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China reúne quase 20 países para discutir cooperação e preservação dos grandes rios

Fórum em Chongqing aproximou experiências do Yangtzé, Amazonas, Nilo, Danúbio e Mississippi e debateu desenvolvimento, cultura e proteção ambiental

Vitória News 20/09/2026 06:28

A relação entre grandes rios e o desenvolvimento das civilizações reuniu especialistas, jornalistas e artistas de quase 20 países em Chongqing, na China. A 4ª edição do Fórum da Civilização do Rio Yangtzé colocou em debate experiências envolvendo alguns dos principais cursos d’água do planeta, entre eles o Amazonas, o Nilo, o Danúbio e o Mississippi.

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O Brasil participou do encontro com pesquisadores e jornalistas. O evento teve como tema a conexão entre rios, mares e diferentes civilizações e discutiu cooperação internacional, preservação ambiental, história e desenvolvimento das populações ligadas aos grandes rios.

Segundo os organizadores, o fórum também se insere no contexto da Iniciativa para a Civilização Global, apresentada pelo presidente chinês Xi Jinping em 2023, que defende maior intercâmbio cultural e cooperação entre países. 

Yangtzé liga história e economia chinesa

Com cerca de 6,3 mil quilômetros de extensão, o Yangtzé atravessa importantes regiões econômicas da China e ajuda a conectar o interior do país ao porto de Xangai.

Além de seu peso econômico, o rio ocupa posição central na história chinesa. Pesquisadores locais vêm destacando descobertas arqueológicas que indicam a presença da agricultura do arroz na região há milhares de anos.

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Durante o fórum, especialistas de outros países também apresentaram experiências relacionadas à gestão das águas. Pesquisadores do Egito, por exemplo, abordaram sistemas utilizados no Nilo para acompanhar variações do nível da água e antecipar períodos de seca e enchentes.

A preocupação ambiental também esteve entre os principais assuntos do encontro. Poluição, mudanças climáticas, crescimento populacional e alterações nos ecossistemas foram apontados como desafios comuns aos países cortados por grandes rios.

Desenvolvimento deixou impactos ambientais

A rápida industrialização e urbanização da China nas últimas décadas provocaram impactos significativos sobre o Yangtzé e sua biodiversidade.

O professor Li Guoqiang, da Academia Chinesa de Ciências Sociais, reconheceu durante o encontro que o desenvolvimento acelerado do país provocou danos ao equilíbrio ecológico do rio. Segundo ele, a política chinesa passou posteriormente a atribuir maior importância à conservação ambiental.

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Entre as medidas adotadas está uma moratória de dez anos sobre a pesca em áreas importantes da bacia. A restrição foi ampliada para o curso principal do Yangtzé e grandes afluentes a partir de janeiro de 2021.

Dados divulgados pelo governo chinês indicam recuperação de parte dos recursos biológicos aquáticos desde a implantação da medida, embora a proteção de espécies ameaçadas continue sendo um desafio.

Amazônia entra no debate

A experiência brasileira também ganhou espaço no fórum.

A pesquisadora Vera Maria Ferreira da Silva, do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa), chamou atenção para os impactos da industrialização, da urbanização e da navegação sobre os ecossistemas fluviais e defendeu que o Brasil observe experiências internacionais para evitar que a Amazônia alcance níveis extremos de degradação.

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Segundo a pesquisadora, modelos econômicos adotados em outras regiões brasileiras não podem ser simplesmente transferidos para a Amazônia. Ela defende alternativas que mantenham a floresta em pé e valorizem produtos como açaí e castanha-do-Brasil.

O debate também destacou a necessidade de considerar o conhecimento e os modos de vida das populações indígenas e ribeirinhas na definição de estratégias de desenvolvimento.

Yangtzé e Amazonas serão tema de documentário

Uma equipe do Centro Internacional de Comunicação do Oeste da China esteve no Brasil para produzir um documentário sobre comunidades ligadas aos rios Yangtzé e Amazonas.

Batizada de “Quando o Yangtzé encontra o Amazonas”, a produção pretende mostrar semelhanças e diferenças na relação das populações com os dois rios e seus ecossistemas.

Outro brasileiro presente no encontro, o professor André Pereira Reinnert Tokarski, defendeu a busca por um equilíbrio entre preservação ambiental e desenvolvimento econômico da Amazônia.

Para o pesquisador, tanto a exploração predatória quanto a ausência de alternativas econômicas para a população local produzem impactos sociais e ambientais.

Com informações da Agência Brasil 

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