Fundada em 1º de dezembro de 1946, a Associação Cultural, Social e Esportiva Grêmio Recreativo Escola de Samba Andaraí leva para o Carnaval de 2026 um enredo que olha para dentro e transforma a própria trajetória em narrativa simbólica. Sob a presidência de Thiago Bandeira e com criação do carnavalesco Alex Santiago, a escola aposta no tema “01/12/1946” como forma de celebrar sua origem, sua comunidade e os vínculos que sustentam quase oito décadas de história no carnaval capixaba.
Reconhecida como a escola de samba mais antiga em atividade no Espírito Santo, a Andaraí nasceu ainda nos anos 1940 a partir de um time de futebol de cores azul e branco. Em 1946, a criação da Batucada do Andaraí marcou a entrada definitiva no carnaval de rua de Vitória. A consolidação como escola de samba veio na década de 1970 e, em 1975, a agremiação foi batizada pela Estação Primeira de Mangueira, passando a adotar oficialmente o verde e rosa que hoje definem sua identidade visual e simbólica.
A trajetória da escola também é atravessada por períodos de silêncio e reconstrução. Após quase uma década afastada dos desfiles, a Andaraí foi reativada nos anos 1980 por integrantes da própria comunidade, retornando à avenida com o enredo “Andaraí e sua história através dos tempos”. Desde então, mesmo enfrentando novos intervalos de inatividade, a agremiação manteve sua ligação com o território do Mulembá, atual bairro de Santa Martha, e voltou a ganhar força a partir da década de 1990.
Nos últimos anos, a escola passou a apresentar enredos mais consistentes e resultados expressivos. Em 2020, conquistou o título do Grupo de Acesso com “Na pancada da MARVADA… Pinga, água que passarinho não bebe!”. Em 2022, já no Grupo Especial, alcançou o terceiro lugar com “Mulembá!”. Em 2024, ao reeditar “As Histórias que Vovó Contava”, garantiu a terceira colocação no Grupo de Acesso A. A retomada do protagonismo veio em 2025, com o título do Grupo de Acesso A através do enredo “Mercado da Capixaba: a folia verde e rosa exalta a sua tradição”.
Para 2026, o enredo “01/12/1946” propõe uma travessia simbólica que conecta mito, história e identidade coletiva. O desfile se inicia com a evocação de um nascimento cósmico, no qual signos, astros e entidades ancestrais representam a proteção espiritual da escola. Ao longo da narrativa, o território do Mulembá surge como eixo central, exaltando o futebol de várzea, a batucada, a fé popular e o batismo verde e rosa como fundamentos da identidade andaraiense.
Nos setores seguintes, a escola revisita suas conquistas, ausências e renascimentos, dialogando com a cultura afro-brasileira, a resistência popular e a arte como instrumentos de permanência. Cada ala assume o papel de guardiã da memória, reafirmando a capacidade da Andaraí de transformar interrupções em aprendizado e retorno em afirmação.
Ao transformar sua própria história em enredo, a Andaraí reafirma o carnaval como espaço de preservação cultural, educação simbólica e pertencimento comunitário. Mais do que celebrar o passado, a escola projeta o futuro como continuidade de um legado coletivo, vivo e profundamente enraizado no povo capixaba.
“Uma estrela cadente riscou
O céu do Mulembá abençoado
Nesse manto verde e rosa, uma história de amor
Onde tudo começou”
Fonte: PMV