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'And Just Like That' testa paciência dos fãs em terceira temporada ruim

FolhaPress 28/05/2025 19:02

(FOLHAPRESS) - Nunca pensei que esse dia ia chegar, mas eis que, voilà, "And Just Like That" ficou ruim. Sem graça. Antiquado. E o pior de tudo: careta. Vi os seis primeiros episódios da terceira temporada -o que foi liberado para a imprensa-, e são 12 no total.

Senac 16 de julho — Capa (rail)

Ou seja, ainda há a esperança de que tudo mude, e que esta análise se autodestrua quando o sétimo episódio for ao ar, na primeira quinzena de julho. A série estreia nesta quinta-feira (29) na Max -ou HBO Max, como o serviço voltou a se chamar, um ano após a mudança.

Dentre os termos impostos pela plataforma para este texto, estavam não revelar a profissão da personagem da Rosie O'Donnell, que faz uma participação especial, nem quem morre -ninguém relevante-, nem a doença de um personagem secundário, nem uma pulada de cerca que não causa o menor tremor.

Isso limita bastante o que dá para escrever, e, infelizmente, o que sobra são quase só críticas negativas. Melhor que quem as faça seja alguém que convive com estas personagens intensamente desde que "Sex and the City" estreou, no século passado, e mudou tudo.

Não foi "The Sopranos" que inaugurou a tal da era de ouro da TV, mas "Sex and the City", que estreou um ano antes, mas tinha mulheres como protagonistas e um tom mais cômico que dramático -ou seja, não foi levado tão a sério. Era preciso um homem poderoso, forte e malvado, e Tony Soprano cumpria todos os requisitos. E a série era ótima mesmo.

SESC PICASSO

Mas o mundo mudou, e hoje em dia há personagens mulheres de todas as idades em tramas incríveis, sejam elas dramáticas, cômicas ou esdrúxulas, tipo zumbis ou vampiras.

Quer uma velhota engraçada, malvada e incrível? Veja "Hacks", com a divina Jean Smart no papel da incrível Deborah Vance. Quer uma turma de mães ricas em um suspense de tirar o fôlego? "Big Little Lies", com Nicole Kidman, Reese Witherspoon, Zöe Kravitz e Laura Dern. Até "Desperate Housewives", da ABC, um canal aberto, hoje em dia no catálogo da Netflix, um clássico que teve oito temporadas entre 2004 e 2012, é mais emocionante.

Os novos episódios de "And Just Like That" dão a impressão de que não foram feitos pela mesma equipe de "Sex and the City", que tinha um grupo de mulheres altamente neuróticas, disfuncionais e dispostas a se botar à prova numa cidade que era, por si só, um desafio.

CONTADOR - BONUS

Agora, as três que sobraram do elenco original, Carrie, Miranda e Charlotte, são três dondocas mainstream, totalmente realizadas na vida profissional, sem a menor preocupação com dinheiro. Uma casada e 100% feliz com sua vida, apesar de ter duas adolescentes em casa, uma viúva que já reencontrou um antigo namorado apaixonado e disponível, pronto para reviver o romance e outra que se descobriu lésbica tarde na vida, mas faz o maior sucesso entre mulheres e navega o novo universo sem nenhum conflito.

Na falta da "vagaba" da turma, Samantha -que até agora só participou por WhatsApp nos primeiros seis episódios-, foram inseridas no elenco, na primeira temporada, quase a fórceps, uma corretora de imóveis de luxo de ascendência indiana e grande apetite sexual, e uma documentarista negra, casada, rica e realizada profissionalmente.

Podia ser um bom "mix", mas não é. Dessas coisas da vida, tem gente que a gente aceita trocar um pedaço dos nossos dias para assistir aos dias delas, tem gente que faz esse negócio parecer um desperdício de tempo.

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Até onde eu pude ver, tudo pareceu assim. Ninguém neste elenco desperta a mínima curiosidade, a vontade de saber mais, de passar mais tempo junto. Até o figurino perdeu a graça. Aliás, pior do que isso, ficou ridículo. Charlotte se veste como uma "stepford wife" -uma dona de casa arrumadinha e submissa-, Miranda adotou um estilo macacão, e Carrie, que quase não sai da casa chique e vazia em que mora, continua usando alta-costura e salto alto no dia a dia, para ir do quarto para a sala.

Tem até uma subtrama que faz uso desse desatino, e essa, na verdade, é a única ponta de esperança que eu tenho para os próximos episódios. Se ninguém se comportar um pouco pior ou tiver alguma atitude de má-fé nos episódios sete e oito, juro que faço com uma das séries que mais marcaram a minha vida adulta, o mesmo que fiz com a nova versão de "Vale Tudo" -esquecer que está no ar.

Não vale tudo. Para nada e para ninguém. Que paciência e tempo livre têm limite.

AND JUST LIKE THAT... - 3ª TEMPORADA

Avaliação Ruim

Quando Estreia nesta quinta (29) na HBO Max

Classificação 16 anos

Elenco Sarah Jessica Parker, Cynthia Nixon, Kristin Davis

Produção Estados Unidos, 2025

Criação Michael Patrick King e Darren Star

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