A medicina reprodutiva tem avançado significativamente nas últimas décadas, oferecendo esperança a milhares de casais e indivíduos que enfrentam dificuldades para engravidar. Entre os métodos disponíveis, a Fertilização in Vitro (FIV) se destaca como o procedimento com maior índice de sucesso comprovado cientificamente. Entretanto, especialistas alertam que a quantidade de técnicas adicionais disponíveis no mercado não necessariamente garante aumento da qualidade ou das chances reais de gravidez.
Inicialmente desenvolvida para tratar casos de infertilidade feminina por obstrução das tubas uterinas, a FIV evoluiu para solucionar diversos problemas de fertilidade, abrangendo causas tanto femininas quanto masculinas. Contudo, técnicas adicionais como o plasma enriquecido com plaquetas, testes genéticos pré-implantacionais (PGT-A), incubadoras time lapse sem inteligência artificial e uso de hormônio do crescimento têm sido ofertadas amplamente sem evidências robustas que comprovem sua eficácia em todos os casos.
Recentemente, um estudo realizado pelo Comitê Científico da Sociedade Americana de Medicina Reprodutiva (ASRM) reforçou a ausência de comprovação científica sólida para muitas dessas técnicas acessórias. Segundo Dr. Marcos Sampaio, diretor do Centro de Medicina Reprodutiva Origen BH, é crucial que os pacientes estejam cientes disso para evitar expectativas irreais e gastos desnecessários.
“São técnicas oferecidas muitas vezes como soluções inovadoras, mas que ainda não demonstraram resultados cientificamente significativos para melhorar as taxas de gravidez. Um exemplo é o teste genético pré-implantacional para aneuploidias (PGT-A) em pacientes jovens e sem histórico de abortos repetidos, realizado com a justificativa de simplesmente aumentar as chances de implantação", explica o especialista.
Marcos Sampaio ressalta que a ansiedade de pacientes para engravidar pode levá-los a aceitar procedimentos caros, mas sem garantia de resultados efetivos. "A inovação é importante, mas deve estar alinhada com responsabilidade científica e ética médica", destaca.
O papel da inteligência artificial (IA) é apontado como promissor no futuro da reprodução assistida, porém ainda está em fase inicial de pesquisa, exigindo cautela e rigor científico. O especialista alerta para a importância do debate ético em torno dessas novas tecnologias para garantir segurança e qualidade assistencial aos pacientes.
Segundo Dr. Marcos, resultados consistentes e seguros na FIV estão mais ligados à atuação integrada de uma equipe multidisciplinar experiente e a uma infraestrutura clínica adequada. "O sucesso passa pela investigação detalhada da infertilidade do casal desde o primeiro atendimento até o acompanhamento psicológico, suporte de enfermagem e um laboratório com tecnologia avançada e embriologistas qualificados", explica.
Cada paciente apresenta necessidades específicas, e, portanto, o tratamento deve ser individualizado. O especialista orienta que pacientes busquem sempre uma segunda opinião e avaliem cuidadosamente a real necessidade das técnicas adicionais propostas. "Tire todas as suas dúvidas antes de concordar com procedimentos extras prometendo milagres", aconselha Marcos Sampaio.