Wellington Dias cita especulação e diz que Brasil pode comprar arroz fora do Mercosul

TERESINA, PI (FOLHAPRESS) – O ministro Wellington Dias, do Desenvolvimento e Assistência Social, afirmou nesta quarta-feira (22) que houve “claramente uma ação especulativa” que levou ao aumento do preço de arroz no Mercosul após o Brasil anunciar a intenção de comprar o cereal de vizinhos.

A ideia era evitar alta nos preços após as enchentes no Rio Grande do Sul -o estado responde por cerca de 70% do que é consumido no país e teve parte da sua produção afetada pelas chuvas.

“Claramente teve uma ação especulativa. Só que a autorização brasileira é para a compra de qualquer lugar do mundo. A preferência da compra é primeiro de estoques brasileiros e depois da própria região, o que levava em conta a facilidade de chegar rápido o produto no Brasil”, disse Dias.

“Diante dessa situação, o Brasil busca alternativa para que se possa comprar também sem os efeitos especulativos. O Brasil já está trabalhando as alternativas existentes. A compra do estoque interno permite que tenhamos uma condição de abastecimento de médio prazo em relação ao consumo de alimentos que nos dá segurança alimentar.”

“Se persistir essa situação de elevação do preço, completamente fora do padrão internacional, nesse caso também já [está] autorizada a compra de qualquer lugar do mundo que tenha condição de abastecer o Brasil”, prosseguiu o ministro.

Dias está em Teresina para participar de reuniões técnicas da Aliança Global contra a Fome e a Pobreza, bandeira do presidente Lula (PT) no G20.

O ministro da Agricultura, Carlos Fávaro, disse por sua vez que o governo decidiu retirar o imposto de importação sobre o arroz depois de aumento dos preços do produto no Mercosul. A alta também levou ao adiamento do leilão de arroz anunciado por Lula. A afirmação foi feita em entrevista ao G1.

De acordo com Fávaro, a ideia era comprar 100 mil toneladas, mas pelos preços praticados nos países do bloco só seria possível adquirir 70 mil toneladas.

Em audiência da Comissão de Agricultura da Câmara dos Deputados, o ministro disse que produtores do Mercosul aumentaram em 30% o preço do arroz após o anúncio da compra.

“O descasamento momentâneo dá margem a especulação. É triste dizer, mas tem gente querendo ganhar dinheiro excessivo nas costas da tragédia. Não é culpa dos produtores, é dos especuladores”, afirmou Fávaro.

Ao saber do aumento de preços, Fávaro se reuniu com Lula, que decidiu adiar o leilão e retirar o imposto do cereal. Não há nova data marcada para o certame. “Pode ser lá na frente, não precisa ser agora”, disse Fávaro.

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