Da Amazônia à Serra Gaúcha, produções nacionais atravessam as cinco regiões e mostram paisagens, sotaques, conflitos e modos de vida que revelam diferentes faces do Brasil
O Brasil que aparece no cinema vai muito além das praias famosas, dos grandes monumentos e dos destinos presentes nos roteiros turísticos tradicionais. Das comunidades amazônicas às periferias das metrópoles, passando pelo sertão, pelo interior e por pequenas cidades, produções nacionais ajudam a revelar um país marcado por diferentes culturas, sotaques e formas de viver.
Em muitos desses filmes, o lugar não funciona apenas como cenário. A geografia, os costumes e as relações sociais se tornam elementos importantes da própria narrativa.
Essa diversidade permite fazer uma espécie de viagem cinematográfica pelo país. A seleção reúne dez produções brasileiras ambientadas em diferentes regiões e períodos.
Tainá – Uma Aventura na Amazônia
A viagem começa pela Região Norte, em plena Floresta Amazônica. O longa acompanha Tainá, uma menina indígena que vive com o avô e acaba enfrentando traficantes de animais.
A floresta, os rios e a biodiversidade estão diretamente ligados à história e ajudam a apresentar ao espectador elementos do universo amazônico e da relação entre as comunidades e a natureza.
Pureza
No Maranhão, Pureza aborda uma realidade bem mais dura. Inspirado em uma história real, o filme acompanha uma mãe que parte em busca do filho desaparecido e encontra trabalhadores submetidos a condições análogas à escravidão.
A produção utiliza a trajetória da protagonista para abordar desigualdade, exploração do trabalho e situações vividas em áreas distantes dos grandes centros urbanos.
Motel Destino
O Ceará é o território de Motel Destino, dirigido por Karim Aïnouz.
A trama acompanha Heraldo, que encontra abrigo em um motel à beira de uma estrada e acaba se envolvendo com o casal responsável pelo estabelecimento.
O calor, as cores e a atmosfera cearense ajudam a construir a tensão do longa e fazem com que o espaço tenha papel central na narrativa.
Oeste Outra Vez
Em Goiás, o sertão ganha contornos de um faroeste contemporâneo em Oeste Outra Vez, dirigido por Erico Rassi.
Estradas de terra, paisagens áridas e personagens atravessados por conflitos afetivos compõem o cenário da produção.
O filme conquistou o Kikito de Melhor Filme no Festival de Gramado de 2024, além de outras premiações.
Marte Um
Em vez das tradicionais cidades históricas de Minas Gerais, Marte Um leva o espectador para Contagem, na Região Metropolitana de Belo Horizonte.
A história acompanha uma família negra formada por personagens com desejos, dificuldades e projetos distintos.
Entre trabalho, futebol e relações familiares, ganha destaque o sonho do jovem Deivinho de estudar astrofísica.
O cotidiano da periferia urbana mineira aparece como parte fundamental de uma narrativa sobre expectativas, escolhas e possibilidades de futuro.
Kasa Branca
O Rio de Janeiro de Kasa Branca passa longe das imagens do Cristo Redentor, do Pão de Açúcar e das praias mundialmente conhecidas.
A história acontece na Baixada Fluminense e acompanha Dé, um adolescente que vive com a avó e encontra nos dois melhores amigos apoio para atravessar um período difícil.
O longa coloca no centro da tela os afetos, os desafios e o cotidiano de uma periferia raramente apresentada como protagonista das grandes produções audiovisuais.
Baby
A viagem continua por São Paulo, mas novamente distante dos principais cartões-postais.
Em Baby, dirigido por Marcelo Caetano, Wellington deixa um centro de detenção juvenil e passa a circular pelas ruas da capital. Conhecido como Baby, ele conhece Ronaldo, um homem mais velho com quem estabelece uma relação marcada por desejo, afeto e sobrevivência.
A metrópole surge a partir de personagens e espaços que ajudam a apresentar uma São Paulo diferente daquela normalmente oferecida aos turistas.
Estômago 2 – O Poderoso Chef
No Paraná, gastronomia e relações de poder se misturam em Estômago 2 – O Poderoso Chef.
A continuação retoma a trajetória de Raimundo Nonato, personagem que conquistou posição de destaque dentro da prisão graças à habilidade na cozinha.
Dirigido por Marcos Jorge, o filme mantém a comida como elemento central da história e leva para as telas uma produção fortemente ligada ao cinema paranaense.
Saneamento Básico, o Filme
Na Serra Gaúcha, uma pequena comunidade de descendentes de italianos precisa resolver um problema de saneamento.
Sem recursos disponíveis diretamente para a obra, os moradores encontram uma solução inusitada: produzir um filme de ficção para tentar viabilizar o dinheiro necessário.
Dirigida por Jorge Furtado, a comédia Saneamento Básico, o Filme explora criatividade, burocracia, relações comunitárias e características culturais do interior gaúcho.
Bye Bye Brasil
A lista termina com um clássico que transforma a própria viagem pelo território brasileiro em parte da narrativa.
Lançado em 1980 e dirigido por Cacá Diegues, Bye Bye Brasil acompanha a Caravana Rolidei em uma jornada por diferentes regiões do interior do país, levando espetáculos a comunidades que atravessavam profundas transformações sociais e culturais.
Mais de quatro décadas separam o filme de produções recentes como Motel Destino, Baby, Kasa Branca e Oeste Outra Vez.
Colocadas lado a lado, essas obras não mostram apenas diferentes lugares. Elas permitem observar também como o próprio cinema brasileiro mudou sua maneira de representar o país.
Do interior amazônico às grandes periferias urbanas, o resultado é um mosaico de paisagens e personagens que ajuda a lembrar que não existe apenas um Brasil nas telas, mas muitos.
Fonte: divulgação das produções e Watch TV.