Quarta-feira, 16 de Setembro de 2026 | 09h18m
Vitória News — Um jornal de verdade
Geral

Baleado morre em hospital e Operação Verão soma 39 mortos pela PM em operações na Baixada Santista

FolhaPress 01/03/2024 19:40

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Um homem que estava internado desde a noite de terça-feira (27), depois de suposto confronto com a Polícia Militar em São Vicente, na Baixada Santista, morreu nesta quinta-feira (29), de acordo com a SSP (Secretaria da Segurança Pública). O jovem de 24 anos havia sido baleado e estava no pronto-socorro do Hospital do Vicentino.

Senac 16 de julho — Capa (rail)

Com isso, chega a 39 o total de mortos na Operação Verão, na Baixada Santista, iniciada após a morte do soldado da Rota Samuel Wesley Cosmo, 35, no dia 2 de fevereiro.

"Até o momento, 39 pessoas morreram em confronto com a polícia, entre elas o líder de uma facção criminosa envolvida com o tráfico internacional de drogas, lavagem de dinheiro, tribunal do crime e atentado contra agentes públicos", afirmou a SSP em nota.

Segundo a PM, os agentes faziam operação contra o tráfico de drogas no Jardim Rio Branco, em São Vicente, na última terça, quando foram surpreendidos por pessoas armadas em área de mata. Houve confronto e cinco suspeitos, de acordo com a polícia, foram atingidos. Quatro deles morreram no mesmo dia. Já o jovem que foi socorrido acabou morrendo nesta terça.

Além dele, os outros mortos na ação de terça são dois homens de 18 e 31 anos e dois adolescentes de 17 anos.

Um sexto suspeito foi detido e encaminhado para a delegacia. Ele foi liberado depois de relatar que estava no local para comprar drogas, quando foi surpreendido pela troca de tiros e se escondeu na mata.

SESC PICASSO

Com o grupo, ainda de acordo com a PM, foram apreendidos dois revólveres calibre 38 e uma pistola .40, além de porções de drogas, dinheiro e celulares.

O caso foi registrado como tráfico de drogas, posse ou porte ilegal de arma de fogo, resistência e morte decorrente de intervenção policial na Delegacia Sede de São Vicente. Segundo a pasta da segurança, os fatos serão investigados pelas polícias Civil e Militar, com acompanhamento do Ministério Público e do Poder Judiciário.

A quantidade de óbitos torna a Operação Verão 2024 a segunda ação mais letal da história de São Paulo, atrás apenas do massacre do Carandiru, quando 111 homens foram mortos durante a invasão da Casa de Detenção, em 2 de outubro de 1992.

O número de mortes desde o dia 3 de fevereiro já é superior ao de 40 dias de Operação Escudo, realizada na mesma região entre 28 de julho a 5 de setembro, quando 28 pessoas foram mortas após o assassinato do também soldado da Rota Patrick Bastos Reis, 30. O PM foi baleado em uma via na periferia de Guarujá na noite de 27 de julho. Assim como Cosmo, Reis também estava em serviço ao ser atingido.

CONTADOR - BONUS

Segundo Gustavo Scandelari, doutor em direito e especialista em Direito Penal e Criminologia pela Universidade Federal do Paraná (UFPR), essas operações mais recentes permitem comparação entre o número de mortes, por ser alto, mas ele destaca que cada uma tem características únicas que as diferencia.

"A dinâmica da ação policial é que permite fazer a diferença entre as operações", diz Scandelari.

Em relação às denúncias de abuso e violência policial nas ações, feitas por familiares das vítimas e testemunhas, Scandelari afirma que, no julgamento, a palavra do policial tem mais peso que a do cidadão.

"A jurisprudência mostra que a palavra do policial tem mais peso. Assim, na questão das provas é que as operações tendem a se distanciar. Se tem um vídeo, foto ou o número de testemunhas contra os policiais é muito grande, isso muda de figura", diz o especialista.

"A questão da grande letalidade poderia ser adequadamente combatida pelo uso de câmeras corporais. Deveria ter uma lei federal obrigando o uso desse equipamento. Claro que tem muita coisa envolvida, como o custo, mas ajudaria a resolver o problema."

Anuncio - Raimundo - Bonus

Mesmo com nomes diferentes (Verão e Escudo), as investidas dos policiais são semelhantes: ocorrem principalmente nas periferias das cidades de Santos, São Vicente e Guarujá e contam com a presença de praças e oficiais lotados na capital, por exemplo, da Rota e do 3º Batalhão de Choque, com sede na Vila Maria (zona norte).

O tipo de material apreendido e apresentado pelos policiais também são comuns às duas operações -armas, drogas e rádios comunicadores.

Na segunda-feira, o secretário da Segurança Pública, Guilherme Derrite, afirmou que a operação vai continuar, apesar de críticas.

"As pessoas nunca foram lá e não conhecem a realidade", afirmou o secretário em entrevista à rede Jovem Pan.

Em nota, a SSP disse que as forças de segurança do estado são instituições legalistas que atuam no estrito cumprimento do seu dever constitucional. As corregedorias estão à disposição para formalizar e apurar toda e qualquer denúncia contra agentes públicos, reafirmando o compromisso com a legalidade, os direitos humanos e a transparência.

"Todos os casos de mortes em confronto são rigorosamente investigados pela Polícia Civil e Militar, com acompanhamento do Ministério Público e Poder Judiciário", afirma a secretaria.

Compartilhe esta notícia

Notícias Relacionadas