Crianças e adolescentes representam 77% das vítimas, enquanto estados da Amazônia Legal aparecem entre os territórios com as maiores taxas do país
O Brasil registrou 84.388 casos de violência sexual em 2025, sendo 19.398 ocorrências de estupro e 64.990 de estupro de vulnerável. Os dados revelam que crianças, adolescentes, meninas e mulheres continuam sendo atingidos de forma desproporcional por esse tipo de crime.
As vítimas do sexo feminino representaram nove em cada dez registros. Considerando apenas as mulheres, as taxas chegaram a 16,5 casos de estupro e 51,3 ocorrências de estupro de vulnerável para cada grupo de 100 mil habitantes do sexo feminino.
Os estados da Amazônia Legal ocupam sete das dez primeiras posições entre as maiores taxas de estupro e estupro de vulnerável do país. Roraima liderou o ranking nacional, com 127,1 casos para cada 100 mil habitantes. Rondônia apareceu em segundo lugar, com 97,1, seguida por Acre, com 96,6, e Amapá, com 89,6.
Mato Grosso do Sul, Tocantins, Pará, Mato Grosso, Paraná e Santa Catarina completaram a relação das dez unidades da Federação com os índices mais elevados. Na outra ponta, o Ceará apresentou a menor taxa do país, com 20,6 casos para cada 100 mil habitantes, seguido por Minas Gerais, com 26,8, e Pernambuco, com 27,7.
Na comparação com 2024, houve redução dos registros em 21 das 27 unidades da Federação. Rio Grande do Norte, Rio de Janeiro, Pará, Amazonas, Paraíba e Maranhão apresentaram aumento. O maior avanço foi registrado no Maranhão, onde o número de ocorrências cresceu 19,5%.
Entre os municípios com mais de 100 mil habitantes, Boa Vista, em Roraima, apresentou a maior taxa de violência sexual, com 110,8 casos para cada 100 mil moradores. Ariquemes, em Rondônia, ficou na segunda posição, com 102,6.
Também aparecem entre os dez municípios com maiores taxas Sinop, Porto Velho, Abaetetuba, Dourados, Araucária, Itaituba, Rio Branco e Macapá. Quatro capitais integram a lista: Boa Vista, Porto Velho, Rio Branco e Macapá.
A presença das capitais entre os maiores índices pode estar relacionada à concentração de registros e à atuação dessas cidades como polos regionais de atendimento especializado e recebimento de denúncias.
Os casos de estupro de vulnerável corresponderam a 77% de todas as ocorrências de violência sexual registradas em 2025. A taxa foi de 30,5 casos para cada 100 mil habitantes, enquanto a de estupro ficou em 9,1.
Nos registros de estupro, mulheres representaram 93,3% das vítimas, enquanto homens corresponderam a 6,7%. Nos casos envolvendo vítimas vulneráveis, meninas e adolescentes do sexo feminino somaram 85,6% das ocorrências, ante 14,4% de vítimas masculinas.
O levantamento alerta que a menor proporção de registros envolvendo homens e meninos não significa ausência de violência contra esse grupo. A subnotificação pode ser influenciada pelo estigma, pela vergonha e por padrões sociais relacionados à masculinidade.
Entre as vítimas masculinas identificadas, predominam crianças e adolescentes. A participação de meninos nos registros de estupro de vulnerável é aproximadamente duas vezes maior do que nos demais casos de estupro.
O Anuário Brasileiro de Segurança Pública reúne informações fornecidas pelas secretarias estaduais de segurança, pelas polícias Civil, Militar e Federal e por outros órgãos oficiais. O levantamento busca acompanhar a evolução da criminalidade, apoiar a avaliação de políticas públicas e ampliar o debate sobre a segurança no país.