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'Carcaça atrás de carcaça': rodovia da morte mata milhares de bichos raros

FolhaPress 07/11/2025 17:16

SÃO PAULO, SP (UOL/FOLHAPRESS) - A BR-262, conhecida mundialmente como "rodovia da morte", é uma das principais responsáveis pelos atropelamentos de animais silvestres no Pantanal. Entre maio de 2023 e abril de 2024, 2.300 animais foram atropelados em 350 km da rodovia, entre Campo Grande e a Ponte do rio Paraguai, segundo dados do ICAS (Instituto de Conservação de Animais Silvestres).

Senac 16 de julho — Capa (rail)

Rodovia é retratada no documentário "Cuidado - Animais na Pista", que denuncia o grave impacto da via na biodiversidade da região. Dirigido por Sandro Kakabadze, para o Documenta Pantanal, o filme ouve especialistas e relembra casos emblemáticos, além de propor ações para reduzir os impactos.

Tatus, anfíbios, jacarés e cachorros-do-mato são frequentemente encontrados mortos, segundo o ICAS. Estimativas apontam que entre 2 mil e 5 mil são vítimas anualmente na BR-262. Não há, porém, detalhes do período exato analisado para coleta dos dados.

O filme conta a história de "Ty", tamanduá-bandeira monitorado desde o nascimento que morreu às margens da BR-262. "Sabemos que a tragédia desse indivíduo se repete continuamente em rodovias de todo o país", afirmou Arnaud Desbiez, presidente do ICAS.

SESC PICASSO

Voluntários percorreram a BR-262 recolhendo animais mortos e denunciaram ao DNIT em Mato Grosso do Sul a "carnificina diária". Eles foram recebidos pelo superintendente, que explicou os entraves para implementar as soluções. "O plano licitado para reduzir atropelamentos tem valor de R$ 30,27 milhões e prevê 185 km de cercamentos, que direcionarão os animais para passagens de fauna existentes e 18 novas, recém-implantadas", afirmou Euro Varanis.

"Além do fator animal, há o fator humano: muitas vidas se perdem nesses acidentes", afirmou Gustavo Figueirôa, do Instituto SOS Pantanal. Ele reforçou que a responsabilidade pela segurança nas estradas é das agências públicas e concessionárias.

"Os pantaneiros sempre viveram em harmonia com a natureza, e a BR-262 não pode ser diferente. Hoje, ela corta o coração do Pantanal e ameaça a biodiversidade. Assim como o homem pantaneiro se adaptou, a estrada deve respeitar o fluxo das águas, da vida selvagem e das pessoas", disse Gustavo Figueirôa.

CONTADOR - BONUS

Observatório, criado em 2024, reúne seis ONGs de Mato Grosso do Sul para reduzir atropelamentos de fauna. Formado pelas ONGs, ICAS, Instituto Homem Pantaneiro, Instituto Libio, INCAB/IPE, Onçafari e SOS Pantanal, o grupo para busca fortalecer o debate público e colocar a segurança de pessoas e animais no centro das políticas de meio ambiente e transporte.

"Desde 2020, sabíamos os trechos críticos da BR-262 e apresentamos projetos às autoridades, mas nada foi feito. Por isso, criamos o Observatório Estrada Segura para Todos, para cobrar medidas de mitigação", disse Raquel Machado, fundadora do Instituto Líbio.

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