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Câncer de pele como o de Bolsonaro pode retornar em novas lesões, dizem especialistas

FolhaPress 17/09/2025 19:08

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - O carcinoma de células escamosas, como o do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), tem poucas chances de voltar quando retirado completamente. No entanto, o paciente corre mais riscos de desenvolver outros tumores semelhantes, segundo especialistas ouvidos pela Folha de S.Paulo.

Senac 16 de julho — Capa (rail)

Isso acontece porque os fatores de risco da doença não são modificáveis. Uma exposição prolongada ao sol ao longo da vida, ter uma pele clara e já ter tido câncer de pele antes são fatores que aumentam as chances de desenvolver um novo carcinoma do gênero.

O diagnóstico do ex-presidente foi constatado após exames realizados no domingo (14), de acordo com a equipe médica que fez o atendimento.

O boletim divulgado pelo hospital DF Star apontou duas lesões cutâneas com presença de carcinoma de células escamosas. Bolsonaro terá que passar por acompanhamento clínico e reavaliação periódica para verificar se novas lesões similares podem aparecer.

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Bolsonaro teve oito lesões retiradas, e em duas foi detectado o câncer, uma no braço e outra no tórax. A retirada da lesão no local é curativa, o que elimina necessidade de tratamentos adicionais, como a quimioterapia.

"Após um diagnóstico de um câncer de pele não melanoma, o paciente tem um risco de duas a cinco vezes maior de desenvolver um novo câncer de pele quando comparado à população geral", diz a médica Camila Jappour Naegele, da Oncologia D'Or, especialista em câncer de pele.

"E as estatísticas dizem que de 30% a 50% [dos pacientes] que tiveram câncer de pele podem desenvolver outra lesão nos próximos cinco anos", acrescenta.

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O carcinoma de células escamosas é um tipo de câncer pele não melanoma, tem origem na camada mais externa da epiderme e responde por 20% do total de casos de câncer de pele.

O não melanoma é o tumor de maior incidência, mas o de menor mortalidade se tratado adequadamente. O ideal é que, assim que identificado, seja tratado o quanto antes.

No caso de Bolsonaro, as lesões foram identificadas como suspeitas pelo médico em abril, quando esteve internado por uma cirurgia, e a retirada só aconteceu agora.

Quando identificado, de acordo com a dermatologista do A.C.Camargo Cancer Center Júlia Casagrande, o tumor deve ser retirado entre duas semanas e um mês depois, idealmente.

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"Esse tipo de câncer tem uma agressividade intermediária. Então, dependendo do subtipo, ele cresce significativamente em um curto período de tempo, e em questão de um mês ou dois, pode evoluir do ponto de vista clínico e de manifestação", afirma.

Em termos de recuperação pós-cirurgia, Casagrande afirma que, geralmente, dura de duas a três semanas, e o paciente fica com os pontos no período e com uma restrição para atividades físicas e que envolvem esforços maiores.

Além do resultado da análise das lesões, Bolsonaro fez uma série de exames que identificaram persistência de anemia e mudanças na função renal. Realizou também ressonância magnética para tentar identificar os motivos por trás de sintoma de tontura, mas o exame não identificou alterações graves.

Esses sintomas, no entanto, não costumam ter relação com o câncer de pele, segundo as especialistas.

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