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'Animais Perigosos' é filme de tensão com simplicidade narrativa

FolhaPress 17/09/2025 08:51

FOLHAPRESS - "Animais Perigosos", de Sean Byrne, é um suspense com predadores do mar, garotas jovens e um psicopata dono de um barco. Fosse dos anos 1980, seria mais um daqueles filmes vagabundos que cinéfilos jovens ou sem preconceitos adoram.

Senac 16 de julho — Capa (rail)

De cara, temos um prólogo que nos coloca frente a frente com Tucker, papel de Jai Courtney. É um vilão de respeito que golpeia um homem com facadas e o joga para servir de almoço dos tubarões.

Antes disso, esse homem e sua amiga tinham sido colocados em uma gaiola e submergidos para observar os tubarões de perto. Mal sabiam eles que estavam se metendo com um fanático cuja ideia de show perfeito é o de uma pessoa sendo devorada pelos tubarões que, pelo hábito, gostam de ficar perto de seu barco.

A amiga, desesperada, é mantida em cativeiro até chegar a hora do show, ou seja, a hora que surge uma espectadora para o banquete dos predadores.

Estamos diante de um exemplar de simplicidade narrativa, que aposta numa tensão permanente, e a tempera com elementos de filmes fuleiros e algumas concessões para angariar espectadores menos despojados —um romance em nascimento, por exemplo.

Um filme vagabundo, quando cai nas graças da cinefilia, é uma ameaça à doutrinação do gosto médio, aquele que rejeita o que é muito intelectualizado, mas se afasta do que não passa por algum crivo suspeito de mínima sofisticação.

SESC PICASSO

O bom cinema pode existir também nos filmes que se apresentam inicialmente como vagabundos, ou chulos, como comprovam Brian De Palma e Paul Verhoeven, dois mestres dessa arte de unir o gosto baixo ao alto sem passar pelo médio.

Vejam, por exemplo, a sequência inicial de "Carrie: A Estranha", dirigido por De Palma, com seu jeito de propaganda de sabonete, ou o ainda subestimado "Showgirls", de Verhoeven. São duas obras-primas. Mas os adeptos empedernidos do gosto médio os consideram vagabundos. Azar deles.

Voltemos ao caso de "Animais Perigosos". Pelas concessões, ele não faz o que os cineastas mencionados acima faziam muito bem. Ele sobe até uma certa etapa, fazendo com que o gosto baixo seja alimentado pelo gosto médio e vice-versa.

Na verdade, é justo pensar que o gosto médio, mais palatável ao maior número de pessoas, incluindo as que têm com o cinema uma relação superficial, acabou se ajustando a alguns ingredientes do filme vagabundo, para angariar certa parcela do público. Tudo pode ser colocado em prateleiras e catalogado para venda.

CONTADOR - BONUS

Sean Byrne, com a ajuda do roteirista Nick Lepard, escolheu uma protagonista, a surfista Zephyr, interpretada por Hassie Harrison. O que ela faz em cena não deve nada aos Rambos e Conans dos anos 1980, mas une à brutalidade alguma graça e inteligência. É a heroína ideal para tempos de representatividade.

No início, Zephyr se envolve rapidamente com um jovem rico, Moses, papel de Josh Heuston. Mas ela o abandona para não ter sua liberdade ameaçada.

Pois é justamente a liberdade que ela perderá ao ter seu caminho cruzado com o de Tucker e ser obrigada a entrar num jogo que pode ser mortal. Moses, contudo, foi fisgado, e por isso começa a investigar o desaparecimento de Zephyr.

O filme é ambientado na Austrália, dirigido por um australiano, e com os dois atores principais australianos —enquanto a atriz principal é americana de Dallas, Texas.

Funciona bem a oposição entre a imensidão azul do mar e a claustrofobia do porão do barco. Esse choque entre os espaços abertos e os opressores faz bem ao filme, e é estabelecido já no começo, com a clara oposição entre o espaço aberto de alto mar e a gaiola sendo substituída pelo cativeiro insalubre.

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"Animais Perigosos" passa ainda por algumas questões interessantes. Da similaridade com "Tortura do Medo", clássico inglês de Michael Powell, retém pouco, pois o filme de Byrne não tem, nem quer ter a classe do filme de Powell.

A necessidade de uma plateia, por menor que seja —e, no caso desta trama, uma pessoa basta— remete à ideia de que uma obra de arte só nasce quando encontra seu espectador. Por isso se diz que o nascimento do cinema foi no dia da primeira exibição pública, em 28 de dezembro de 1895, de alguns curtas produzidos pelos irmãos Lumière.

Por fim, há uma comunhão entre a natureza e a protagonista Zephyr, poupada, como que por milagre, por um tubarão devorador. Talvez por seu nome significar, na mitologia grega, o deus do vento suave que sopra do oeste anunciando a primavera e o florescimento.

ANIMAIS PERIGOSOS

- Avaliação Bom

- Quando Estreia nesta quinta (18), nos cinemas

- Classificação 18 anos

- Elenco Hassie Harrison, Jai Courtney, Josh Heuston

- Produção Austrália, Estados Unidos, Canadá, 2025

- Direção Direção Sean Byrne

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