Aos 40 anos, goleiro de Cabo Verde segura empate histórico e ganha milhões de seguidores nas redes
Em uma Copa cercada por estrelas como Messi, Mbappé, Haaland e Vinícius Júnior, um goleiro de 40 anos roubou a cena na primeira rodada. Vozinha, camisa 1 de Cabo Verde, foi o grande nome do empate por 0 a 0 com a Espanha, nesta segunda-feira (15), em Atlanta, nos Estados Unidos.
A seleção caboverdiana fazia sua estreia em Copas do Mundo e enfrentava uma das equipes mais fortes do torneio. Mesmo pressionado durante boa parte da partida, Vozinha fechou o gol, fez defesas decisivas e terminou o jogo eleito o melhor em campo.
O desempenho transformou o goleiro em personagem imediato do Mundial. Nas redes sociais, o nome de Vozinha se espalhou rapidamente, impulsionado também pela repercussão da transmissão brasileira. O perfil do jogador, que tinha cerca de 50 mil seguidores antes da partida, passou a reunir milhões de novos fãs em poucas horas.
Por trás do apelido curioso está Josimar José Évora Dias, nascido em Mindelo, na ilha de São Vicente, em Cabo Verde. O nome de batismo tem ligação direta com o futebol: foi escolhido em homenagem a Josimar, lateral-direito da Seleção Brasileira na Copa de 1986.
O apelido Vozinha surgiu ainda na infância. Criado pelos avós, ele costumava voltar irritado para casa quando perdia ou sofria gols nas peladas. Os amigos passaram a brincar que ele corria para reclamar com os avós. A provocação virou marca, acompanhou a carreira e acabou estampada na camisa da seleção.
Antes de ganhar o mundo na Copa, Vozinha construiu uma trajetória longe dos grandes holofotes. Passou por clubes de Cabo Verde, Angola, Moldávia, Chipre, Eslováquia e Portugal. Atualmente, defende o Chaves, da segunda divisão portuguesa, e é presença constante na seleção caboverdiana há mais de uma década.
A atuação contra a Espanha teve peso histórico não apenas pelo resultado, mas pelo contexto. Cabo Verde é um dos países menos populosos entre os classificados para a Copa e conseguiu segurar uma campeã mundial logo em sua estreia no torneio. Para uma nação de pouco mais de meio milhão de habitantes, o empate teve sabor de vitória.
Ao fim da partida, Vozinha deixou o campo emocionado, com o prêmio de melhor jogador em mãos. A imagem sintetizou o tamanho do momento: um veterano que passou por ligas menos badaladas, chegou ao Mundial aos 40 anos e, em 90 minutos, virou símbolo de resistência, orgulho nacional e surpresa global.
Cabo Verde volta a campo no domingo (21), contra o Uruguai, em Miami. Depois da noite histórica contra a Espanha, a expectativa agora é saber se Vozinha conseguirá repetir a atuação que colocou seu apelido na história da Copa.