Caso expõe falta de estrutura e leva denúncia à fiscalização em Marataízes
O caso de um aluno de 12 anos que levou um ventilador para a escola em Marataízes ganhou novos desdobramentos e agora será alvo de fiscalização. A mãe do estudante afirma que, mesmo após a repercussão, a sala de aula continua sem ar-condicionado e com equipamentos quebrados.
Moradora do bairro Esplanada, Nathália Pereira, de 36 anos, relatou que passou a receber ameaças após publicar nas redes sociais um vídeo denunciando o calor excessivo enfrentado pelos alunos na Escola Municipal de Ensino Fundamental Maria da Glória Nunes Nemer.
Foi ela quem autorizou o filho, Gabriel, a levar um ventilador para a sala de aula.
“Isso é um absurdo. Pago meus impostos e vou lutar até o fim pelos direitos do meu filho. As crianças precisam ter condições dignas para estudar”, afirmou.
Calor extremo e problemas na estrutura
Segundo Nathália, a situação na escola vai além da falta de climatização. A sala do 6º ano onde o filho estuda tem mais de 20 alunos e apenas uma janela, voltada para o pátio, o que agrava a sensação térmica.
Ela afirma que o ventilador da sala está queimado e que outros estudantes também sofrem com o calor. Em um dos episódios, um aluno teria passado mal.
“Meu filho chegou a dizer que não queria ir para a escola porque não aguentava o calor. Ele chegou a sentir falta de ar”, relatou. Gabriel tem diagnóstico de TDAH.
Ventilador levado de casa
A iniciativa de levar o ventilador partiu do próprio estudante. Após ouvir do filho que não havia ar-condicionado na sala, a mãe autorizou que ele levasse o equipamento.
O aparelho chegou a ser ligado com autorização de uma professora auxiliar, mas foi retirado pouco depois por orientação da coordenação, que informou que o problema seria resolvido.
Até o momento, segundo a mãe, isso não ocorreu.
Outros problemas relatados
Além do calor, Nathália aponta falhas estruturais na escola, como ventiladores quebrados, portas danificadas, cadeiras em más condições e bebedouros sem manutenção.
Após a repercussão do caso, um dos bebedouros foi limpo. Segundo ela, um sapo foi encontrado no local.
Fiscalização e reação
Diante da situação, o deputado estadual Fabrício Gandini informou que fará uma fiscalização na unidade na próxima semana.
A mãe defende que autoridades visitem a escola para verificar as condições de perto e afirma que, se não houver solução, pretende mobilizar outros pais.
“O deputado será bem-vindo. Nossas crianças estão sofrendo”, disse.
Posicionamento da prefeitura
Em nota, a Prefeitura de Marataízes informou que a escola passa por obras de ampliação, climatização e ventilação.
Segundo o município, parte dos aparelhos de ar-condicionado já foi consertada e novos ventiladores foram adquiridos, estando em processo de entrega.