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Boulos lamenta falta de punição na tragédia de Mariana e crítica ausência de Zema em evento

FolhaPress 05/11/2025 19:38

BELO HORIZONTE, MG (FOLHAPRESS) - O ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Guilherme Boulos, afirmou que a tragédia de Mariana (MG), que completa dez anos nesta quarta-feira (5), não foi um desastre, mas um crime e também lamentou a falta de punição aos envolvidos.

Senac 16 de julho — Capa (rail)

Boulos e a ministra Macaé Evaristo (Direitos Humanos e Cidadania) participaram de manifestação do Movimento e Atingidos por Barragens (MAB) na Assembleia Legislativa de Minas Gerais, em Belo Horizonte.

Esta foi a primeira viagem do psolista desde que assumiu o cargo, na última semana.

"Desastre é algo que é inevitável, por causas naturais, ali não. Ali foi um crime cometido pela Samarco. E o crime demanda reparação", afirmou.

Procurada, a mineradora disse que não irá comentar.

O ministro também lamentou a absolvição de todos os réus denunciados pelo episódio.

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Em novembro do ano passado, a Justiça Federal absolveu a mineradora Samarco e suas controladoras, Vale e BHP, além de outros sete réus pelo rompimento da barragem de Fundão, que causou a morte de 19 pessoas.

O argumento utilizado na decisão foi a "ausência de provas suficientes para estabelecer a responsabilidade criminal". O Ministério Público Federal recorreu da decisão.

"É lamentável que quem cometa um crime dessa dimensão não seja punido. Demorar dez anos e ainda o resultado ser uma absolvição completa dessas pessoas não é razoável, porque quando você deixa um crime impune e sem reparação, isso é um convite pra reincidência", disse o ministro.

Boulos também aproveitou a ocasião para destacar a ausência do governador Romeu Zema (Novo), pré-candidato à Presidência, na data que marca os dez anos da tragédia.

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"Eu só lamento que numa data tão importante para o povo mineiro, tão simbólica, o governador não esteja aqui. O governador esteja novamente em viagem para o exterior. Porque não foram danos, não foram 19 vítimas, pura e simplesmente. Foram comunidades desterritorializadas, danos ambientais que persistem até hoje".

Procurado, o Governo de Minas afirmou que não realiza eventos nas cidades nos dias das tragédias de Brumadinho e de Mariana "por entender que é um momento de luto e reflexão das famílias e comunidades".

A gestão disse que a superintendência que acompanha o cumprimento das ações de reparação participa de solenidade em Mariana a convite da comunidade.

Zema não está em viagem ao exterior, mas cumpre compromissos nesta quarta no Rio de Janeiro, conforme agenda oficial.

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Em uma delas, ele irá se reunir com Rodrigo Pimentel, ex-capitão do Bope e idealizador do filme "Tropa de Elite". O governador tem criticado de forma reiterada as políticas de segurança pública do governo Lula (PT) como forma de alavancar sua pré-candidatura à Presidência.

Já a ministra Macaé Evaristo, que é mineira, afirmou que as tragédias de Mariana e de Brumadinho devem ser relembradas para que não sejam repetidas.

"Muitos desses crimes começam quando se autoriza o funcionamento desse tipo de empreendimento. A gente precisa avançar do ponto de vista da legislação e temos projetos de lei tramitando que tratam disso, do licenciamento, quais as condicionalidades, o que precisa ter para que a gente não permita que isso se repita", afirmou a ministra.

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