preocupar beneficiários nos últimos dias.

Senac 16 de julho — Capa (rail)

Os documentos fraudulentos, enviados em formato PDF, apresentam aparência praticamente idêntica à dos boletos originais da cooperativa. A principal diferença está no código de barras ou na conta bancária indicada como favorecida. Dessa forma, o pagamento é direcionado para contas controladas por criminosos, enquanto a dívida do beneficiário permanece em aberto perante a Unimed.

O caso mais recente envolve o empresário M. Z., morador de Itaguaçu e proprietário de uma fazenda no distrito de Sobreiro, onde cultiva variedades de café arábica e conilon. Após constatar que havia sido vítima da fraude, ele procurou o setor de atendimento a planos empresariais da Unimed Vitória, em Bento Ferreira, para tentar esclarecer como os criminosos tiveram acesso a informações consideradas sigilosas.

Segundo o empresário, o boleto fraudulento continha seu nome, os dados da empresa, o número do CNPJ, o endereço de e-mail e até o valor exato da mensalidade cobrada pela cooperativa. Durante o atendimento, a funcionária registrou formalmente a ocorrência, conforme o protocolo interno da Unimed, e informou que as cobranças legítimas permaneciam registradas como pendentes no sistema.

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Após deixar a unidade de atendimento, M. Z. dirigiu-se a uma delegacia da Polícia Civil, onde registrou um boletim de ocorrência e solicitou a apuração da fraude.

O empresário também foi orientado a acessar o portal da Unimed Vitória. Segundo ele, porém, o fato de os criminosos conhecerem seu nome, os dados da empresa, o CNPJ, o endereço de e-mail e o valor exato da mensalidade aumentou sua preocupação quanto à segurança das informações cadastrais.

O episódio reacende uma série de questionamentos feitos por beneficiários da cooperativa:

Como os criminosos tiveram acesso ao nome do cliente, à razão social da empresa, ao CNPJ, ao endereço eletrônico e ao valor exato da mensalidade?

As informações utilizadas pelos fraudadores tiveram origem em algum vazamento de dados?

Houve comprometimento de sistemas próprios da cooperativa ou de empresas terceirizadas que prestam serviços?

A cooperativa instaurou investigação interna para identificar a origem das informações utilizadas pelos criminosos?

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Os clientes potencialmente afetados foram comunicados sobre eventual incidente de segurança, conforme previsto na Lei Geral de Proteção de Dados, a LGPD?

Até o momento, a cooperativa não apresentou esclarecimentos públicos sobre a origem das informações utilizadas pelos golpistas nem informou se existe investigação específica sobre eventual comprometimento de dados cadastrais de seus beneficiários. O espaço permanece aberto para manifestação da Unimed Vitória.

Nota da Unimed

Curiosamente, às 17h39 desta sexta-feira (3), a Unimed Vitória divulgou um comunicado intitulado “Manutenção programada: canais digitais indisponíveis hoje, às 21h”. Na nota, a cooperativa informa:

"Para aprimorar nossos serviços, os canais digitais ficarão indisponíveis hoje, às 21h, com retorno previsto amanhã, às 4h da manhã. Central de Atendimento: 0800 026 0080."

O comunicado, entretanto, não faz referência às reclamações sobre boletos fraudulentos nem esclarece as dúvidas levantadas pelos beneficiários quanto à possível origem dos dados utilizados pelos criminosos.

Histórico

O tema remete a um episódio ocorrido em novembro de 2020, quando a própria Unimed Vitória confirmou ter sofrido uma tentativa de invasão cibernética, na mesma semana em que a Prefeitura de Vitória também foi alvo de ataques digitais.

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Especialistas em segurança da informação observam que golpes dessa natureza podem decorrer de diferentes situações, como invasões de sistemas, comprometimento de bases de dados de empresas terceirizadas, acesso indevido por fornecedores ou utilização de informações obtidas em vazamentos anteriores disponíveis na internet.

No caso do empresário M. Z., entretanto, chama a atenção o grau de precisão das informações utilizadas pelos fraudadores. Além do nome do beneficiário, eles tinham acesso aos dados da empresa, ao CNPJ, ao endereço eletrônico cadastrado e ao valor exato da mensalidade. As circunstâncias reforçam a necessidade de uma apuração técnica para identificar a origem dessas informações.

Diante da preocupação dos beneficiários, a expectativa é que a Unimed Vitória esclareça se houve algum incidente de segurança envolvendo seus sistemas ou os de empresas parceiras, informe quais medidas estão sendo adotadas para proteger os dados dos clientes e diga se o caso foi comunicado às autoridades competentes, inclusive à Autoridade Nacional de Proteção de Dados, a ANPD, caso a legislação assim o exija.

Enquanto essas respostas não são apresentadas, permanece a insegurança entre usuários da cooperativa, muitos dos quais passaram a desconfiar da autenticidade dos boletos recebidos, como ocorreu com o empresário M. Z.

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