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Belém tem 'zona da cerveja' e aparelhagem em rotina de festas durante COP30

FolhaPress 15/11/2025 19:37

BELÉM, PA (FOLHAPRESS) - Eram 2h da terça-feira (11) em Belém quando o DJ Silvinho do Carabao dava boas-vindas à "galera da COP30" entre uma música de brega e outra no Palácio dos Bares, casa de show tradicional da capital paraense.

Senac 16 de julho — Capa (rail)

Ao lado da cantora Gaby Amarantos, em um palco em forma de búfalo, Silvinho foi aplaudido ao falar que apresentaria a cultura do rock doido a "pessoas de outros países".

No evento, logo após o primeiro dia da cúpula da ONU sobre mudanças climáticas, era possível tirar fotos reveladas com a moldura "COP30 do Palácio dos Bares 2025". A área de camarotes tinha sido reservada para um grupo de participantes da conferência.

A aparelhagem do Carabao, uma das mais conhecidas de Belém, estava na programação da "agenda oficial e colaborativa da sociedade civil com rolês culturais e festas por Belém durante a COP30" --uma iniciativa da "beer zone", ou zona da cerveja, em referência às zonas azul e verde da cúpula.

Na agenda foram divulgados mais de 60 eventos entre a semana da Cúpula de Líderes, que antecedeu a COP30, e a semana de encerramento da conferência. Há festas para todos os dias, algumas delas tradicionais da cidade, como o carimbó na Feira do Açaí.

SESC PICASSO

Os participantes da COP30 tiveram a opção de ir à Lambateria, na Casa Apoena, na quarta-feira (12), por exemplo. A festa já popular na cidade reúne músicas de carimbó, lambada, guitarrada, cumbia, merengue e brega. Nos grupos que divulgam eventos, com mais de 3.000 pessoas, esse foi apontado como o melhor da noite, com avisos para chegar cedo.

Entre o público era possível distinguir os belenenses dançando na pista dos turistas que tentavam aprender um passo ou outro. Belém recebeu o título de Capital Mundial do Brega, concedido pela ONU Turismo, em maio.

Discussão climática em forma de festa

Outros eventos que lotam as noites em Belém foram pensados exclusivamente para o período da conferência e tentam unir parte da discussão climática às festas.

É o caso do show de Layse e As Sinceras, banda local que toca músicas populares do brega e da amazônia. A apresentação encerrou o lançamento do relatório "Sem Moradia Digna, Não Há Justiça Climática", da organização Habitat para a Humanidade Brasil.

Na quinta-feira (13), uma programação do Mutirão da COP30, mobilização da presidência brasileira do evento, incluiu outra aparelhagem famosa de Belém, o Crocodilo. A coordenadora da participação da juventude na cúpula, Marcele Oliveira, estava presente.

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Em meio ao público havia pessoas vestidas de terno, com crachás da zona azul e até malas. O boato era de que todos os delegados da COP estariam no evento.

"A festa, para além de ser divertida e para desanuviar a gente, é um espaço em que você também consegue encontrar um negociador, uma pessoa importante, e conversar com ela de um jeito mais tranquilo", disse Isvilaine Silva, assessora de mobilização e engajamento no Observatório do Clima, na festa do Crocodilo.

Ela esteve em todas as COPs desde a que aconteceu em Glasgow, na Escócia, em 2021. Afirma que a de Belém é a conferência do clima com mais festas. Nos anos anteriores, segundo ela, havia ao menos um evento feito pelas ONGs, organizado pela CAN (Climate Action Network), mas a festa foi suspensa após o início da guerra Israel-Hamas, em um ato de consideração.

"Mas aqui em Belém a gente falou assim: 'Precisa ter uma festa, porque aqui é o Brasil, e é assim que a gente negocia as coisas, assim que a gente faz as coisas'", disse Isvilaine, que decidia o próximo destino após o "Mutirão Tudão Crocodilo".

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Uma das possibilidades para continuar a noite era assistir a banda Fruto Sensual, considerada "a rainha das aparelhagens". "Enquanto líderes globais negociam soluções, a Freezone Cultural Action nasce como espaço complementar onde a sociedade se conecta ao debate climático através da cultura", explica a iniciativa do Instituto Cultural Artô.

Outra opção era assistir o tradicional carimbó na Feira do Açaí. Belenenses, ambientalistas do Brasil e de fora do país, indígenas, negociadores, vereadores e deputados federais se encontravam entre os bares da feira ao som de "Saudade", música nostálgica da aparelhagem, e do carimbó na ladeira.

Thiago Nascimento, diretor executivo do Instituto Decodifica, diz que entre as COPs que participou, a que mais lembrou o cenário atual em Belém foi a COP da Biodiversidade, em Cali, na Colômbia. Apesar de em proporção menor, explica, também havia shows na zona verde e outras manifestações culturais.

"Esse formato de participação social mais ativa, interseccionando com a cultura do país, é uma riqueza brasileira para construir a pauta", disse.

O discurso de quem aproveita tanto as festas quanto o debate climático lembra o da organização da COP30, que divulgou a conferência no Brasil como a "COP do Povo" devido à maior participação social. Pelo menos nas festas, até agora, ninguém faltou.

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