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Adaptação a eventos extremos é prioridade de força-tarefa do G20 para o clima

FolhaPress 09/05/2024 18:50

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - A adaptação a eventos extremos será prioridade de uma força-tarefa contra mudanças climáticas convocada pelo governo federal para dar apoio técnico à presidência brasileira do G20, o grupo das maiores economias do mundo.

Senac 16 de julho — Capa (rail)

Mudanças climáticas são um dos três temas estabelecidos como prioritários pelo governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) durante o período do país à frente do G20. Os outros dois são governança global e combate à fome e pobreza.

Além de presidir o G20 em 2024, o Brasil será o anfitrião em 2025 da 30ª edição da conferência da ONU sobre mudanças climáticas, a COP30, que será realizada em Belém.

Convocados pelo governo, 12 especialistas estão encarregados de fazer análises e recomendações de políticas públicas sustentáveis. A agenda busca transformações nos modos de produção e consumo para limitar o aumento da temperatura global em 1,5°C, como estabelecido no Acordo de Paris.

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O relatório final apresentará diretrizes para planos nacionais de transição climática e orientações para refundar os marcos de financiamento para a transição verde, repensando papéis desempenhados por bancos de desenvolvimento, agentes privados e atores estatais.

As economistas Mariana Mazzucato, professora do University College de Londres, e Vera Songwe, secretária-executiva da comissão econômica para a África do Banco Mundial, coordenam o grupo de especialistas.

Diante da enchente histórica que está em curso em Porto Alegre e em diversas cidades do Rio Grande do Sul, integrantes do projeto afirmam que eventos extremos já se tornaram frequentes e que isso torna políticas de adaptação e mitigação urgentes.

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"Os países precisam ir além de mitigar efeitos das mudanças climáticas, precisam conduzir uma verdadeira transição, com ênfase à adaptação", diz Arilson Favareto, coordenador do projeto pelo Cebrap (Centro Brasileiro de Análise e Planejamento), instituição responsável pela secretaria-executiva da força-tarefa de mudanças climáticas do G20.

Ele menciona a necessidade de transformações urgentes em três áreas: produção de alimentos com menor impacto na natureza, substituição de combustíveis fósseis por matrizes energéticas limpas, e a amplas adaptações dos sistemas urbanos. "Isso significa repensar todas as infraestruturas urbanas, de maneira adaptada ao clima. Isso inclui transporte, construção civil, para citar alguns casos."

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Mudanças que, de forma geral, ainda aparecem timidamente no planejamento das principais cidades brasileiras, afirma Bianca Tavolari, também coordenadora do Cebrap na força-tarefa do clima.

Ela cita como exemplo negativo o fato de que cidades como São Paulo ainda excluírem grande parte das vagas de garagens do cálculo da área construída de edifícios, o que na prática deixa o espaço destinado ao automóvel mais barato.

"Se a ideia é desincentivar o transporte individual motorizado e priorizar o investimento em transporte coletivo, basta pensar que temos normas que priorizam a locomoção por automóvel, prevendo [prédios] com vagas de garagem sem custo adicional", diz Tavolari.

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