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Censo quilombola ajudou governo a identificar comunidades durante tragédia no Rio Grande do Sul

FolhaPress 20/11/2024 10:26

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Há pouco mais de um ano foram divulgados os dados do Censo quilombola. Pela primeira vez o país coletou e passou a analisar, oficialmente, as informações demográficas sobre essa parte da população brasileira. Exatos 16 meses depois, o que mudou nas políticas públicas nessa área?

Senac 16 de julho — Capa (rail)

Segundo o governo Lula, os dados do Censo Quilombola 2022 (divulgados somente no final de julho de 2023) estão sendo utilizados para mapear e entender melhor a distribuição e as necessidades das comunidades no Brasil.

As informações, de acordo com o Ministério da Igualdade Racial, ajudaram, por exemplo, na distribuição emergencial de alimentos e água potável para as comunidades quilombolas do Rio Grande do Sul durante a catástrofe climática que atingiu o estado neste ano.

A região sofreu com fortes chuvas e inundações. Diversos quilombos ficaram isolados ao longo da crise por conta de deslizamentos de terra e rodovias bloqueadas.

O Censo também possibilitou a indicação das comunidades localizadas no semiárido para o Programa Cisternas de construção de tecnologias sociais para o armazenamento de água para consumo e produção na região.

Outra iniciativa na qual o governo federal está utilizando os dados do Censo é um plano de ação para uma agenda nacional de titulação. O tema é um dos principais gargalos nas políticas públicas voltadas para essa fatia da população brasileira.

SESC PICASSO

Um estudo feita pela organização Terra de Direitos em maio deste ano aponta que se o Estado brasileiro mantiver o atual ritmo de regularização serão necessários 2.708 anos para titular integralmente os processos abertos no Incra (Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária). O levantamento levou em conta as mais de 1.850 ações que buscam a titulação de território.

Em 2023 e 2024, período do governo Lula, o Incra entregou títulos de território para 10 comunidades quilombolas. Vale lembrar que o órgão federal não é o único responsável por este processo -institutos de terra estaduais e municipais também podem titular territórios quilombolas.

Considerando os documentos emitidos por todos os órgãos, nas diferentes esferas públicas, 38 comunidades foram beneficiadas.

Entretanto, a Conaq (Coordenação Nacional de Articulação de Quilombos) afirma que pouca coisa mudou. A entidade exalta a execução da pesquisa demográfica, mas diz que os dados ainda não se converteram em políticas públicas na velocidade que essa parte da população precisa.

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"Desses 16 meses para cá, poucas coisas avançaram, na realidade, em programas para as comunidades quilombolas. E os programas que avançaram, em poucos momentos existiram consultas aos próprios quilombolas", afirma Denildo Rodrigues de Moraes, coordenador-executivo da Conaq.

"Mesmo com todos esses dados nós vemos que o Estado brasileiro ainda está com grande dificuldade de atender nosso povo, de ter recurso financeiro e humano para dar conta dessa demanda."

A organização afirma ainda que existem decretos aguardando a assinatura do governo do presidente Lula e que essas ações são fundamentais para garantir a segurança jurídica territorial e amenizar os conflitos.

"Estamos chegando ao segundo 20 de novembro deste governo. É certo que estamos vindo de um governo de descaso [gestão Bolsonaro], mas a velocidade em que aumentam os conflitos em nossos territórios não é a velocidade que o Estado responde. O Estado brasileiro ainda não nos deu essa resposta", diz Denildo.

Apesar da cobrança, o governo federal aponta que os dados já estão ajudando a identificar e qualificar áreas que necessitam de melhorias em infraestrutura como saúde, educação e outros serviços públicos.

O Ministério da Igualdade Racial admite que a efetivação das políticas depende de um maior aporte de recursos e de uma maior articulação entre diferentes esferas de governo e organizações, incluindo a sociedade civil.

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Dois programas tem sido as grandes apostas da pasta nessa área. Um é a Política Nacional de Gestão Territorial e Ambiental. A ação busca construir planos locais de gestão territorial e ambiental, feitos pelas próprias comunidades. A política já teve a adesão de seis estados: Maranhão, Tocantins, Piauí, Bahia, Ceará e Paraná.

O outro é o Aquilomba Brasil. O programa tem um comitê gestor formado por dez ministérios e representação da sociedade civil. O intuito é monitorar demandas e ações transversais que incidam sobre a população quilombola.

Em setembro deste ano, o governo federal obteve uma vitória nessa área. O presidente Lula assinou um acordo entre as comunidades quilombolas de Alcântara (MA) e o Programa Espacial Brasileiro, em uma tentativa de por fim a um litígio que se arrasta há 44 anos na região.

Com o acordo, as comunidades quilombolas se comprometem a não apresentar questionamentos sobre a área ocupada pelo Centro de Lançamento de Alcântara. Já o Ministério da Defesa encerra a reivindicação de áreas que estão ocupadas pelas comunidades tradicionais e se compromete a não apresentar novos questionamentos sobre o território.

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