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Apagão em São Paulo vira guerra de narrativas entre Enel e Sabesp

FolhaPress 19/03/2024 14:08

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - O apagão que deixou bairros do centro de São Paulo às escuras desde as 10h30 de segunda-feira (18), além de mudar a rotina de moradores e comerciantes, gerou uma guerra de narrativas entre a Enel, concessionária de energia, e a Sabesp (Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo) sobre a responsabilidade pelo problema.

Senac 16 de julho — Capa (rail)

Por volta de meio-dia de segunda, a Enel afirmou que a interrupção do fornecimento de energia nos bairros de Higienópolis, Bela Vista, Cerqueira César, Santa Cecília e Vila Buarque se devia a uma ocorrência na rede subterrânea na região de Higienópolis.

O governo federal determinou que a Aneel (Agência Nacional de Energia Elétrica) investigue o apagão e que puna a Enel.

Milhares de pessoas foram impactadas pela falta de energia e não tiveram como trabalhar e estudar. Comerciantes não conseguiram atender e até perderam mercadorias, como no caso de bares e restaurantes.

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No começo da noite, a concessionária afirmou que o problema foi causado pela Sabesp, estatal paulista de saneamento, que, segundo a Enel, realizou uma escavação e atingiu acidentalmente cabos da rede subterrânea da distribuidora.

A Sabesp, por sua vez, garantiu que investigou e não encontrou indícios de que sua obra tenha danificado a fiação.

"Avaliação preliminar constatou que as obras de manutenção e ligação nos ramais de esgoto não danificaram a rede elétrica subterrânea. A escavação foi feita manualmente, a partir das 11h, sem deslocamento da fiação", respondeu a Sabesp.

Nesta manhã, em nota, a Enel evitou culpar a Sabesp e afirmou que as duas companhias trabalham em parceria para analisar as causas da interrupção na região central de São Paulo e vão estreitar ainda mais a atuação em conjunto nas intervenções realizadas na área de concessão aprimorando seus protocolos.

A Sabesp reforçou que não foi a responsável pelo problema.

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"Quando tomou conhecimento do ocorrido, a Sabesp mobilizou imediatamente equipes, que não identificaram relação com o trabalho da companhia", ressaltou.

Em meio às especulações sobre de quem é a responsabilidade pelo problema, a falta de energia chegou a 27 horas. Sem sistema em razão do apagão, a Santa Casa dispensou pacientes durante a manhã.

O ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, determinou que a Aneel faça uma apuração "célere e rígida" dos fatos que causaram o apagão na região central de São Paulo, iniciado na manhã de segunda e que ainda deixa residência, comércios e hospitais sem energia nesta terça (19).

"O ministro encaminhou ofício à Aneel, incumbida pela fiscalização dos serviços prestados pela concessionária Enel, determinando célere e rígida apuração dos fatos, bem como responsabilização e punição rigorosa da concessionária, que tem de forma reiterada apresentado problemas na qualidade da prestação dos serviço", afirma trecho da nota do ministério divulgada nesta terça.

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Além da apuração dos fatos, o ministro convocou o presidente da concessionária a comparecer à sede do Ministério das Minas e Energia para prestar esclarecimentos, já que a interrupção no fornecimento "se soma a diversas outras falhas na prestação dos serviços de energia elétrica pela concessionária Enel SP, que tem demonstrado incapacidade de prestação dos serviços de qualidade à população".

"A concessionária Enel tem obrigações estabelecidas no seu contrato de concessão, devendo manter índices de qualidade no atendimento aos consumidores e disponibilização de meios para regularização do fornecimento em caso de falhas, dentro de padrões adequados, para um serviço público essencial à vida das pessoas. É urgente a comprovação de que a empresa seja capaz de continuar atuando em suas concessões no Brasil", finaliza a nota.

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