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Arma de brinquedo em assalto também dá cadeia, e pena pode até ser maior

FolhaPress 25/03/2025 16:20

Um homem foi morto ao tentar assaltar PM com arma de brinquedo, ontem, na Grande São Paulo. Mesmo sem poder de fogo, simulacro configura grave ameaça e pode agravar a pena, explicam especialistas em direito penal.

Senac 16 de julho — Capa (rail)

Simulacros são tratados como armas reais para fins penais. Segundo a criminalista Vanessa Avellar Fernandez, especialista em direito penal, o uso de arma de brinquedo durante um assalto configura "grave ameaça" -elemento suficiente para caracterizar o crime de roubo. "A vítima não tem como saber se a arma é verdadeira ou não. O trauma é o mesmo. Por isso, a responsabilização penal é idêntica à de uma arma real", afirma.

A pena pode ser igual ou até maior, dependendo do caso. "O fato de ser simulacro não atenua a pena. Pelo contrário, pode agravá-la se houver consequências à vítima, como um ataque cardíaco ou abalo psicológico grave", explica Fernandez. Ela destaca que o STJ já firmou entendimento em recursos repetitivos de que o simulacro integra a grave ameaça do artigo 157 do Código Penal e, por isso, não admite substituição da pena por medidas alternativas, como prestação de serviços.

O impacto psicológico pesa na decisão judicial. O advogado criminalista Carlos Dantas Filho reforça que, mesmo sendo inofensivo, na prática, o simulacro pode ser interpretado como ameaça de morte ou lesão. "A jurisprudência considera o efeito intimidatório equivalente ao de uma arma de fogo verdadeira", diz. A pena para roubo com uso de arma ou simulacro é de quatro a dez anos, mais multa.

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Tentativa de roubo com simulacro também configura crime. Segundo os especialistas, mesmo que o autor do crime não leve nenhum bem da vítima, o uso de grave ameaça já é suficiente para caracterizar a tentativa de roubo -com possibilidade de redução da pena. "Se ele não consumou o roubo por motivos alheios à sua vontade, a pena é menor, mas o crime permanece. O simulacro, nesse ponto, não muda nada", explica Fernandez. Dantas complementa: "A tentativa recebe uma redução de um terço a dois terços da pena do roubo consumado".

Homem foi morto por policial militar após anunciar assalto com arma de brinquedo. O caso ocorreu na madrugada de ontem, em São Bernardo do Campo (SP), quando o homem de 55 anos tentou roubar outro que, sem saber, era um PM fora de serviço. As identidades dos envolvidos não foram reveladas.

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Cena foi flagrada por câmeras de segurança. Nas imagens, o homem se aproxima do policial, o agente recua, saca a arma e efetua ao menos dez disparos. O homem cai próximo a um carro estacionado, e o policial realiza novos tiros fora do campo da câmera. O homem morreu após ser socorrido pelo Samu. Segundo a SSP-SP, o objeto usado para o assalto era um simulacro de arma de fogo. O caso foi registrado como tentativa de roubo e legítima defesa no 1º Distrito Policial de São Bernardo.

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