Atacante participa dos três gols contra o Haiti e lidera reação da Seleção no Grupo C
Vinícius Júnior precisava de uma noite como a de sexta-feira (19). Depois de uma estreia de Copa marcada por cobrança e frustração no empate com Marrocos, o camisa 7 respondeu em campo com uma atuação decisiva na vitória do Brasil por 3 a 0 sobre o Haiti, na Filadélfia.
Mais do que marcar um gol, Vini participou diretamente da construção do resultado. Ele esteve na origem das jogadas que terminaram nos dois gols de Matheus Cunha e ainda fechou o placar antes do intervalo. Em uma partida que o Brasil precisava vencer para recuperar confiança, o atacante foi o jogador que mais acelerou, desequilibrou e deu sentido ao ataque brasileiro.
Desde os primeiros minutos, Vinícius buscou o jogo pelo lado esquerdo, sua zona preferida de ação. O Haiti começou tentando fechar espaços e reduzir a velocidade da Seleção, mas o camisa 7 foi o principal responsável por empurrar a defesa adversária para trás. A cada arrancada, obrigava os marcadores a recuar e abria caminhos para a movimentação de Matheus Cunha e Raphinha.
O primeiro gol nasceu dessa insistência. Vini recebeu pela esquerda, atacou a área e finalizou. A jogada terminou com a bola sobrando para Matheus Cunha, que abriu o placar. Foi o tipo de lance que resume a importância do atacante: mesmo quando não aparece na súmula como autor do gol, ele altera a defesa, cria o desequilíbrio e força o erro adversário.
Pouco depois, Vini voltou a ser decisivo. Com o Haiti já mais exposto, ele encontrou Matheus Cunha em boa condição dentro da área. O camisa 9 bateu forte e marcou o segundo dele na partida. A sintonia entre os dois foi um dos pontos altos da vitória brasileira e deu ao ataque uma fluidez que havia faltado na estreia.
Nos acréscimos do primeiro tempo, veio o gol do próprio Vinícius Júnior. Lançado em velocidade, ele ganhou da marcação e finalizou na saída do goleiro Johny Placide. O lance mostrou uma das principais armas do atacante: a capacidade de transformar espaço em perigo real em poucos segundos.
A atuação também teve peso simbólico. Vini chegou à Copa cercado de expectativa, não apenas pelo que representa no futebol mundial, mas pelo papel que pode assumir dentro da Seleção. Contra o Haiti, ele jogou como protagonista. Chamou a responsabilidade, decidiu no terço final do campo e ajudou o Brasil a resolver a partida ainda no primeiro tempo.
A vitória por 3 a 0 recolocou o Brasil no controle do Grupo C. A Seleção chegou a quatro pontos, mesma pontuação de Marrocos, mas assumiu a liderança pelo saldo de gols. Na última rodada, o time de Carlo Ancelotti enfrenta a Escócia, em Miami, precisando de um empate para garantir vaga na próxima fase.
Para Ancelotti, a atuação de Vini também pode indicar caminhos para a sequência da Copa. Com Matheus Cunha mais móvel, Raphinha atacando o espaço e Vini puxando as jogadas pela esquerda, o Brasil teve mais profundidade e mais variação ofensiva. Ainda há ajustes a fazer, mas a equipe mostrou sinais de evolução.
A grande diferença, porém, esteve na decisão. Em jogos de Copa, nem sempre o domínio territorial basta. É preciso ter quem rompa linhas, acelere jogadas e transforme superioridade em gols. Contra o Haiti, esse jogador foi Vinícius Júnior.
Depois de uma estreia abaixo do esperado, Vini entregou uma resposta forte. Não foi apenas uma boa atuação individual. Foi uma atuação de liderança técnica, daquelas que mudam o clima de uma equipe e aumentam a confiança para o que vem pela frente.
O Brasil ainda busca sua melhor versão na Copa, mas a vitória sobre o Haiti deixou uma certeza importante: quando Vinícius Júnior encontra espaço para jogar, a Seleção se torna mais perigosa, mais vertical e muito mais difícil de controlar.