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Chega Mais reafirma raízes comunitárias e aposta na ancestralidade para 2026

Escola do Bairro do Quadro fortalece atuação social e leva à avenida um enredo que exalta o saber ancestral das mulheres negras nas religiões de matriz africana

Vitória News 09/02/2026 16:50
Chega Mais reafirma raízes comunitárias e aposta na ancestralidade para 2026
Foto: Léo Silveira/PMV

Fundada em 25 de fevereiro de 1980, a Chega Mais surgiu da iniciativa de ritmistas da antiga Escola de Samba Santa Lúcia, todos moradores do Bairro do Quadro, em Vitória, onde a agremiação mantém sua sede até hoje. Durante a década de 1980, a escola desfilou nos grupos de acesso do Carnaval de Vitória, até interromper suas atividades em 1992, após o fim da competição organizada pela Prefeitura de Vitória, o que provocou um período de apagamento da escola e dispersão de sua comunidade.

Senac 16 de julho — Capa (rail)

A retomada aconteceu em 2013, quando a Chega Mais voltou à avenida como escola convidada, reeditando o enredo em homenagem a Adoniram Barbosa. Desde então, a agremiação passou a reconstruir sua trajetória no carnaval capixaba, com um trabalho contínuo de reorganização e fortalecimento dos vínculos comunitários.

Atualmente presidida por Maria José Gegenheimer da Silva, a escola tem Diogo Rocha como carnavalesco e desenvolve projetos sociais em parceria com instituições que atuam no território. Entre as iniciativas estão o Ritmistas do Futuro, voltado à formação musical de crianças e jovens, e o Fuxiqueiras do Bem, que reúne mulheres da comunidade para o reaproveitamento de sobras de fantasias transformadas em peças de artesanato, gerando renda. A escola também participa do Conselho Local de Saúde, ampliando sua atuação para além do universo do samba.

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Com raízes firmes no Bairro do Quadro e presença crescente nas áreas vizinhas, a Chega Mais segue consolidando seu papel no carnaval de Vitória e no cenário cultural da cidade.

Para o Carnaval de 2026, a escola apresenta o enredo “Iabassés, cozinhando para os Orixás, Voduns e Inkices: o alimento sagrado”. A proposta destaca a figura das Iabassés, mulheres escolhidas pelos próprios orixás para guardar e transmitir o conhecimento ancestral de transformar grãos, vegetais, caças, minerais e especiarias em alimentos sagrados. De Yaôs a Ebomis, são elas as responsáveis por preservar saberes que atravessam gerações.

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O enredo valoriza a fé das mulheres negras e a dimensão espiritual do ato de cozinhar, compreendido como gesto de doação, gratidão e conexão entre o mundo material e o sagrado. Nas religiões de matriz africana, o alimento ocupa papel central na comunicação com as divindades, sendo oferecido para agradecer, pedir proteção e fortalecer vínculos espirituais.

Ao retratar o caminho que vai da escolha e separação dos grãos ao preparo final das oferendas, a Chega Mais celebra histórias, fundamentos e práticas que se espalharam pelo país. Cada preparo carrega memórias, intenções e energias da natureza, reafirmando a tradição e mantendo vivo um conhecimento ancestral que resiste e se renova no carnaval capixaba.

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Sinopse

Chega mais na avenida o povo do samba!

Ê laia

Que vencendo as demandas

vem saudar

Iabassés desse terreiro, que no mês de Fevereiro faz banquete pro orixá!

(Oi Chega, Oi Chega )

Ê, Mojubá!

Lá na porteira o guardião saudar

Ebó para pedir a proteção

Já tem lenha no fogão, cheiro bom no ar

Oh! Mãe me conceda a sua "bença"

Ao santo eu já Pedi Licença

Pra começar no altar acendo a vela

E mexendo a panela, põe axé pra temperar!

Vestida em branco, com ojá bordado em renda

Vou preparar as oferendas

Amalá pra Xangô lá na pedreira eu vou

Na cachoeira, omolokum, mamãe Oxum

À Yansã o acarajé, frutas pra Logun edé

Levo à Obá seu ajeum

Quem vence as demandas é Ogum

Tem feijoada todo 23 de Abril

Um doce entreguei para o erê!

E o velho obaluaê, com um banho de pipocas me cobriu

Na mata milho verde para Oxóssi

Na praia peixes para Yemanjá

Ossaim oferto o mel, Nanã sarapatel

Salve as águas de Oxalá!


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