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Zelenski demite chefe da Força Aérea após perda de caça F-16

FolhaPress 30/08/2024 16:11

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - O presidente da Ucrânia, Volodimir Zelenski, demitiu nesta sexta (30) o chefe da Força Aérea do país, Mikola Oleschuk. O anúncio ocorre um dia depois de o país admitir ter perdido o primeiro caça americano F-16 que havia recebido de seus aliados, com a morte do piloto.

Senac 16 de julho — Capa (rail)

Em sua fala noturna via redes sociais, Zelenski agradeceu a Oleschuk pelo trabalho e não citou a queda da aeronave.

O F-16 havia chegado na primeira leva dos caças a chegar à Ucrânia. Ele caiu em sua primeira missão operacional, na segunda (26), quando foi aos céus para tentar abater mísseis de cruzeiro russo. Quando aproximou-se de um alvo, sumiu do radar.

Moscou fazia, naquele dia, o maior ataque da guerra até aqui, com 236 mísseis e drones. Um número incerto de F-16 interceptou 4 deles, segundo Zelenski. Como operava em uma zona saturada de fogo antiaéreo e não houve tentativa de ejeção do piloto, a hipótese mais provável é de que o caça tenha sido abatido pelos próprios ucranianos.

SESC PICASSO

Ainda que nada signifique em termos de rumo do conflito iniciado por Vladimir Putin em 2022, a perda do avião em sua primeira missão é uma humilhação para Zelenski. O presidente passou meses implorando aos aliados ocidentais que vencessem o tabu e fornecessem o caça.

Sua Aeronáutica foi dizimada na guerra. Dos 124 aviões de combate que operava, ao menos 98 foram derrubados até aqui, segundo dados públicos checados pelo site holandês Oryx. O país recebeu um número incerto de modelos soviéticos MiG-29 da Polônia e da Eslováquia como reposição.

Mas a estrela da propaganda de Kiev é o F-16, cujo envio pela chamada coalizão de caças montada por quatro países europeus começou no começo de agosto. Foram prometidos de 80 a 95 aviões, e ao menos 6 já chegaram --número que pode ser de 10, o que é incerto dado o segredo em torno do assunto.

As Forças Armadas anunciaram estar dividindo informações com os EUA, fabricantes do avião, para tentar estabelecer as causas do que ocorreu.

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Além da perda do avião em si, há a questão da morte do piloto. O treinamento desses militares, que dura qualquer coisa entre seis meses e um ano, é uma das peças mais complexas da engrenagem de mudar o modelo de caça usado pelos ucranianos -que desse tipo de avião operavam apenas os soviéticos Su-27 e MiG-29.

Os russos também mantiveram, nesta semana, o bombardeio a bases que podem servir de abrigo para os F-16 no oeste ucraniano. Há relatos não confirmados de que dois caças foram destruídos.

A queda do F-16 e do comandante vem num momento politicamente complicado para Zelenski. O ucraniano apostou tudo numa ofensiva surpreendente contra o sul da Rússia, que empregou algumas de suas melhores forças.

Enquanto isso constrangeu Putin e gerou uma reação atabalhoada na Rússia, do ponto de vista estratégico é incerto o ganho que o ucraniano terá. Ele já disse querer forçar o Kremlin a negociar e também que queria montar uma zona tampão em Kursk (sul russo) eficaz para proteger a região vizinha de Sumi (Ucrânia).

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Nenhuma das duas coisas funcionou. Putin já estava trabalhando em eventuais conversas, mas as queria em seus termos --a cessão de quatro áreas anexadas na Ucrânia e a neutralidade militar do vizinho. Sobre Sumi, ao menos 2 pessoas morreram e 11 ficaram feridas nesta sexta, em mais um ataque.

Com a ofensiva, o flanco de defesa do leste ucraniano ficou mais exposto, e a Rússia está avançando diariamente rumo a Pokrovsk, cidade que serve de centro logístico na região de Donestk. Sua eventual queda pode prenunciar uma grande derrota para Kiev.

Pela primeira vez, surgiram críticas públicas à tática do presidente. Nesta sexta, ele foi alvo de um oficial do notório Batalhão Azov, unidade de elite das Forças Armadas associada a neonazistas.

"No momento, parece que nossa frente no Donbass [área no leste da Ucrânia que une Donetsk e Lugansk] colapsou. A defesa das forças ucranianas está desorganizada, os soldados estão cansados, enfraquecidos e muitas unidades estão desmoralizadas", escreveu no Telegram Roman Ponomarenko.

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