Mensagens foram enviadas a celulares em sete estados e no Distrito Federal; Polícia Federal investiga origem dos disparos
Usuários de telefonia móvel em sete estados e no Distrito Federal receberam alertas falsos enviados pelo sistema nacional de notificações de desastres da Defesa Civil entre a noite desta sexta-feira (19) e a madrugada deste sábado (20). A Polícia Federal foi acionada para investigar a origem das mensagens.
De acordo com o Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional, os disparos ocorreram entre 23h41 e 1h23. Uma análise preliminar aponta que as notificações chegaram a moradores de Belo Horizonte, Brasília, Campo Grande, Curitiba, Rio Branco, Rio de Janeiro, Salvador e São Paulo. Somadas, essas cidades reúnem cerca de 30 milhões de pessoas.
Além das capitais, alertas também foram enviados para outros municípios menores nos estados de São Paulo, Rio de Janeiro e Mato Grosso do Sul.
Em entrevista coletiva, o secretário nacional de Proteção e Defesa Civil, Wolnei Wolff, informou que foram identificadas dez notificações falsas. Segundo ele, nove mensagens foram enviadas pelo sistema Cell Broadcast, implantado no país para alertas emergenciais, e uma pelo sistema de SMS, usado anteriormente.
O Cell Broadcast é a tecnologia utilizada pelo Defesa Civil Alerta para enviar avisos diretamente aos celulares em áreas de risco. O sistema permite que mensagens apareçam na tela do aparelho com aviso sonoro, sem necessidade de aplicativo ou cadastro prévio. A ferramenta é voltada para situações como enchentes, deslizamentos e outros eventos climáticos extremos.
No caso registrado nesta madrugada, porém, as mensagens não tratavam de desastres reais. Os textos mencionavam termos sem relação com alertas oficiais, como “misantropia” e “invasão alienígena”, o que provocou surpresa e preocupação entre usuários que receberam os avisos.
Segundo a Defesa Civil, o primeiro alerta foi disparado para Curitiba. Depois, outras localidades começaram a receber mensagens semelhantes. A investigação deverá apontar se os disparos foram feitos por uma pessoa ou por um grupo articulado.
A principal suspeita é de invasão na plataforma da Defesa Civil Nacional responsável pela emissão dos alertas. A Polícia Federal atua junto à equipe técnica da Defesa Civil para apurar a autoria e a extensão do ataque. A Agência Nacional de Telecomunicações também acompanha o caso.
Em nota, a Anatel informou que, até o momento, os alertas investigados não passaram pelos canais oficiais da plataforma técnica do sistema, operada pela ABR Telecom. A apuração deve esclarecer por onde as mensagens foram geradas e como chegaram aos celulares da população.
Após o episódio, o sistema foi retirado do ar de forma preventiva. A Defesa Civil informou que trabalha para restabelecer a ferramenta quando todas as condições de segurança forem verificadas.
Fonte: Agência Brasil e Anatel.