Quarta-feira, 16 de Setembro de 2026 | 11h23m
Vitória News — Um jornal de verdade
Geral

A vida do meu filho foi ceifada pela crueldade de policiais militares, diz pai de estudante de medicina

FolhaPress 21/11/2024 08:52

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - "Não tem pior dor que a perda de um filho cheio de vida para o mundo, cuja vida foi ceifada pela crueldade e maldade de policiais militares que deveriam proteger pessoas e não executá-las", diz Júlio César Acosta Navarro, 59, professor da Faculdade de Medicina da USP (Universidade de São Paulo).

Senac 16 de julho — Capa (rail)

O filho dele, Marco Aurélio Cardenas Acosta, 22, aluno do 5º ano de medicina da Universidade Anhembi Morumbi foi morto na madrugada desta quarta-feira (20) na Vila Mariana, zona sul de São Paulo, após ser baleado por policiais militares durante uma tentativa de abordagem.

O professor diz que os responsáveis pela morte não podem ficar impunes.

"Nada poderá trazer de volta o meu 'Marcocillo', mas pelo menos assassinos e cúmplices dentro da PM não deveriam ficar impunemente à solta procurando mais vítimas", afirma o pai.

Navarro afirma que a instituição assassinou o estudante e que a família está sozinha.

SESC PICASSO

"A instituição assassinou meu filho. Ninguém dá a cara até agora. Minha família tem andado sozinha para poder dar uma despedida deste mundo a meu filho. Queria voltar no tempo e estar nessa hora para defender meu filho contra esses assassinos. A vida toda viverei com esse sentimento de não poder fazer isso", diz.

ENTENDA A OCORRÊNCIA

Conforme registro policial, uma equipe da PM fazia patrulhamento na região da rua Cubatão, quando, por volta das 2h, desta quarta, foi acionada para atender uma ocorrência envolvendo o estudante Marco Aurélio Cardenas Acosta, 22.

No local, ainda conforme versão oficial, o rapaz parecia agressivo e desferiu um tapa no retrovisor da viatura quando os policiais tentaram abordá-lo. Na sequência, o estudante saiu correndo e entrou em um hotel próximo.

Os policiais seguiram Acosta até o hotel, onde entraram em confronto. A vítima derrubou um dos PMs, momento em que o parceiro efetuou um disparo, que atingiu a vítima no abdômen.

CONTADOR - BONUS

O estudante foi levado ao Hospital Ipiranga, mas teve duas paradas cardiorrespiratórias antes de ser submetido a uma cirurgia. Ele morreu por volta das 6h40.

Policiais informaram que a vítima não tinha passagem criminal.

Analisando o vídeo e as informações iniciais, oficiais ouvidos pela reportem afirmam que os PMs poderiam ter mantido uma distância segura do rapaz, mesmo com as armas em punho, e pedir apoio de outras viaturas, caso o jovem não se rendesse. Um tiro só deveria ser dado caso o abordado representasse um risco real, por exemplo, se tivesse tentando tirar a arma do oficial.

Frank Cardenas, 27, irmão mais velho do jovem morto, disse que o irmão sonhava em ser pediatra. Ele criticou a atuação dos policiais. "Dois homens de 1,80 metro não conseguiram conter meu irmão de 1,60 metro? Ele nunca lutou. Não tinham alternativas?", questionou.

Anuncio - Raimundo - Bonus

"Ele era muito carinhoso, um excelente filho. Era o único que ligava todos os dias para minha mãe no plantão. E era meu melhor amigo, a pessoa que eu mais amava nesse mundo."

Em nota no final da tarde desta quarta, a Associação Atlética Acadêmica Medicina Anhembi Morumbi publicou comunicado lamentando o falecimento do aluno, apelidado de Bilau.

"Neste momento de imensa dor, nos solidarizamos com seus familiares, companheiros de time e colegas, que perderam não apenas um companheiro de jornada, mas também um amigo. Que sua memória seja sempre lembrada com carinho e que sua trajetória inspire a todos nós", diz uma das notas.

Em nota, a Secretaria da Segurança informou que tanto a PM quanto a Polícia Civil investigam a circunstância da morte do rapaz. "Os policiais envolvidos na ocorrência prestaram depoimento, foram indiciados em inquérito e permanecerão afastados das atividades operacionais até a conclusão das apurações", diz nota.

Compartilhe esta notícia

Notícias Relacionadas