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Brasileiros querem saúde digital, mas poucos utilizam serviços

Vitória News 24/09/2025 10:21

O Serviço Social da Indústria (SESI) divulgou nesta terça-feira (23), em São Paulo, os resultados de uma pesquisa nacional que revela o comportamento dos brasileiros diante da saúde digital. O levantamento foi apresentado durante o evento Conecta Saúde e mostra que 78% da população tem interesse em serviços como teleconsultas, agendamento online, prescrição e atestado digital. No entanto, apenas 20% afirmam já ter utilizado alguma dessas soluções em 2025.

Senac 16 de julho — Capa (rail)

O celular é a principal porta de entrada para a saúde digital: 96% dos entrevistados acessam por meio dele. Os canais mais utilizados são telefone e WhatsApp (45%), aplicativos de planos de saúde (32%) e o ConecteSUS (31%). Apesar do alcance crescente, os dados revelam que ainda há barreiras de acesso e de confiança a serem superadas.

Para Emmanuel Lacerda, superintendente de Saúde e Segurança do SESI, o avanço é irreversível. “A saúde digital amplia o acesso a serviços de qualidade, especialmente em regiões com escassez de profissionais ou infraestrutura. Ela permite atendimento mais rápido, redução de filas, monitoramento contínuo de condições de saúde e maior integração entre diferentes perspectivas do cuidado. Além disso, favorece a prevenção, ao oferecer ferramentas de autogestão e programas personalizados de bem-estar, resultando em mais qualidade de vida e produtividade”, avaliou.

SESC PICASSO

Entre 2023 e 2025, a aprovação dos serviços digitais subiu de 73% para 81% entre os usuários. A pesquisa mostra que praticidade (30%), agilidade (28%) e bom atendimento (14%) são os principais fatores que sustentam a avaliação positiva da telemedicina. Em contrapartida, a percepção de consultas superficiais (32%), falhas técnicas e dificuldades no agendamento (16%) aparecem como os pontos negativos mais citados.

Os brasileiros se interessam, em média, por dois serviços digitais. O agendamento online lidera com 57%, seguido pela teleconsulta (49%), exames integrados (33%), prescrição digital (23%) e atestado médico (18%). A inteligência artificial já participa do apoio ao diagnóstico em 10% dos atendimentos.

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O estudo também destacou casos práticos. A brasileira Roseane Silva, de 38 anos, que se mudou para Valparaíso, no Chile, em 2023, relatou que a telemedicina passou a fazer parte de sua rotina. “O que mais chama a minha atenção em relação a esse tipo de atendimento é justamente a flexibilidade, poder ser atendida na hora prevista, principalmente. Eu posso estar com mal-estar e ao agendar o serviço sei que nesse momento serei atendida, diferentemente de uma consulta presencial, que às vezes impossibilita que seja atendida no horário marcado”, contou.

Mesmo com avanços, a resistência ainda é grande entre determinados grupos. Jovens homens de 25 a 40 anos (44%), pessoas com ensino superior (51%) e renda mais alta (47%) são os que mais aceitam a telemedicina. Já entre adultos de 41 a 59 anos, 79% dizem preferir o atendimento presencial. Entre os idosos, o índice sobe para 83%.

Roseane acredita que essa realidade deve mudar com o tempo. “Acredito que quem ainda tem receio é porque precisa sentir segurança de que suas necessidades serão realmente atendidas. O tempo é sagrado. E muitas vezes a pessoa não pode se deslocar, seja pela rotina corrida ou por alguma comorbidade. Nesse sentido, a teleconsulta é uma solução prática, que atende no momento certo e contribui para melhorar a qualidade de vida”, destacou.

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O levantamento também identificou falta de informação como obstáculo central: apenas 10% afirmam conhecer bem os serviços digitais de saúde, enquanto 25% têm algum conhecimento e 63% nunca ouviram falar ou não sabem como funcionam. Mesmo assim, 56% acreditam que o digital facilita o acesso.

Para Lacerda, os desafios vão além da tecnologia. “Os principais desafios envolvem a redução das desigualdades de acesso à internet e a dispositivos digitais, que ainda persistem em diversas regiões, a harmonização de marcos regulatórios que garantam a sustentabilidade do ecossistema e o engajamento de usuários, empresas e profissionais de saúde em uma mudança cultural, na qual o digital seja compreendido como um complemento, e não um substituto, do cuidado presencial”, destacou.

O Conecta Saúde, promovido pelo Movimento Empresarial pela Saúde (MES), iniciativa do SESI e da Confederação Nacional da Indústria (CNI), reuniu especialistas e gestores para discutir tendências e soluções capazes de fortalecer o ecossistema da saúde digital e ampliar o acesso da população a serviços de qualidade.

Fonte: Br61

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