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YouTube pagará R$ 130 milhões para encerrar processo por suspensão da conta de Trump

FolhaPress 29/09/2025 20:37

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - O YouTube concordou em pagar US$ 24,5 milhões (R$ 130,4 milhões) para encerrar o processo movido em 2021 por Donald Trump, então ex-presidente dos Estados Unidos, contra a empresa após a suspensão de sua conta depois da invasão do Capitólio, segundo documentos judiciais.

Senac 16 de julho — Capa (rail)

Com o acordo, divulgado nesta segunda-feira (29) pelo jornal The Wall Street Journal, a plataforma do Google se torna o último gigante de tecnologia a encerrar disputas judiciais abertas por Trump contra redes sociais depois de deixar a Casa Branca pela primeira vez.

A Meta fechou em janeiro um acordo de US$ 25 milhões (R$ 133 milhões), em grande parte destinado ao fundo de sua biblioteca presidencial, enquanto o X pagou US$ 10 milhões (R$ 53,3 milhões), boa parte diretamente a Trump.

Fontes próximas ao caso afirmam que o Google buscou manter o valor abaixo do pago pela rival Meta. Do total, US$ 22 milhões iriam para a organização Trust for the National Mall, destinados à construção de um salão de baile nos moldes de Mar-a-Lago, planejado para a Casa Branca e orçado em US$ 200 milhões. O restante, US$ 2,5 milhões, será dividido entre outros autores da ação, entre eles a American Conservative Union e a escritora Naomi Wolf.

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O Google não respondeu aos pedidos de comentário do Wall Street Journal.

Desde a vitória eleitoral no ano passado, Trump já acumulou mais de US$ 80 milhões (R$ 425,9 milhões) em acordos com empresas de tecnologia e de mídia. Em julho, a Paramount Global aceitou pagar US$ 16 milhões para encerrar um processo movido pelo presidente após uma entrevista do programa "60 Minutes" com a democrata Kamala Harris.

As ações contra YouTube, Meta e X foram apresentadas em 2021 pelos advogados John P. Coale e John Q. Kelly. Segundo Coale, a volta de Trump ao poder foi decisiva para os desfechos. "Se ele não tivesse sido reeleito, estaríamos em tribunais por mil anos", afirmou.

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As negociações avançaram em maio deste ano, quando executivos do Google, incluindo o CEO Sundar Pichai e o cofundador Sergey Brin, participaram de uma mediação no resort de Trump em Mar-a-Lago, na Flórida. Segundo relatos, a conversa acabou migrando para um clube de golfe vizinho, onde Trump tinha partida marcada com o técnico de futebol americano Nick Saban. Parte da reunião ocorreu em carrinhos de golfe, durante o jogo, e terminou com almoço no terraço do clube.

Coale, que hoje é enviado especial do governo para Ucrânia e Belarus, apresentou os papéis do acordo ao presidente no Salão Oval na última quarta-feira. "Ele assinou e disse: 'Ótimo, vamos para a próxima coisa'. Depois falamos sobre a Belarus", contou.

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A conta de Trump foi suspensa no YouTube após os atos de 6 de janeiro de 2021 e reativada apenas em março de 2023. Juízes haviam paralisado ou arquivado os casos, e especialistas sempre apontaram fragilidade jurídica nas queixas, já que plataformas privadas não são obrigadas a garantir acesso a usuários.

Ainda assim, analistas consideram que as empresas têm interesse em encerrar litígios, sobretudo diante de um governo que regula diretamente seus negócios. "Se você é a Meta ou o Google, US$ 25 milhões é dinheiro de almoço. Vale a pena pagar para se livrar disso", disse Mark Graber, professor de direito da Universidade de Maryland, ao WSJ.

O acordo surge no momento em que o Google enfrenta pressão do Departamento de Justiça, que pede a divisão de seu braço de publicidade após decisão judicial que o classificou de monopólio. Em maio, advogados de Trump e do YouTube já haviam informado à Justiça que discutiam uma saída negociada. Nesta segunda-feira, pediram a extinção do processo.

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