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Bienal do Livro tem lotação e euforia com Itamar Vieira Junior e Conceição Evaristo

FolhaPress 19/06/2025 19:50

RIO DE JANEIRO, RJ (FOLHAPRESS) - O feriado de Corpus Christi foi de corredores lotados nesta quinta-feira de Bienal do Livro, no Rio de Janeiro. Com a presença de autores nacionais para lá de celebrados, como Conceição Evaristo, Raphael Montes e Itamar Vieira Junior, a feira literária teve filas e debates com lotação máxima.

Senac 16 de julho — Capa (rail)

A organização da Bienal só vai divulgar números sobre público no domingo (22), último dia de evento. Mas a percepção de quem tem trabalhado no local, como vendedores, produtores de eventos e distribuidores de água, é que a quinta deve terminar como o dia mais cheio.

O público era mais adulto. Os passeios escolares quase não aconteceram, por ser feriado —é parte da maior relevância, já que a Bienal calcula que 130 mil estudantes da rede pública devem visitar esta edição.

SESC PICASSO

Passar pelos corredores dos quatro pavilhões foi um desafio para alguns presentes. "A bengala normalmente ajuda a abrir espaço, mas aqui estou perdendo", brinca a empresária Maria de Lourdes Medeiros, 64, que passou o dia com a família na Bienal. "As pessoas passam distraídas, olhando para cima. É muita coisa acontecendo ao mesmo tempo."

Longas filas foram formadas para entrar nas editoras mais badaladas, como a Rocco e HarperCollins. Também teve fila para ser fotografado nas cabines instagramáveis das editoras e empresas como TikTok.

Até a lateral do pavilhão 4, normalmente mais vazia —lá ficam estantes do Exército, do Senado e do Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação, teve seu momento de ocupação com a presença do presidente do Supremo Tribunal Federal, Luis Roberto Barroso, que lançou livro no estande do Sindicato Nacional dos Editores de Livros.

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Às 14h, a mesa com a escritora Conceição Evaristo ficou abarrotada. Dentro do Café Literário Pólen, havia cadeiras e arquibancadas totalmente ocupadas, com gente em pé. Fora, pessoas se apertavam para vê-la através do espelho e tentavam acompanhar qualquer filete de som vindo dos televisores.

Na mesa com a escritora sul-africana Zukiswa Wanner e a cubana Teresa Cárdenas, com mediação da jornalista Yasmin Santos, a conversa enveredou para os caminhos de resistência dos povos africanos diaspóricos na língua e na escrita dos países onde aportaram.

"Os povos africanos da diáspora conseguiram modificar um dos maiores bens simbólicos de uma nação, que é a língua. Isso põe a literatura em contato direto com a oralidade, e a minha literatura tem origem na oralidade", disse Evaristo.

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Num palco em outro pavilhão, no mesmo horário, o autor Itamar Vieira Junior foi outro a causar frisson no público, que acompanhou uma conversa que esmiuçou a história do sucesso "Torto Arado".

Raphael Montes, outro fenômeno de vendas, foi saudado com gritos e aplausos em outro debate. Seus fãs ocuparam os corredores ao redor do espaço TikTok, onde ocorreu a conversa sobre o que levou o autor a gostar de literatura policial. No caso dele, segundo disse, foi a novela.

"Conheci literatura policial por 'A Próxima Vítima', e não pela Agatha Christie", contou, em papo com o ator Mateus Solano. "Era um jovem suburbano que não ia no cinema, no teatro e não tinha livros em casa. A primeira coisa que consumi na vida foi novela".

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