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Briga em eleição ameaça tirar Camisa Verde e Branco do Carnaval 2026

FolhaPress 27/08/2025 12:27

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Uma das mais tradicionais escolas de samba de São Paulo pode ficar fora do Carnaval do ano que vem. Uma disputa relacionada com a eleição da atual diretoria foi parar na Justiça e pode tirar o Camisa Verde e Branco dos desfiles de 2026.

Senac 16 de julho — Capa (rail)

A história envolve acusações de lado a lado, questionamentos sobre veracidade de documentos e até invasões à quadra da escola.

Érica Ferro foi eleita para comandar a escola em 2022. A votação teve chapa única. Entretanto, Carlos Alberto Dias de Mello, conhecido como Xará, questiona o pleito. Ele diz que sua chapa foi impedida de participar do processo eletivo, o que é negado por ela.

Érica afirma que, na época da eleição, não sabia das intenções de Xará de disputar a presidência. Segundo ela, o pleito foi divulgado amplamente e registrado em edital. Além disso, Xará não teria ido à quadra da agremiação oficializar sua participação no prazo correto.

Já segundo Xará, a confusão começou porque a convocação para as eleições não foi divulgada ao público. Na época, diz ele, devido à falta de comunicação sobre o processo eleitoral, registrou suas intenções de concorrer a presidência da escola em cartório.

Xará afirma que tirou como base para o registro a data prevista no estatuto do Camisa.

De acordo com advogados da escola, a atual direção só tomou ciência desse registro dois anos depois, em 2024, quando houve uma notificação judicial.

No começo deste ano, a Justiça determinou que uma nova eleição deveria ser realizada e marcou o pleito para o mês de junho. Contudo, a votação não saiu do papel. Entre vários motivos, não houve acordo sobre quem teria direito a votar no pleito.

SESC PICASSO

Outro ponto de divergência ocorreu quando, também neste ano, a juíza do caso determinou que Érica deveria ser a presidente interina, em conjunto com Francisco Carlos da Costa, que foi o presidente na gestão anterior à eleição conflituosa.

Octagenário, Francisco não tem comparecido à quadra do Camisa Verde e Branco desde que a juíza tomou a decisão de incluí-lo como presidente interino. Tampouco tem participado dos eventos.

Érica foi vice-presidente na gestão de Francisco (2018-2022). Já Xará é primo dele.

Sem a assinatura de Francisco, nenhum contrato pode ser firmado, e a escola está paralisada. Não pode, por exemplo, fechar parcerias ou patrocínios.

Segundo Érica, Xará "está escondendo e manipulando [o Francisco]" para evitar que ela consiga administrar a escola. Carlos Xará nega.

A reportagem tentou várias vezes conversar com Francisco, inclusive por meio de advogados que atuam no caso, mas não conseguiu até a publicação deste texto.

Diante da falta de acordo, no dia 19 de agosto a juíza Tamara Hochgreb Matos, do Tribunal de Justiça de São Paulo, determinou que seja realizada uma audiência de conciliação na quinta (28).

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"Como derradeira tentativa de colocar alguma ordem na organização da eleição determinada e viabilizar sua efetiva realização, diante das inúmeras divergências de todas as espécies entre as partes, e para que seja estipulado como serão identificados os associados com direito a voto", diz a juíza na decisão.

Enquanto isso, o Camisa está com a produção do Carnaval parada e corre o risco de ficar fora do desfile.

O contrato entre a Liga das Escolas de Samba e as agremiações deve ser assinado em 15 de setembro. Sem uma definição sobre a presidência, a agremiação da Barra Funda, na zona oeste da capital paulista, não poderá firmar o acordo.

Caso isso ocorra, a escola ficaria, em tese, não apenas fora do desfile do Grupo Especial, mas do Carnaval. O prejuízo tende a ter reflexos nos anos seguintes pois, sem desfilar, o mais provável seria um rebaixamento.

O contrato também é base para outros acordos como, por exemplo, sobre transmissão dos desfiles, o que também significaria prejuízo financeiro.

A Folha de S.Paulo entrou em contato com a Liga e com seu presidente, Renato Remondini. A entidade respondeu que não iria comentar o caso, pois a situação ainda está em andamento na Justiça.

Membros da escola e torcedores que conversaram com a reportagem afirmam temer que o imbróglio tire o Camisa do desfile de 2026 ou que atrase os trabalhos, o que poderia dificultar as chances na disputa.

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Em maio deste ano, a escola não participou da cerimônia que escolheu a ordem dos desfiles. Com isso, a Liga determinou que o Camisa será a última agremiação a se apresentar, no sábado, 14 de fevereiro, período que a maioria das agremiações tenta evitar.

Além disso, enquanto escolas como Rosas de Ouro, Vai-Vai e Mocidade Alegre já divulgaram os seus enredos, o Camisa ainda não definiu oficialmente o tema do desfile, já que não se sabe qual diretoria vai comandar o Carnaval.

Érica Ferro afirma que, embora não tenha divulgando, já tem o Carnaval de 2026 mapeado. "Enredo pensado, pessoas que irão trabalhar na produção... Temos os trabalhos para o Carnaval de 2026 bem adiantados já, só não foi divulgado. Claro que vou ter que trabalhar muito mais agora [em razão do entrave]."

Xará não entrou em detalhes, mas afirmou que tem um plano para o Carnaval do ano que vem, caso ocorra uma eleição e ele vença. "Estamos com tudo estruturado. Entramos em contato com profissionais. Não vou divulgar, mas tenho um plano."

Nas últimas semanas, a quadra da escola foi invadida, mais de uma vez. Segundo a diretoria atual, foram retirados os assentamentos religiosos do local. A polícia foi acionada.

Nove vezes campeão do Carnaval (o último título foi em 1993), o Camisa Verde e Branco é uma das mais tradicionais escolas de São Paulo. No ano passado, terminou na quinta colocação, com um desfile sobre o Cazuza. As rodas de samba na Barra Funda são frequentadas por sambistas renomados desde a década de 1960.

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