Metrópole às margens do Yangtzé concentra indústria automobilística e tecnológica e ocupa posição estratégica nas rotas comerciais que ligam a China à Europa e à Ásia Central
Arranha-céus, montanhas, rios, viadutos em vários níveis e até um metrô que atravessa um edifício fazem parte da paisagem de Chongqing, uma das maiores concentrações urbanas da China e peça importante na transformação industrial e econômica do país.
Localizado no sudoeste chinês, às margens dos rios Yangtzé e Jialing, o município possui cerca de 31,9 milhões de habitantes espalhados por uma área de 82,4 mil quilômetros quadrados — território quase duas vezes maior que o estado do Rio de Janeiro.
Chongqing tem status administrativo equivalente ao de uma província e responde diretamente ao governo central chinês desde 1997. A dimensão territorial ajuda a explicar seus números: a população não está concentrada apenas no núcleo urbano, mas distribuída por uma extensa região que reúne áreas densamente urbanizadas, cidades menores e zonas rurais.
A geografia peculiar rendeu à metrópole apelidos como “cidade das montanhas”, “cidade dos rios” e “cidade das neblinas”.
Indústria está no centro da economia
Chongqing é um dos principais polos industriais chineses e reúne atividades de praticamente todos os grandes segmentos da indústria do país.
A manufatura inclui automóveis, eletrônicos, equipamentos, materiais avançados, indústria naval e outros setores de alta tecnologia. A cidade também se consolidou como um dos centros chineses de produção de veículos elétricos e inteligentes.
Atualmente, o complexo automotivo local reúne 19 fabricantes de veículos e mais de 1,2 mil empresas de autopeças de maior porte. A expansão dos carros elétricos também é perceptível nas ruas, marcadas por ampla presença de veículos eletrificados e estações de recarga.
O setor faz parte da estratégia de Chongqing de fortalecer indústrias de maior valor agregado e combinar a tradição manufatureira com digitalização, inovação e tecnologias de baixo carbono.
Uma cidade construída entre rios e montanhas
A paisagem urbana é uma das marcas mais conhecidas de Chongqing.
O relevo montanhoso obrigou a cidade a desenvolver uma complexa rede de pontes, túneis e viadutos, muitas vezes distribuídos em diferentes níveis. Um dos cartões-postais é a estação Liziba, onde a linha de metrô passa pelo interior de um edifício residencial.
À noite, prédios iluminados às margens dos rios reforçam a imagem futurista que transformou Chongqing também em atração turística.
A cidade é conhecida ainda pelos hot pots, uma das especialidades mais tradicionais da culinária local. Carnes, verduras e outros ingredientes são preparados à mesa em panelas com caldo quente e, frequentemente, bastante apimentado.
Hub da Nova Rota da Seda
A posição de Chongqing no interior da China deixou de ser uma desvantagem geográfica e passou a ser utilizada como elemento estratégico para o comércio internacional.
A cidade se tornou um dos principais centros do sistema ferroviário de cargas China-Europa e também está conectada ao Corredor Internacional de Comércio Terrestre-Marítimo do Oeste, que permite o transporte de mercadorias até portos do sul da China e, de lá, para diferentes mercados internacionais.
Outra saída é o próprio rio Yangtzé, que liga Chongqing às regiões economicamente mais desenvolvidas do leste chinês e ao complexo portuário de Xangai.
Essa combinação de ferrovia, rodovia e transporte fluvial transformou a metrópole em importante ponto de conexão entre o oeste da China, a Ásia Central, a Europa e outros mercados.
Do crescimento acelerado ao desafio ambiental
O avanço industrial das últimas décadas também trouxe impactos ambientais.
Chongqing e outras regiões situadas ao longo do Yangtzé passaram a enfrentar os efeitos da industrialização, da urbanização e da intensa utilização do rio para transporte e atividades econômicas.
Nos últimos anos, políticas de recuperação ambiental ganharam maior espaço, incluindo proteção de áreas às margens do Yangtzé, redução de atividades consideradas degradantes e investimentos em tecnologias menos poluentes.
O desafio é conciliar a continuidade da expansão econômica com a recuperação dos ecossistemas.
Para pesquisadores que acompanham a transformação da região, Chongqing representa justamente uma das faces mais visíveis da mudança chinesa: uma antiga base industrial do interior que passou a combinar grandes fábricas, veículos elétricos, infraestrutura logística internacional e uma paisagem urbana que chama atenção pela escala e pela complexidade.
Com informações da Agência Brasil