O Brasil segue em trajetória de redução da fecundidade e de postergação da maternidade, segundo dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) na sexta-feira, 27 de junho de 2025. A pesquisa, que considera mulheres de 15 a 49 anos, revela queda contínua da taxa de fecundidade total – número médio de filhos por mulher em idade reprodutiva – e aumento da idade média ao ter o primeiro filho.
Queda histórica da taxa de fecundidade
Em 2022, a taxa de fecundidade no país atingiu 1,55 filhos por mulher, menor patamar já registrado na série histórica do IBGE. Trata-se de uma queda acentuada em relação à década de 1960, quando a média era de 6,28 filhos. Confira a evolução:
| Período | Taxa de fecundidade total (filhos por mulher) |
|---|---|
| 1960 | 6,28 |
| 1970 | 5,76 |
| 1980 | 4,35 |
| 1991 | 2,89 |
| 2000 | 2,38 |
| 2010 | 1,90 |
| 2022 | 1,55 |
Desde 2010, a taxa brasileira se mantém abaixo da chamada taxa de reposição populacional (2,1 filhos por mulher), indispensável para manter o tamanho atual da população.
“A componente de fecundidade é muito importante para analisar a evolução demográfica de uma população. O ritmo de crescimento, as transformações na pirâmide etária e o envelhecimento populacional estão diretamente relacionados ao número de nascimentos”, explica a pesquisadora do IBGE Marla Barroso.
Diferenças regionais
A transição demográfica teve início na década de 1960 nas regiões Sudeste, em grupos urbanos e com maior escolaridade, expandindo-se gradativamente ao restante do país. Em 2022, as taxas regionais ficaram abaixo da média nacional em quase todas as unidades:
| Região | 1960 | 1970 | 1980 | 1991 | 2000 | 2010 | 2022 |
|---|---|---|---|---|---|---|---|
| Sudeste | 6,34 | 4,56 | 3,45 | 2,36 | 2,10 | 1,82 | 1,41 |
| Sul | 5,89 | 5,42 | 2,90 | 2,51 | 2,10 | 1,73 | 1,50 |
| Centro-Oeste | 6,74 | 6,42 | 3,12 | 2,69 | 2,30 | 1,89 | 1,64 |
| Norte | 8,56 | 8,15 | 6,45 | 3,45 | 2,47 | 2,21 | 1,89 |
| Nordeste | 7,39 | 7,53 | 6,13 | 3,12 | 2,69 | 2,15 | 1,60 |
Entre os estados, apenas Roraima manteve taxa acima da reposição (2,19), seguida por Amazonas (2,08) e Acre (1,90). Os menores índices foram observados no Rio de Janeiro (1,35), Distrito Federal (1,38) e São Paulo (1,39).
Maternidade adiada e mulheres sem filhos
A idade média ao dar à luz subiu de 26,3 anos, em 2000, para 28,1 anos, em 2022. No Distrito Federal, a média atingiu 29,3 anos; no Pará, ficou em 26,8 anos.
Além disso, cresce o percentual de mulheres que encerram a vida reprodutiva sem filhos:
Em 2000, eram 10%;
Em 2010, 11,8%;
Em 2022, 16,1%.
No Sudeste, o índice passou de 11% para 18%; no Norte, de 6,1% para 13,9%. O Rio de Janeiro lidera entre os estados, com 21% de mulheres de 50 a 59 anos sem filhos, enquanto Tocantins tem o menor percentual (11,8%).
Influência de religião, raça e escolaridade
O Censo também mapeou fecundidade por filiação religiosa, cor/raça e escolaridade:
Religião: evangélicas aparecem com a maior taxa (1,74); espíritas (1,01) e seguidoras de umbanda/candomblé (1,25) têm os menores índices.
Raça/cor: indígenas mantêm 2,8 filhos por mulher; pretas (1,6) e pardas (1,7) estão acima da média; brancas (1,4) e amarelas (1,2) abaixo.
Escolaridade: mulheres sem instrução ou com ensino fundamental incompleto têm 2,01 filhos, enquanto quem concluiu o ensino superior registra 1,19.
“A mulher com mais escolaridade, com mais informação, sabe melhor onde procurar métodos contraceptivos, se assim quiser. Ela vai saber fazer suas escolhas de uma forma melhor”, avalia Izabel Marri, gerente de Estudos e Análises da Dinâmica Demográfica do IBGE.