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Cinzas de Sebastião Salgado são depositadas em árvore do Instituto Terra

FolhaPress 18/08/2025 18:42

SÃO PAULO, SP (UOL/FOLHAPRESS) - As cinzas do fotógrafo Sebastião Salgado foram depositadas no sábado (16) nas raízes de uma peroba-amarela no Instituto Terra, em Aimorés, Minas Gerais -a mesma fazenda em que o artista cresceu e que se transformou, anos depois, em sua grande obra de recuperação ambiental.

Senac 16 de julho — Capa (rail)

A cerimônia reuniu familiares, amigos e autoridades no local que marcou a infância e a adolescência do fotógrafo. O gesto simbolizou não apenas a despedida, mas também a última missão de Salgado: nutrir, com seu corpo, a árvore que agora integra a floresta renascida pelo projeto que ele próprio fundou.

Durante a homenagem, a mulher do fotógrafo, Lélia Salgado, recordou o caráter íntegro e a dignidade do artista. O fotógrafo foi descrito como alguém movido por ideias grandiosas e pela coragem de persegui-las.

Para a família, o ato de depositar as cinzas no Instituto Terra foi carregado de significado: era ali, entre o céu e a luz filtrada pelas árvores, que o olhar de Sebastião havia se formado. O lugar que o ensinou a enxergar o mundo tornou-se, assim, sua morada final.

"Tristeza por me dar conta que o Sebastião partiu, mas também alegria de ver um grupo tão grande, tão representativo de amigos, familiares e que trabalharam com ele", afirmou Mauro Vieira, ministro das Relações Exteriores.

Após os discursos, as cinzas foram enterradas junto às raízes da peroba-amarela e a urna próxima a ela. Em seguida, familiares e convidados jogaram pétalas brancas sobre a terra, selando a homenagem a um homem que fez da fotografia um instrumento de transformação social.

SESC PICASSO

O FOTÓGRAFO QUE MUDOU A FORMA DE VER O MUNDO

Salgado inovou ao retratar populações em situações de desigualdade, guerras e miséria, quase sempre em preto e branco, preferindo apresentar séries fotográficas em vez de imagens isoladas. Essa escolha refletia sua recusa em separar o indivíduo do contexto social que o moldava.

Mineiro, era o sexto de dez filhos -e o único homem entre nove irmãs. Formado em Economia, foi obrigado a se exilar em Paris em 1969, durante a ditadura militar. Ali trabalhou na Organização Internacional do Café e, em viagens pela África, descobriu na fotografia uma maneira mais poderosa de revelar realidades do que qualquer relatório econômico.

CONTADOR - BONUS

Sua carreira deslanchou a partir dos anos 1970, com reportagens sobre a seca no Sahel e os trabalhadores imigrantes na Europa. Em 1979, entrou para a Magnum Photos e iniciou projetos documentais de fôlego, como a série sobre camponeses da América Latina, que deu origem ao livro Autres Amériques (1986).

Vieram depois registros de refugiados africanos da seca em colaboração com os Médicos Sem Fronteiras e a série Workers (1987-1992), que correu o mundo em exposições. Sua obra alcançou o grande público também pelo cinema, com o documentário O Sal da Terra (2014), dirigido por Wim Wenders e Juliano Salgado, indicado ao Oscar de Melhor Documentário.

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