Estado aparece em sexto lugar, com 1.254,7 registros por 100 mil habitantes; fraudes envolvendo Pix, WhatsApp e falsas centrais bancárias estão entre as mais comuns
O Brasil registrou 2.261.055 ocorrências de estelionato em 2025, incluindo crimes tradicionais e fraudes praticadas em ambientes digitais. Os dados são do Anuário Brasileiro de Segurança Pública.
O Espírito Santo aparece entre as unidades da Federação com as maiores taxas do país. Foram 1.254,7 registros para cada grupo de 100 mil habitantes, o sexto maior índice nacional.
São Paulo lidera o levantamento, com 1.808,3 ocorrências por 100 mil habitantes, seguido pelo Distrito Federal, que registrou taxa de 1.717.
| Unidade da Federação | Registros por 100 mil habitantes |
|---|---|
| São Paulo | 1.808,3 |
| Distrito Federal | 1.717,0 |
| Paraná | 1.339,1 |
| Rondônia | 1.329,6 |
| Santa Catarina | 1.294,8 |
| Espírito Santo | 1.254,7 |
| Goiás | 1.075,6 |
Entre os golpes mais frequentes estão a clonagem ou troca de cartões de crédito, pedidos falsos de dinheiro pelo WhatsApp, ligações de supostas centrais bancárias, anúncios de lojas e leilões inexistentes e fraudes realizadas por meio do Pix.
O estelionato está previsto no artigo 171 do Código Penal. Desde 2021, a legislação também contempla especificamente as fraudes eletrônicas, cometidas com o uso de redes sociais, aplicativos, telefonemas, mensagens e outros meios digitais.
Em todo o país, a taxa chegou a 1.059,43 ocorrências por 100 mil habitantes. Segundo o levantamento, o índice brasileiro é aproximadamente 20% superior ao registrado nos Estados Unidos, que apresentam taxa de 882,83 casos no mesmo recorte populacional.
O anuário aponta que a distribuição dos registros pode estar relacionada ao grau de bancarização, urbanização e conectividade digital de cada estado. Regiões com maior circulação de transações eletrônicas tendem a oferecer mais oportunidades para a atuação de criminosos.
Os números, no entanto, devem ser analisados com cautela. Estados que possuem delegacias especializadas, canais digitais de denúncia e maior confiança da população no sistema de segurança podem apresentar mais registros, sem que isso signifique necessariamente uma quantidade proporcionalmente maior de crimes.
A subnotificação também preocupa. Uma pesquisa realizada pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública em março de 2026 indicou que 15,8% da população com 16 anos ou mais havia sido vítima de golpe ou perdido dinheiro por meio da internet ou do celular no período de um ano.
O percentual corresponde a aproximadamente 26,3 milhões de pessoas, número muito superior ao total de ocorrências formalmente comunicadas às autoridades policiais.
Investigações citadas pelo anuário mostram ainda que facções criminosas passaram a manter estruturas especializadas em fraudes digitais. Esses grupos funcionariam como verdadeiros “escritórios do crime”, com divisão de tarefas, financiamento e capacidade de movimentar recursos pelo sistema financeiro.
O cenário indica que os golpes digitais deixaram de ser apenas ações isoladas e passaram a integrar uma atividade criminosa organizada, considerada de alta rentabilidade e menor risco quando comparada a outros delitos.