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Venezuela declara chefe de direitos humanos da ONU persona non grata após relatório sobre violações

FolhaPress 02/07/2025 13:09

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - A Assembleia Nacional da Venezuela, na qual 90% dos assentos são ocupados por aliados do regime de Nicolás Maduro, se reuniu nesta terça-feira (1º) para declarar o alto comissário da ONU para os Direitos Humanos, Volker Türk, persona non grata.

Senac 16 de julho — Capa (rail)

"Vamos declarar ele e as pessoas que trabalham com ele persona non grata e vamos votar para que a Venezuela saia do hipócrita escritório do Alto Comissariado. Enquanto esse lixo seguir aí, não temos nada a ver com esse escritório", afirmou o presidente da Assembleia, Jorge Rodríguez, ao submeter o texto à votação.

A mais recente reprimenda de uma longa história de rusgas entre o alto comissário e o regime venezuelano ocorreu quatro dias após o advogado austríaco falar em detenções arbitrárias, desaparecimentos forçados e outras violações de direitos humanos no país sul-americano. O escritório instalou-se na Venezuela em 2019, quando a ex-presidente chilena Michelle Bachelet ocupava o cargo.

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Outras autoridades do país corroboraram o Legislativo. O Ministério Público venezuelano, por exemplo, considerou o informe uma agressão, enquanto o regime rejeitou os comentários de Türk, feitos na semana passada perante o Conselho de Direitos Humanos em Genebra.

Rodríguez também afirmou que o órgão não se pronunciou sobre os migrantes venezuelanos enviados pelos Estados Unidos para uma prisão de segurança máxima em El Salvador. "Fazem vista grossa para crimes atrozes", disse.

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Em 13 de maio, porém, o escritório criticou a medida dos governos de Donald Trump e Nayib Bukele. Naquele dia, o órgão afirmou que os presos não tiveram acesso a advogados nem foram informados sobre o destino do voo. "Esta situação levanta sérias preocupações em relação a uma ampla gama de direitos que são fundamentais tanto para o direito americano quanto para o direito internacional", disse Türk na ocasião.

Apesar disso, Rodríguez também pediu que o Procurador-Geral da Venezuela, Tarek William Saab, investigasse Türk. "Este homem cometeu crimes puníveis na Venezuela. Por ser cúmplice de sequestro [de migrantes venezuelanos], caluniador e hipócrita, o promotor deveria abrir um processo contra ele", afirmou.

Há dois dias, a ditadura acusou os EUA de sequestrar 18 crianças venezuelanas ao separá-las dos pais migrantes durante processos de deportação. Segundo Caracas, a prática faz parte das ações de Washington para expulsar imigrantes do país. De acordo com o presidente da Assembleia, as crianças têm entre 1 e 12 anos, e muitos de seus pais já estão de volta à Venezuela após serem deportados dos EUA.

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A declaração de persona non grata não tem efeito prático imediato, mas o escritório de Türk já foi expulso da Venezuela anteriormente e é possível que o governo o remova de novo.

A porta-voz da ONU, Ravina Shamdasani, disse à agência de notícias Reuters nesta quarta (2) que lamenta a moção da Assembleia. Segundo ela, o relatório "é baseado em documentação cuidadosa seguindo a metodologia estabelecida pelo escritório, consulta e padrões legais internacionais".

Shamdasani acrescentou que a ONU está disposta a se engajar de boa-fé com o regime e permanece "firmemente comprometida em continuar trabalhando para defender e proteger os direitos humanos de todos os venezuelanos, seja na Venezuela ou no exterior".

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