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Agro defende derrubada de vetos do licenciamento ambiental às vésperas da COP30

FolhaPress 14/10/2025 14:57

BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) - Entidades do setor produtivo se mobilizaram para derrubar todos os vetos do presidente Lula (PT) à lei que flexibiliza e simplifica o licenciamento ambiental, com pouco menos de um mês para o início da COP30, a conferência de clima da ONU (Organização das Nações Unidas).

Senac 16 de julho — Capa (rail)

A posição foi divulgada em uma carta nesta terça-feira (14), assinada por 86 entidades representativas sobretudo do agronegócio, mas também da área de energia, entre outras.

Essa pauta será defendida por frentes como a Frente Parlamentar do Empreendedorismo e a Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA), fiadora da bancada ruralista e atualmente uma das maiores forças do Congresso Nacional, com cerca de 300 deputados.

Ambientalistas, porém, afirmam que o licenciamento ambiental proposto pelo setor vai impulsionar o desmatamento, coloca em risco povos indígenas, impulsiona a produção de petróleo e tem trechos inconstitucionais.

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Já há a expectativa, inclusive, que este tema seja levado ao STF (Supremo Tribunal Federal).

O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), marcou uma sessão para analisar os vetos na próxima quinta-feira (16), e também deliberar sobre a LDO (Lei de Diretrizes Orçamentárias). A COP30 acontece de 10 a 21 de novembro em Belém.

Sob reserva, pessoas que acompanham o debate afirmam que ainda é possível construir um acordo com o governo Lula para que nem todos os vetos sejam derrubados, mas que mesmo assim a tendência é que a maioria deles seja.

Além dos vetos, também está em tramitação no Congresso um projeto de lei e uma medida provisória que tratam do licenciamento, e é possível que essa negociação prossiga baseada nestes textos.

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A lei que flexibiliza e simplifica o licenciamento ambiental foi aprovada em julho deste ano, no final do primeiro semestre do Legislativo.

O governo Lula, liderado pelo Ministério do Meio Ambiente e em articulação com a Casa Civil, vetou 63 pontos do texto, e em resposta publicou um projeto de lei e uma medida provisória para tratar deste mesmo tema.

O objetivo era, com esse conjunto de ações, não apenas derrubar a proposta do Congresso, mas criar um arcabouço legal alternativo e de consenso —o que não aconteceu.

O governo Lula manteve, com ajustes, a proposta revelada pela Folha de S.Paulo e apadrinhada por Alcolumbre que cria a Licença Ambiental Especial (LAE), dispositivo que agiliza projetos considerados prioritários por um conselho político, e obriga sua análise de viabilidade em no máximo um ano.

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Essa proposta deve impulsionar empreendimentos de mineração ou da mesma natureza da exploração de petróleo em Foz do Amazonas —da qual o presidente do Senado é grande interessado.

Dentre as principais divergências com relação à lei está a autonomia dos estados e municípios para criar diretrizes de licenciamento, ponto defendido pelo agronegócio.

Já Marina Silva, por outro lado, argumenta que devem haver diretrizes nacionais para nortear a atuação dos entes federativos, com centralidade no Conama (Conselho Nacional de Meio Ambiente).

"As entidades abaixo assinadas defendem a derrubada integral dos vetos, em defesa de um licenciamento ambiental moderno, técnico, federativo e seguro, que una proteção ambiental e desenvolvimento social e econômico e que respeite o consenso amplamente construído entre Parlamento, sociedade e setor produtivo", diz a carta das entidades.

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