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2023 foi ano de calor e riscos climáticos recorde na América Latina, diz ONU

FolhaPress 08/05/2024 15:55

PARIS, FRANÇA (FOLHAPRESS) - Na América Latina e no Caribe, a combinação dos impactos do fenômeno El Niño —que favorece o aumento de temperaturas— e das mudanças climáticas de longo prazo fez com que 2023 fosse um ano marcado por calor recorde e uma série de eventos climáticos extremos.

Senac 16 de julho — Capa (rail)

Os dados locais confirmaram que, assim como em termos globais, o ano passado foi também o mais quente da história na região, com temperatura média 0,82°C acima do registrado entre 1991 e 2020.

O ano teve ainda uma sucessão de eventos climáticos extremos —incluindo secas, ondas de calor, furacões e grandes inundações—, que provocaram prejuízos econômicos e afetaram a saúde e a segurança alimentar das populações.

Essas e outras conclusões integram o novo relatório da OMM (Organização Meteorológica Mundial) para a região, lançado na manhã desta quarta-feira (8).

"Infelizmente, 2023 foi um ano de riscos climáticos recordes na América Latina e no Caribe", afirmou Celeste Saulo, secretária-geral da entidade ligada à ONU (Organização das Nações Unidas).

"As condições de El Niño durante o segundo semestre contribuíram para um ano de calor recorde e exacerbaram muitos eventos extremos —isso combinado com o aumento das temperaturas e riscos mais frequentes e extremos devido às mudanças climáticas induzidas pelo homem."

A seca tornou-se cada vez mais generalizada na parte norte da América do Sul à medida que o ano avançava e o El Niño foi se instalando. Na bacia amazônica, as chuvas entre junho e setembro estiveram foram bem abaixo da média. Também nesse período de medições, oito estados brasileiros registraram as menores precipitações em mais de 40 anos.

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O novo relatório destaca que o Brasil enfrentou impactos climáticos significativos em 2023, começando pela seca intensas e incêndios na Amazonas, onde o rio Negro atingiu o nível mais baixo de água desde que as observações começaram, em 1902.

Outras partes do território brasileiro, por sua vez, enfrentaram chuvas extremas e inundações de grandes proporções. Em São Sebastião (SP), em apenas 15 horas houve uma acumulação de 683 mm de chuva. As inundações e deslizamentos causados associados provocaram a morte de pelo menos 65 pessoas.

Muitas outras cidades brasileiras também foram afetadas pelas chuvas excepcionais, resultando em deslocamentos e perturbações de grandes proporções.

A seca e o calor favoreceram os incêndios florestais no país. Na amazônia brasileira, foram documentados 22.061 focos de incêndio em outubro, o número mais elevado para esse mês desde 2008.

Além do dano das chamas ao bioma, a fumaça, que chegou até Manaus, impactou os cerca de 2 milhões de habitantes da cidade.

O relatório também mencionou as fortes chuvas que atingiram o sul do Brasil em 2023, destacando as inundações e deslizamentos provocados por um ciclone extratropical em junho no Rio Grande do Sul. No total, 49 municípios gaúchos foram afetados pelos temporais e ventos fortes.

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Agora, em abril e maio de 2024, o estado vive uma tragédia sem precedentes causada por chuvas e inundações.

O documento cita ainda as cheias em Santa Catarina e no Paraná no segundo semestre de 2023.

O território brasileiro enfrentou diversas ondas de calor durante 2023, com algumas regiões com temperaturas acima de 41°C mesmo durante o inverno.

Além de causar danos à população, o clima escaldante brasileiro afetou também os animais no país. No lago Tefé, na amazônia, a temperatura da água atingiu uma temperatura recorde, levando à morte de mais de 150 botos.

NÍVEL DO MAR

O documento da Organização Meteorológica Mundial alerta ainda que o aumento do nível do mar representa uma ameaça para as áreas costeiras da América Latina e do Caribe.

A aceleração do derretimento das geleiras tem contribuído para o aumento do nível do mar em algumas regiões latino-americanas e caribenhas. Além do problema de erosão dos litorais e do possível rastro de destruição para comunidades costeiras, a OMM enumera ainda outros riscos, como a contaminação de aquíferos de água doce.

O Brasil é um dos países que, segundo a OMM, pode sofrer com as consequências mais graves da elevação do nível do mar.

Os riscos à saúde agravados pelas mudanças climáticas também receberam atenção especial no relatório, que pede um aumento na integração dos dados meteorológicos na vigilância da saúde, sobretudo no controle de doenças.

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Alterações nos padrões de chuva e temperaturas mais quentes têm favorecido a disseminação de doenças transmitidas por mosquitos, como a dengue e a malária.

"Em 2019, mais de 3 milhões de casos de dengue foram notificados nas Américas, o maior número já registrado. Porém, esse número já foi ultrapassado nos primeiros sete meses de 2023", salienta o relatório.

Os riscos à saúde não ficam por aí. "A região enfrenta riscos acrescidos para a saúde devido à exposição da população a ondas de calor, fumo de incêndios florestais, pó de areia e aeroalérgenos que levam a problemas cardiovasculares e respiratórios, bem como ao aumento da insegurança alimentar e da desnutrição", diz texto.

Entre 2013 e 2022, as pessoas com mais de 65 anos na América Latina e no Caribe vivenciaram uma média de 271% mais dias de ondas de calor por ano do que no período entre 1986 e 2005.

Estima-se que, entre 2000 e 2019, tenha havido cerca de 36.695 mortes anuais na região relacionadas às ondas de calor.

Outro ponto reforçado pelo documento é a necessidade de que os países da América Latina e do Caribe ampliem os investimentos em seus serviços meteorológicos e hidrológicos. Segundo a OMM, 47% dos membros da organização na região prestam apenas serviços meteorológicos "básicos ou essenciais".

Os serviços "completos ou avançados" para apoiar a tomada de decisões em setores sensíveis em termos de ações climáticas são fornecidos em apenas em 6% dos países latino-americanos e caribenhos.

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