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Chongqing: megacidade de 32 milhões vira polo industrial e logístico da China

Metrópole às margens do Yangtzé concentra indústria automobilística e tecnológica e ocupa posição estratégica nas rotas comerciais que ligam a China à Europa e à Ásia Central

Vitória News 20/09/2026 06:29

Arranha-céus, montanhas, rios, viadutos em vários níveis e até um metrô que atravessa um edifício fazem parte da paisagem de Chongqing, uma das maiores concentrações urbanas da China e peça importante na transformação industrial e econômica do país.

Senac 16 de julho — Capa (rail)

Localizado no sudoeste chinês, às margens dos rios Yangtzé e Jialing, o município possui cerca de 31,9 milhões de habitantes espalhados por uma área de 82,4 mil quilômetros quadrados — território quase duas vezes maior que o estado do Rio de Janeiro.

Chongqing tem status administrativo equivalente ao de uma província e responde diretamente ao governo central chinês desde 1997. A dimensão territorial ajuda a explicar seus números: a população não está concentrada apenas no núcleo urbano, mas distribuída por uma extensa região que reúne áreas densamente urbanizadas, cidades menores e zonas rurais.

A geografia peculiar rendeu à metrópole apelidos como “cidade das montanhas”, “cidade dos rios” e “cidade das neblinas”.

Indústria está no centro da economia

Chongqing é um dos principais polos industriais chineses e reúne atividades de praticamente todos os grandes segmentos da indústria do país.

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A manufatura inclui automóveis, eletrônicos, equipamentos, materiais avançados, indústria naval e outros setores de alta tecnologia. A cidade também se consolidou como um dos centros chineses de produção de veículos elétricos e inteligentes.

Atualmente, o complexo automotivo local reúne 19 fabricantes de veículos e mais de 1,2 mil empresas de autopeças de maior porte. A expansão dos carros elétricos também é perceptível nas ruas, marcadas por ampla presença de veículos eletrificados e estações de recarga.

O setor faz parte da estratégia de Chongqing de fortalecer indústrias de maior valor agregado e combinar a tradição manufatureira com digitalização, inovação e tecnologias de baixo carbono.

Uma cidade construída entre rios e montanhas

A paisagem urbana é uma das marcas mais conhecidas de Chongqing.

O relevo montanhoso obrigou a cidade a desenvolver uma complexa rede de pontes, túneis e viadutos, muitas vezes distribuídos em diferentes níveis. Um dos cartões-postais é a estação Liziba, onde a linha de metrô passa pelo interior de um edifício residencial.

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À noite, prédios iluminados às margens dos rios reforçam a imagem futurista que transformou Chongqing também em atração turística.

A cidade é conhecida ainda pelos hot pots, uma das especialidades mais tradicionais da culinária local. Carnes, verduras e outros ingredientes são preparados à mesa em panelas com caldo quente e, frequentemente, bastante apimentado.

Hub da Nova Rota da Seda

A posição de Chongqing no interior da China deixou de ser uma desvantagem geográfica e passou a ser utilizada como elemento estratégico para o comércio internacional.

A cidade se tornou um dos principais centros do sistema ferroviário de cargas China-Europa e também está conectada ao Corredor Internacional de Comércio Terrestre-Marítimo do Oeste, que permite o transporte de mercadorias até portos do sul da China e, de lá, para diferentes mercados internacionais.

Outra saída é o próprio rio Yangtzé, que liga Chongqing às regiões economicamente mais desenvolvidas do leste chinês e ao complexo portuário de Xangai.

Essa combinação de ferrovia, rodovia e transporte fluvial transformou a metrópole em importante ponto de conexão entre o oeste da China, a Ásia Central, a Europa e outros mercados.

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Do crescimento acelerado ao desafio ambiental

O avanço industrial das últimas décadas também trouxe impactos ambientais.

Chongqing e outras regiões situadas ao longo do Yangtzé passaram a enfrentar os efeitos da industrialização, da urbanização e da intensa utilização do rio para transporte e atividades econômicas.

Nos últimos anos, políticas de recuperação ambiental ganharam maior espaço, incluindo proteção de áreas às margens do Yangtzé, redução de atividades consideradas degradantes e investimentos em tecnologias menos poluentes.

O desafio é conciliar a continuidade da expansão econômica com a recuperação dos ecossistemas.

Para pesquisadores que acompanham a transformação da região, Chongqing representa justamente uma das faces mais visíveis da mudança chinesa: uma antiga base industrial do interior que passou a combinar grandes fábricas, veículos elétricos, infraestrutura logística internacional e uma paisagem urbana que chama atenção pela escala e pela complexidade.

Com informações da Agência Brasil

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