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Cidades pequenas lideram participação eleitoral no Brasil, aponta levantamento

Índice baseado em dados do TSE mostra maior engajamento em municípios menores; Norte tem melhor média regional, enquanto Sudeste fica abaixo da média nacional

Vitória News 14/09/2026 07:40
Cidades pequenas lideram participação eleitoral no Brasil, aponta levantamento
Foto: Fernando Frazão/ABr

Cidades pequenas, localizadas no interior e com menor grau de urbanização concentram os maiores níveis de participação partidária e eleitoral no Brasil. A conclusão é do Índice da Participação Partidário-Eleitoral nos Municípios Brasileiros (IPar-Eleitoral), elaborado pelo Observatório Participa.

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O levantamento utiliza dados do Tribunal Superior Eleitoral referentes a 2024 e combina três indicadores: comparecimento às urnas, alistamento eleitoral voluntário de jovens de 16 e 17 anos e filiação a partidos políticos.

Na maior parte dos municípios brasileiros, entre 80% e 90% dos eleitores comparecem às urnas. Já a filiação partidária costuma representar de 10% a 20% do eleitorado.

Entre adolescentes de 16 e 17 anos, para os quais o voto é facultativo, o alistamento eleitoral voluntário varia, em geral, entre 5% e 15% da população nessa faixa etária.

Os dados mostram uma relação entre o tamanho das cidades e o nível de participação. Municípios mais populosos e urbanizados tendem a apresentar índices proporcionalmente menores, enquanto pequenas cidades aparecem nas primeiras posições do levantamento.

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Oliveira de Fátima, no Tocantins, com pouco mais de 1,1 mil habitantes, alcançou a pontuação máxima de 100 pontos no IPar-Eleitoral.

Grupiara, em Minas Gerais, com cerca de 1,4 mil moradores, aparece entre os municípios com maior participação, com índice de 97,7 pontos.

Na outra ponta estão as duas maiores cidades brasileiras. São Paulo registrou 10,6 pontos, enquanto o Rio de Janeiro ficou com 6 pontos.

Norte lidera entre as regiões

A análise por regiões mostra que o Norte registra a maior média de participação partidária e eleitoral do país.

O Sudeste, por outro lado, apresenta índices consideravelmente inferiores à média nacional, apesar de concentrar alguns dos maiores colégios eleitorais brasileiros.

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Para Carla Almeida, professora da Universidade Estadual de Maringá e uma das coordenadoras do Observatório Participa, os resultados mostram que a influência política das regiões não depende apenas do tamanho do eleitorado.

Segundo a pesquisadora, a intensidade com que a população participa das eleições e das estruturas partidárias também pode influenciar a dinâmica política local e nacional.

Proximidade pode estimular participação

Apesar da relação identificada entre municípios menores e maior participação, os pesquisadores ressaltam que ainda não é possível apontar uma única explicação para o fenômeno.

Uma das hipóteses discutidas na literatura acadêmica é que, nas pequenas cidades, a política tende a estar mais próxima do cotidiano da população.

Essa proximidade pode facilitar o contato entre eleitores, candidatos, partidos e representantes locais, aumentando o envolvimento com a vida política.

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Ao mesmo tempo, o ambiente de maior proximidade social também pode aumentar a exposição das escolhas políticas individuais e criar maior pressão para a participação.

Índice permite comparar municípios

O IPar-Eleitoral não pretende avaliar todas as formas de participação política existentes no país nem medir a qualidade da democracia brasileira.

O objetivo é permitir comparações entre os municípios a partir da relação dos cidadãos com eleições e partidos políticos.

Segundo os responsáveis pelo levantamento, os dados podem ajudar pesquisadores e gestores públicos a identificar diferenças regionais e locais e a formular novas perguntas sobre o comportamento político da população.

O índice também pode servir de base para iniciativas voltadas ao fortalecimento da participação cívica e eleitoral.

Os resultados estão disponíveis individualmente para os municípios brasileiros e permitem observar diferenças significativas de engajamento entre pequenas cidades do interior e grandes centros urbanos.

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