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Araras-azuis sobrevoam ninhos devastados por incêndios no pantanal; veja vídeo

FolhaPress 10/08/2024 09:04

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Os incêndios que se espalham pelo pantanal atingiram dois refúgios ecológicos de araras-azuis (Anodorhynchus hyacinthinus) --um localizado na Estância Caiman, em Miranda, em Mato Grosso do Sul, e outro na fazenda São Francisco do Perigara, em Barão de Melgaço, em Mato Grosso.

Senac 16 de julho — Capa (rail)

Ambos os refúgios são administrados pelo Instituto Arara Azul. Na Caiman, onde funciona um centro de reprodução natural, a ONG disse que o fogo destruiu mais de cem ninhos e as principais fontes de alimentos dessas aves, que estão ameaçadas de extinção.

Nesta quinta-feira (8), quando a chuva amenizou incêndios no bioma, colaboradores da ONG registraram em fotos e vídeos a devastação do ambiente. Em um dos vídeos, duas araras-azuis sobrevoam árvores onde ficavam alguns de seus ninhos (assista ao vídeo acima).

Bióloga e presidente do Instituto Arara Azul, Neiva Guedes, que atua há 30 anos com pesquisa científica das aves na Caiman, conta que o local era a principal base do grupo, justamente por não ter sido atingido em outras temporadas de fogo no bioma.

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"O centro de reprodução natural foi quase todo devastado. Era o nosso grande laboratório vivo para reprodução. Nós tínhamos, desde a década de 90, os ninhos monitorados. Instalei 60 caixas artificiais como ninhos e isso fez com que a população então aumentasse, se expandisse, porque na hora de se reproduzir ali elas encontravam um lugar seguro", explica.

"Esse incêndio de agora foi sem precedentes, nunca vi igual. Enfrentamos o fogo em 2019, 2020 e 2021, porém, esse é completamente impactante. Foi grandioso em termos de altíssimas temperaturas, velocidade do vento, rapidez com que o fogo se locomoveu, varrendo tudo. O pantanal está muito seco."

A fazenda São Francisco do Perigara, em Mato Grosso, chegou a ser devastada por incêndios também em 2020 -ano considerado o mais crítico do bioma, quando 30% da área total do pantanal foi consumida pelas chamas e cerca de 17 milhões de vertebrados morreram. "O fogo destruiu quase 95% da fazenda", lembra a bióloga.

Já o refúgio na Caiman queimou em 2019, mas não foi atingido em 2020.

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Guedes destaca que, desde os primeiros registros de incêndios no pantanal, o comportamento e as características dos animais têm apresentado mudanças, mostram resultados de pesquisas realizadas ao longo dos anos.

Segundo ela, aumentou o número de aves com nanismo e ou tamanhos menores do que os esperados para a idade. Também foi constatado o crescimento da mortalidade de filhotes em decorrência da inalação de fumaça e queimaduras na pele, além da fome, devido à escassez de seus principais alimentos, os frutos acuris e bocaiúva.

Para amenizar esse problema, o instituto vai disponibilizar mais frutas para aves e manter o monitoramento das que ainda ficaram no local, mesmo após o incêndio, com incentivo na reprodução, afetada pelo ocorrido.

Fogo no pantanal

Nesta semana, trechos da rodovia BR-262 entre os municípios de Miranda e Corumbá, em Mato Grosso do Sul, tiveram que ser interditados devido aos incêndios que atingem o pantanal. O fogo na vegetação às margens da pista gerou fumaça densa na região, o que prejudica a visão de condutores de veículos.

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onforme estudo divulgado na quinta-feira (8) pela rede internacional de cientistas WWA (World Weather Attribution), as mudanças climáticas agravaram em 40% as condições de seca, calor e vento no pantanal que levam aos incêndios recordes que assolam o bioma neste ano.

De janeiro até esta sexta (9), o bioma teve 6.868 de focos de calor, o que representa um aumento de 1.987% comparado com o mesmo período do ano passado, quando eram 329, de acordo com o programa BDQueimadas, do Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais).

O acumulado atual supera também o de 2020, ano de recorde de destruição, para esse período: foram 6.121 focos na temporada até agosto.

Segundo o MMA (Ministério de Meio Ambiente e Mudança do Clima), o pantanal teve, de 1º de janeiro até o domingo passado (4), cerca de 1.027.075 a 1.245.175 hectares queimados. A análise foi feita com dados do Laboratório de Aplicação de Satélites Ambientais da Universidade Federal do Rio de Janeiro (Lasa/UFRJ). Essa faixa representa uma perda de 6,8% a 8,3% do bioma.

Os incêndios de grandes proporções invadem fazendas e atingem reservas que abrigam santuários ecológicos, lares de onças-pintadas, cotias, macacos, antas, cobras, jacarés, entre outros animais.

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