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Abrigo da Prefeitura de SP passa por dedetização e deixa bebê de duas semanas na rua

FolhaPress 06/06/2025 17:47

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Com uma temperatura de 18°C, céu nublado e garoa intermitente, uma mulher angolana estava com sua filha de duas semanas no colo, na manhã desta sexta-feira (6), sentada em um banco da praça Elias Chaibub, no Pari, na região central de São Paulo.

Senac 16 de julho — Capa (rail)

Perto dela, outras dez mulheres acompanhadas dos filhos, crianças pequenas em sua maioria, esperavam o horário de retornar ao Centro Temporário de Acolhimento (CTA) 18, um albergue localizado na rua Comendador Nestor Pereira. O local é especializado em atendimento a famílias.

A explicação é que o local passa por dedetização. As mulheres afirmaram que tiveram de deixar o local por volta das 9h e só poderia voltar depois das 15h. A cena, segundo elas, repete-se semanalmente.

Nesta sexta, cada pessoa recebeu uma sacola com dois pães, uma garrafa de água, um suco ensacado e uma maçã. Seria a única refeição de alguns deles até o retorno ao abrigo, administrado pela Associação Evangélica Beneficente, contratada pela gestão Ricardo Nunes (MDB) para gerir o local.

Procuradas, a prefeitura e a associação não responderam até a publicação deste texto.

Embrulhada em um cobertor azul, a bebê de duas semanas fica praticamente invisível no colo da mãe. A mulher veio ao país com o marido e os filhos, de 15, 13, 8 e 5 anos, há três meses. A família viajou em busca de oportunidades de trabalho para o pai e de estudo para as crianças e adolescentes. A bebê de colo é a primeira brasileira da família.

SESC PICASSO

Ajudada por outras mulheres, a mãe reclamava da posição desconfortável de ficar com a menina no colo, sentada em um banco de concreto. Outras crianças se espalhavam pela praça, nos brinquedos e no cuidado com mães e irmãos mais novos.

Na mesma praça, uma mulher venezuelana amamentava sua bebê de seis meses. Ela chegou a São Paulo há três meses, com o marido e outros dois filhos, de 8 e 7 anos. O marido estava trabalhando pela manhã e ela estava com as crianças na praça, também preocupada com o frio e a falta de um lugar mais confortável para esperar a dedetização do abrigo.

Ela afirmou que a bebê de colo teve febre durante a noite e agora temia pelo agravamento de sua saúde.

As famílias dizem que são avisadas com uma semana de antecedência do dia em que será feita a dedetização mensal.

CONTADOR - BONUS

Uma delas contou que, quando consegue juntar algum dinheiro, chega a pagar uma diária para ficar com os filhos de 10, 7 e 3 anos em um hotel. Não foi o caso desta vez.

Ela disse que chegou a ser abordada pela Guarda Civil Metropolitana durante a manhã, que questionou o motivo de ela estar lá parada na praça.

Apesar de a dedetização ser feita mensalmente, uma mulher mostrou as marcas nos braços dos ataques de percevejos e conta que chegou a cortar os cabelos curtos por temer o espalhamento de doenças.

Nascida em Manaus (AM), ela e os filhos moram há cerca de um ano no abrigo, depois de, segundo conta, deixar seu estado e viajar a São Paulo para fugir da violência do ex-marido.

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