Durante todo o mês de agosto, ações de conscientização sobre a importância do aleitamento materno ganham destaque em todo o país, como parte da campanha nacional conhecida como Agosto Dourado. O nome faz alusão ao leite materno, considerado o alimento padrão ouro para a saúde dos bebês.
Na Unidade Básica de Saúde (UBS) de São Francisco, a campanha foi marcada por uma roda de conversa com mães e profissionais de saúde para desmistificar conceitos equivocados sobre a amamentação. A ação teve participação da nutricionista Sara Moulin e da farmacêutica Fabíola Cordeiro, que esclareceram dúvidas comuns e destacaram informações importantes para o cuidado materno-infantil.
Mitos e verdades sobre o aleitamento materno
Ao longo do encontro, diversos temas foram abordados com base em evidências científicas. Confira os principais pontos explicados pelas profissionais:
“Leite materno perde a qualidade depois dos seis meses”: mito
Segundo a nutricionista Sara Moulin, o leite materno continua sendo altamente nutritivo mesmo após os seis meses de vida da criança. A partir desse período, é recomendada a introdução de alimentação complementar, mas o leite segue sendo essencial para o desenvolvimento infantil.
“Se a mãe ama o bebê de verdade, ela vai conseguir amamentar sem dificuldades”: mito
Esse é um dos julgamentos mais prejudiciais às mães, conforme destacou a farmacêutica Fabíola Cordeiro. Muitas mulheres enfrentam desafios na amamentação, como dor, baixa produção de leite ou falta de apoio emocional, sem que isso signifique falta de amor. “Essas dificuldades não invalidam o amor ou a dedicação da mãe”, reforçou.
“Criança com língua presa tem dificuldade para amamentar”: verdade
A anquiloglossia, popularmente conhecida como língua presa, pode sim dificultar a sucção, tornando a amamentação dolorosa e ineficiente. O diagnóstico deve ser feito por uma equipe multiprofissional, que poderá indicar o tratamento adequado.
“Precisa limpar a boca do recém-nascido com fralda limpa e macia após o leite”: mito
Não há necessidade de limpar a boca do bebê após a amamentação com fralda ou qualquer outro material. A prática pode ser agressiva e é desnecessária, pois a própria saliva do recém-nascido ajuda na higienização natural da boca.
“Gestantes e lactantes podem tomar o mesmo tipo de medicação”: mito
Os efeitos dos medicamentos são diferentes na gestação e na lactação. Durante a gravidez, o remédio atinge diretamente a placenta; já na amamentação, apenas uma pequena parte pode ser transferida pelo leite. Por isso, é fundamental que as mulheres consultem um médico antes de qualquer uso de medicamentos.
“Gestantes não devem praticar atividade física”: mito
A prática de atividades físicas durante a gestação é benéfica e recomendada, desde que com liberação médica. Ela auxilia na redução de dores nas costas, melhora a circulação, ajuda no controle do peso e contribui para uma recuperação mais rápida no pós-parto.
A importância do Agosto Dourado
A campanha do Agosto Dourado tem como principal objetivo promover a empatia, o acolhimento e o apoio às mães, para que se sintam seguras e informadas sobre o aleitamento. A cor dourada simboliza a excelência do leite materno, reconhecido como o melhor alimento para os primeiros anos de vida do bebê.
Além de combater a desinformação, a campanha busca engajar a sociedade na proteção e incentivo à amamentação, valorizando cada mãe em sua jornada única.
“Ao apoiar uma mãe, nutrimos não só o presente, mas também o futuro”, finalizou Sara Moulin.