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Cacique é enterrado em Brumadinho (MG) mesmo com decisão judicial contrária a cerimônia

FolhaPress 06/03/2024 15:49

BELO HORIZONTE, MG (FOLHAPRESS) - O cacique Merong Kamakã Mongoió, 36, foi enterrado na manhã desta quarta (6) na aldeia em que vivia no distrito de Casa Branca, em Brumadinho (MG).

Senac 16 de julho — Capa (rail)

Uma decisão da Justiça Federal em Minas Gerais em caráter liminar (provisório), tomada a pedido da mineradora Vale na noite desta terça (5), impedia a realização do sepultamento na área, que pertence à empresa e é reivindicada pela população indígena na região.

A decisão é da juíza Geneviève Grossi Orsi e determinava o acionamento das polícias federal e militar para cumprimento da ordem. O argumento foi de que há uma ação judicial de reintegração envolvendo a área.

As corporações estiveram na manhã desta quarta próximo à aldeia, por volta das 9h, acompanhando um oficial de Justiça, mas o cacique já havia sido enterrado, conforme o representante do Cimi (Conselheiro Indigenista Missionário), Haroldo Guilherme Correia, que está na aldeia.

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Segundo o representante do Cimi, por volta das 10h30 a PM ainda permanecia na região. Já agentes da PF teriam deixado o local. Ninguém das corporações entrou na aldeia, segundo Correia.

Segundo a Polícia Federal, a decisão judicial chegou à corporação na manhã desta quarta (6) e seria cumprida.

A Vale, em nota, disse reiterar seu pesar pelo falecimento o cacique Merong e que se solidariza com seus familiares e comunidade indígena. "A Vale respeita os povos indígenas e seus ritos de despedida e busca construir uma solução com a comunidade que preserve suas tradições, dentro da legalidade", afirma o comunicado.

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Questionada se teve conhecimento do sepultamento do cacique, a empresa afirmou que sim. A mineradora disse ainda que não pretende tomar outras medidas sobre o caso.

Merong foi encontrado morto na aldeia em que vivia em Brumadinho, no distrito de Casa Branca, na segunda (4). A Polícia Militar afirmou que o cacique cometeu suicídio. As polícias federal e civil abriram investigação.

A advogada dos indígenas, Lethicia Reis de Guimarães, disse nesta quarta pela manhã que a comunidade não havia sido notificada. O enterro estava marcado para as 10h, mas ocorreu antes.

"É uma situação conflituosa. Existe uma disputa da posse. Estamos falando de uma liderança nacional, e de uma insensibilidade muito grande num momento como esse por parte da Vale. O que choca mesmo não é a questão judicial. É o desrespeito ao luto", afirma a representante dos indígenas.

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O cacique era uma liderança indígena nacional. Estava à frente da retomada Kamakã Mongoió em Brumadinho, município com forte atuação de mineradoras.

Merong militava também em defesa dos territórios de outras comunidades, como Kaingáng, Xokleng e Guarani, de acordo com a Funai (Fundação Nacional dos Povos Indígenas).

"De acordo com a Apib (Articulação dos Povos Indígenas do Brasil), o líder indígena participou ativamente da Ocupação Lanceiros Negros, iniciativa que contribuiu com as retomadas Xokleng Konglui no município gaúcho de São Francisco de Paula, e Guarani Mbya, em Maquiné", afirma a Funai, em nota de pesar divulgada nesta terça (5).

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