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Alianças e anéis roubados em SP são vendidos por até R$ 350 o grama, diz polícia

FolhaPress 21/06/2025 11:43

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Ladrões de anéis, alianças e correntes de ouro em São Paulo vendem os objetos roubados por peso em favelas da cidade. É o que aponta uma investigação da Polícia Civil que busca desarticular o comércio ilegal de joias.

Senac 16 de julho — Capa (rail)

A bordo de motos —sozinhos, em duplas ou em grupos—, criminosos têm feito ataques em todas as regiões, tanto em áreas centrais quanto na periferia. Objetos de ouro e celulares são os itens mais visados.

Depois que os itens são arrancados das vítimas, acabam sendo levados a receptadores espalhados em grandes favelas.

As investigações do Deic (Departamento Estadual de Investigações Criminais) apontam Paraisópolis, na zona sul, como um dos destinos de alianças e anéis roubados na capital.

É para lá que parte das joias tomadas em Pinheiros, Itaim Bibi, Morumbi e Butantã, todos na zona oeste, são levadas. Esses locais têm vias de ligação rápida com a favela, como a marginal Pinheiros e a rodovia Raposo Tavares.

Em Paraisópolis, por exemplo, os objetos são colocados em copos descartáveis e pesados. O grama é avaliado entre R$ 200 e R$ 350, pagos na hora para o ladrão que age na rua.

"Na hora, a pessoa que está lá nesse entreposto, vamos dizer assim, pesa e paga pelo peso. Tendo pedra preciosa ou não, sendo uma joia desenhada ou não, seja uma aliança, um cordão de grife ou não, ela paga pelo peso e vai deixando esse ouro lá", afirmou o delegado Clemente Calvo Castilhone Junior, da Divisão de Crimes Contra o Patrimônio.

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"Em um caso que estamos trabalhando, captamos a informação que estão pagando R$ 300 e, em certos casos, até R$ 350 o grama. Antes era menos frequente esse teto. Pode ser efeito da repressão e fiscalização", acrescentou o delegado.

O delegado também explicou o que ocorre com o ouro acumulado pelo comprador. "Vem uma outra pessoa, que é a que tem autorização para entrar naquela comunidade, e compra. Esse atravessador já leva para ourives e estabelecimentos, que são objetos das investigações em andamento nesta delegacia."

É na Divisão de Crimes Contra o Patrimônio que casos de latrocínio —roubo seguido de morte— têm sido esclarecidos, como o do ciclista Vitor Medrado e o do arquiteto Jefferson Dias Aguiar, vítimas da violência em fevereiro e abril deste ano.

As investigações não indicam a atuação de ourives dentro das comunidades, e sim de criminosos com conhecimento, no geral, sobre os itens que estão adquirindo.

Durante uma apuração, os policiais encontraram um vídeo de como são realizadas as transações finais. A negociação ocorreu justamente em Paraisópolis. Um homem foi detido.

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Clemente Calvo afirmou que também há ocorrências em que os criminosos preferem vender os objetos diretamente no centro da cidade, sem passar pelos receptadores nas comunidades.

"Tem outros [ladrões] que pegam uma pequena quantidade, vão ao centro e negociam em comércios indicados por aqueles plaqueiros. Infelizmente, mesmo comerciantes formais —alguns deles, nunca podemos generalizar— compram. Em alguns lugares o comprador vai pedir identificação, vai questionar sobre a procedência, em outros não."

A apuração da polícia também identificou ladrões que focam alianças e anéis, descartando celulares. O motivo seria evitar ser rastreado por meio dos aparelhos.

A morte do delegado Josenildo Belarmino de Moura Junior em um roubo em janeiro deste ano desencadeou uma investigação que levou à prisão de Suedna Barbosa Carneiro, conhecida como a Mainha do Crime. Ela foi detida em Paraisópolis. Para a investigação tocada pelo 11° DP (Santo Amaro), onde Josenildo trabalhava, a mulher patrocinava crimes.

Mainha pagava até R$ 2.200 por celular roubado, de acordo com inquérito obtido pela Folha. Ela está presa desde fevereiro. Os preços variavam de acordo com modelo de iPhone e se o aparelho permitia a troca do chip.

"Temos observado um aumento na ousadia dos criminosos. Embora os autores de roubos não saiam deliberadamente com a intenção de matar, muitos atuam armados, especialmente com arma de fogo, e demonstram total indiferença quanto às consequências da violência empregada", disse Clemente Calvo.

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PLACAS ADULTERADAS

Segundo a Prefeitura de São Paulo, placas decorativas, de preço baixo, estariam sendo usadas por criminosos para adulterar a identificação de motos utilizadas em roubos.

Na última quarta-feira (18), durante evento sobre o Smart Sampa —sistema de câmeras que identifica rostos de foragidos e lê placas dos veículos—, o prefeito Ricardo Nunes (MDB) disse que uma dessas placas falsas é tão usada na cidade que, quando jogam a sequência de números dela nos computadores para buscar imagens ao vivo de um veículo suspeito, o sistema todo trava.

"Ela roda tanto na cidade que chega a travar o sistema quando fazemos a busca dela", afirmou o prefeito.

"Eles trocam a placa e a gente não tem registro de roubo ou furto. Portanto, quando passa pelas câmeras, pela polícia municipal [GCM] ou pela Polícia Militar, para todos os efeitos ela está normal e legalizada."

De acordo com a prefeitura, o Smart Sampa foi usado para ajudar a polícia a chegar a Suedna Carneiro. "Dentro da casa da Mainha do Crime tinha dez placas de moto, que eles iam trocando. Se vocês entrarem na internet, convido a fazerem uma pesquisa, e quiserem comprar uma placa, vai comprar e vai ser entregue na sua casa a R$ 21", afirmou Nunes.

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