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Anac havia sido alertada por ex-funcionário que Voepass reaproveitava peças, diz TV

Estadão Conteúdo 09/08/2026 22:30

Anos antes do acidente do avião da Voepass matar 62 pessoas em Vinhedo (SP) em agosto de 2024, a Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) já havia sido alertada sobre graves falhas de manutenção nas operações da companhia aérea, diz reportagem do Fantástico. A partir de 2019, um ex-inspetor do órgão regulador denunciou, segundo o programa da TV Globo, reaproveitamento irregular de peças sem laudo de segurança e falta de aeronavegabilidade de aviões da empresa. Em vez de suspender as operações da Voepass, a Anac teria ignorado as recomendações e exonerado o agente.

Senac 16 de julho — Capa (rail)

O Estadão não conseguiu localizar as assessorias de imprensa da agência e da Voepass na noite deste domingo. Ao Fantástico, a Anac disse que vai abrir processo interno para verificar a responsabilidade de servidores. Já a companhia área, também à TV, disse que a segurança era uma prioridade da empresa.

O ex-funcionário move uma ação judicial contra a Anac em que relata os relatos sobre as falhas e também relata perseguição por parte de dirigentes da companhia.

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A Polícia Federal, na conclusão do inquérito na semana passada, citou suspeita de falhas na fiscalização, mas não indiciou funcionários da Anac. A responsabilidade da agência ainda será investigada pelas autoridades federais.

Documentos obtido pelo Fantástico revelam que um ex-inspetor da Anac, exonerado em 2025 após 16 anos de serviço, já alertava sobre falhas graves na Voepass e reclamava de perseguição por parte de dirigentes da agência reguladora.

Ele recomendou, em 2019, suspender a autorização de voo da MAP Linhas Aéreas (que se fundiu à Passaredo para criar a Voepass). O motivo, segundo a reportagem, seriam evidências de que peças estavam sendo usadas pela companhia sem avaliação de aeronavegabilidade. E, de acordo com esse inspetor, essa recomendação não foi seguida pela agência.

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Em 2022, houve uma nova denúncia. O então inspetor alertou que peças de um avião que sofreu um acidente em Rondonópolis, Mato Grosso, em 2016, teriam sido reaproveitadas ilegalmente. Sobre este caso, a Anac afirmou à TV Globo que houve verificação das peças na ocasião e a conclusão foi de que foram seguidas as normas regulatórias.

Ele também enviou e-mails para órgãos internacionais, como a FAA e EASA, agências dos Estados Unidos e da União Europeia, respectivamente. A Anac, no entanto, desautorizou o inspetor perante essas agências e fez com que ele respondesse a um processo interno por insubordinação em 2023. Depois, ele acabou exonerado após 16 anos de trabalhos na agência.

Testemunha citou suspeita de propina à Anac

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Na semana passada, a PF informou que um mecânico de pista da Voepass - testemunha na investigação - citou a suspeita de pagamento de propina pela Voepass a funcionários da Anac. Segundo o relato, ele estranhou após ter sua carteira de autorização de trabalho suspensa mesmo após ser aprovado em um curso de reciclagem exigido. Para o mecânico, a motivação era retirá-lo da pista por "criar muito caso", já que se recusava a liberar aviões que supostamente apresentavam problemas.

A Polícia Federal vai encaminhar a íntegra da investigação à Procuradoria da República no Distrito Federal (MPF) para que seja apurada eventual prática de atos de improbidade administrativa por integrantes da agência.

Conforme o relatório, a investigação identificou que a agência havia encontrado, antes do acidente, "diversas não conformidades técnicas e não procedimentais relacionadas à manutenção das aeronaves" da companhia.

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