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Alergia alimentar em crianças atinge 4,6%, aponta estudo

Pesquisa brasileira identifica o leite como principal causador de reações; especialistas explicam sintomas e cuidados

Vitória News 24/10/2026 11:00
Alergia alimentar em crianças atinge 4,6%, aponta estudo
Imagem: Divulgação

A alergia alimentar afeta aproximadamente 4,6% das crianças brasileiras menores de cinco anos, segundo um estudo publicado em 2026 na revista científica Journal of Human Nutrition and Dietetics. A pesquisa, baseada em dados do Estudo Nacional de Alimentação e Nutrição Infantil (ENANI-2019), identificou a alergia ao leite como a mais frequente, com prevalência de 2,1%.

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O levantamento analisou informações de 14.558 crianças e considerou diagnósticos médicos de alergia alimentar relatados por mães ou responsáveis. Os resultados destacam a importância de reconhecer possíveis reações e buscar orientação profissional para evitar complicações e restrições alimentares desnecessárias.

Além do leite de vaca, alimentos como ovos, trigo, soja, amendoim, castanhas, peixes e frutos do mar podem provocar reações alérgicas durante a infância.

Sintomas podem aparecer na pele, no intestino e na respiração

A alergia alimentar ocorre quando o sistema imunológico reage a determinadas proteínas presentes nos alimentos. As manifestações variam conforme o tipo de alergia e podem atingir diferentes partes do organismo.

Segundo Gustavo Pinato, médico e professor de Pediatria da Afya Ribeirão Preto, algumas reações começam poucos minutos após a ingestão do alimento e podem surgir em até duas horas.

Entre os sinais mais comuns estão manchas avermelhadas e elevadas na pele, coceira intensa, inchaço dos lábios ou ao redor dos olhos, vômitos, dores abdominais, tosse e chiado no peito.

Existem também reações tardias, que podem provocar alterações gastrointestinais, como diarreia, vômitos recorrentes e presença de sangue ou muco nas fezes. Em determinadas situações, a criança pode apresentar dificuldades para ganhar peso.

Entretanto, nem todo desconforto após uma refeição significa alergia alimentar.

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Para auxiliar a investigação médica, os responsáveis podem anotar os alimentos consumidos, as quantidades, o horário das refeições e o momento em que os sintomas apareceram. Fotografias de manifestações na pele também podem contribuir para a avaliação.

Reações graves exigem atendimento imediato

Em alguns casos, a alergia alimentar pode desencadear anafilaxia, uma reação potencialmente fatal que exige atendimento médico de emergência.

Dificuldade para respirar, rouquidão repentina, inchaço da língua ou garganta, palidez intensa, fraqueza e desmaio estão entre os principais sinais de alerta.

Vômitos repetidos acompanhados de prostração também podem indicar uma reação grave, mesmo quando não existem manchas ou outros sintomas na pele.

Diante da suspeita de anafilaxia, a orientação é acionar imediatamente o serviço de emergência, pelo telefone 192, do Samu.

Quando a criança possui adrenalina autoinjetável prescrita, o medicamento deve ser utilizado conforme o plano de ação estabelecido pelo médico, sem atrasar a busca por atendimento.

Antialérgicos em gotas ou xaropes podem aliviar determinados sintomas leves, mas não substituem a adrenalina no tratamento da anafilaxia.

Mesmo que a criança apresente melhora inicial, é necessária avaliação em serviço de emergência.

Alergia ao leite é diferente de intolerância à lactose

Embora possam provocar sintomas semelhantes, alergia alimentar e intolerância à lactose são condições distintas.

A alergia à proteína do leite de vaca envolve uma resposta do sistema imunológico. Já a intolerância à lactose ocorre quando o organismo apresenta dificuldade para digerir o açúcar naturalmente presente no leite.

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A intolerância pode provocar gases, distensão abdominal, cólicas e diarreia, mas não causa anafilaxia.

Diego Righi, professor de Nutrição da Afya Centro Universitário Itaperuna, explica que identificar corretamente a condição é fundamental para definir os cuidados alimentares.

A confusão entre alergia e intolerância pode resultar tanto na falta de acompanhamento adequado quanto na retirada desnecessária de alimentos importantes para o desenvolvimento infantil.

Diagnóstico depende de avaliação individualizada

A investigação da alergia alimentar começa com uma análise detalhada dos sintomas e do histórico da criança.

O profissional de saúde considera quais alimentos foram ingeridos, a quantidade consumida, o intervalo entre a refeição e o aparecimento das manifestações e a frequência dos episódios.

Dependendo da suspeita clínica, podem ser indicados testes cutâneos ou exames de sangue para pesquisar anticorpos IgE específicos.

Entretanto, um resultado positivo isolado não confirma necessariamente uma alergia, porque pode indicar apenas sensibilização ao alimento.

Em situações selecionadas, o teste de provocação oral pode ser utilizado para confirmar ou afastar o diagnóstico. Nesse procedimento, o alimento é oferecido em quantidades controladas, sob supervisão de profissionais habilitados e em ambiente preparado para tratar possíveis reações.

O exame não deve ser realizado em casa por iniciativa da família.

Especialistas também desaconselham testes comerciais de intolerância alimentar baseados na dosagem de anticorpos IgG, pois eles não são considerados métodos válidos para diagnosticar alergias ou intolerâncias alimentares.

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Retirada de alimentos sem orientação pode prejudicar a criança

A exclusão indiscriminada de alimentos da dieta infantil pode comprometer a ingestão de nutrientes essenciais para o crescimento.

Segundo Diego Righi, retirar simultaneamente leite, ovos, trigo, soja ou outros alimentos sem indicação adequada pode reduzir a oferta de proteínas, energia, vitaminas e minerais.

Quando o leite e seus derivados precisam ser eliminados, por exemplo, é necessário observar especialmente a ingestão de cálcio, proteínas e vitamina D.

Dependendo das restrições, também pode haver necessidade de atenção ao consumo de ferro, fibras e vitaminas do complexo B.

Por isso, dietas de exclusão devem ser planejadas individualmente e acompanhadas por profissionais de saúde, com monitoramento do crescimento e substituições nutricionais adequadas.

Algumas alergias podem desaparecer com o crescimento

Determinadas alergias alimentares, especialmente ao leite, ovo, soja e trigo, podem desaparecer ao longo da infância, embora isso não ocorra com todas as crianças.

A evolução depende do alimento envolvido, do mecanismo imunológico e das características individuais.

O acompanhamento periódico permite avaliar se a alergia persiste e quando existe possibilidade de reintroduzir o alimento com segurança.

Essa decisão deve ser orientada por profissionais de saúde, principalmente quando há histórico de reações graves. A família não deve realizar testes de reintrodução por conta própria.

O reconhecimento dos sintomas, o diagnóstico correto e o acompanhamento nutricional são fundamentais para preservar a saúde da criança sem impor restrições alimentares além das necessárias.

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