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Ato critica apreensão de mototáxi por app em SP

FolhaPress 21/01/2025 15:47

SÃO PAULO, SP (UOL/FOLHAPRESS) - Cerca de 50 motociclistas participaram de ato em defesa da liberação de corridas de mototáxi por aplicativo. O grupo saiu da Praça Charles Miller, no Pacaembu, e foi até a sede da Prefeitura de São Paulo, na região central.

Senac 16 de julho — Capa (rail)

Ato foi convocado após o aumento das blitz e apreensões de motos por GCMs e agentes de trânsito da prefeitura nos últimos cinco dias. Segundo eles, as batidas aumentaram desde que a administração da cidade entrou na Justiça para proibir o serviço de transporte a duas rodas na capital.

"A gente entende que existe uma burocracia que as empresas precisam cumprir, mas não podemos pagar esse preço por elas. Apreender a moto do trabalhador é uma covardia", diz um dos organizadores do ato, Junior Freitas, 42, motoboy há 22 anos.

"O senhor está chamando a gente de assassinos, mas assassino é o senhor, que está nos fazendo passar fome e aprendendo as nossas motos", disse João Henrique, motoboy há mais de 20 anos.

SESC PICASSO

99 pediu para suspender as blitze na capital e continuar prestando serviço até o julgamento da ação. No recurso, a empresa alegou que o decreto municipal contradiz a política de mobilidade urbana nacional, dizendo ser "ilegal e inconstitucional".

Na última semana, a prefeitura entrou com processo contra a 99 para impedir o serviço de transporte por moto, e Justiça de SP declarou que plataforma é ilegal. Enquanto isso, a 99 processa a prefeitura pelo direito de oferecer a opção de transporte, argumentando que a lei federal prevalece e mantendo o serviço ativo.

Pedido foi negado ontem (20), com base na Constituição Federal. O desembargador Eduardo Gouvêa, da 7ª Câmara de Direito Público, disse que a Constituição Federal dá autonomia aos municípios para legislar sobre assuntos locais.

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99 critica e lamenta a decisão do desembargador, em nota divulgada à imprensa. "Assim, segue valendo a decisão de primeira instância, que, conforme esclarecido pelo próprio juiz, não suspendeu a funcionalidade 99Moto. Por isso, o serviço continuará operando. O transporte privado por motocicleta permanece respaldado pela legislação federal e os municípios não têm competência para proibi-lo, conforme já decidido pelo STF e reconhecido por cerca de 20 decisões judiciais de todo o Brasil", diz a nota.

Decreto 62.144/2023 suspende mototáxi e moto via aplicativo na cidade de São Paulo. O prefeito Ricardo Nunes (MDB) assinou o termo assim que Uber e 99 estrearam na cidade, e vetou a modalidade. Na época, administração dizia que liberação causaria grande "impacto no sistema público de saúde". Em 2023, 365 motociclistas morreram na cidade.

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99 argumenta que serviço de transporte de moto por aplicativo está previsto na lei federal 15.587/2012. Regramento é o mesmo que permite que a plataforma funcione em mais de 3.000 cidades.

Motocicletas apreendidas. Desde o dia 15, a prefeitura afirmou que 143 motocicletas foram apreendidas.

MOTOTÁXI X MOTO VIA APLICATIVO

Ainda que no fim sejam modalidades parecidas, são coisas distintas. Mototáxi é literalmente uma versão de táxi em moto e é regulado por lei municipal. Então, veículos podem ter placa vermelha, devem seguir uma série de itens de segurança e os condutores são submetidos a treinamentos e podem ter ponto fixo para apanhar passageiros.

O transporte de passageiros por moto via app é como o UberX ou 99pop, só que para motos. A modalidade é regulamentada por lei federal. Condutores são autônomos e têm alguns requisitos para seguir (como ter carta e moto de até determinado ano), além de usarem capacete e estarem ligados a uma plataforma, como 99, Uber ou InDrive.

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