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Venezuela acusa EUA de interceptarem barco em sua zona marítima

FolhaPress 13/09/2025 16:44

BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) - A Venezuela acusou os Estados Unidos neste sábado (13) de abordarem um barco de pescadores com um destróier em sua área marítima, 48 milhas náuticas (88 km) a nordeste da ilha de La Blanquilla, em novo episódio de tensão entre os dois países ao menos desde que Washington enviou navios e tropas para o mar do Caribe para pressionar a ditadura de Nicolás Maduro.

Senac 16 de julho — Capa (rail)

A chancelaria de Caracas afirma que 18 militares abordaram e ocuparam a "pequena e inofensiva embarcação por oito horas". Segundo o regime, o barco contava com nove tripulantes e tinha autorização para realizar a pesca de atum no local. Washington ainda não comentou.

"[É] uma operação que careca de qualquer proporcionalidade estratégica e que constitui uma provocação direta através do uso ilegal de meios militares exagerados", escreveu o ministério em comunicado.

"Aqueles que dão a ordem para essas provocações estão em busca de um incidente que justifique uma escalada bélica no Caribe, com o objetivo de insistir em sua política, fracassada e rejeitada pelo próprio povo dos EUA, de mudança de regime", diz nota.

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A chancelaria afirma ainda que as Forças Armadas do país monitoraram o incidente "minuto a minuto com os meios aéreos, navais e de vigilância que possui" até que os pescadores fossem liberados.

"O governo venezuelano exige que os Estados Unidos cessem imediatamente estas ações que colocam em risco a segurança e a paz do Caribe, ao mesmo tempo que faz um apelo ao povo estadunidense para reconhecer a gravidade destas manobras e rejeitar a utilização de seus soldados como peças de sacrifício para sustentar os desejos de uma elite gananciosa e predatória", escreveu o ministério.

Maduro, convocou nesta sexta-feira (12) reservistas, milicianos e jovens que se alistaram para que compareçam aos quartéis no fim de semana para receberem treinamento militar e aprenderem "a atirar" para defender o país diante do que classifica de ameaça dos Estados Unidos.

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Nas últimas semanas, os EUA enviaram oito navios para o sul do Caribe para o que definiram como manobras contra o tráfico internacional de drogas. Washington não apresentou oficialmente uma ação direta contra a Venezuela, mas Maduro denuncia as movimentações como ameaça disfarçada de luta contra o narcotráfico --o ditador é visto pelo governo de Donald Trump como líder de um suposto grupo criminoso chamado Cartel de los Soles.

"Todas as armas que a República possui para se defender: fuzis, tanques e mísseis foram mobilizados por todo o país para defender nosso direito à paz. Quem quer paz, prepare-se para defendê-la", proclamou.

Segundo publicações militares especializadas, como o Instituto Internacional de Estudos Estratégicos (IISS, na sigla em inglês), a milícia venezuelana dispõe de cerca de 212 mil tropas, que se somam aos 123 mil soldados dos outros quatro ramos das Forças Armadas.

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Mas generais reformados consultados pela AFP estimam que, na realidade, apenas cerca de 30 mil milicianos estão bem treinados e armados nesta força altamente ideologizada, formada principalmente por aposentados, funcionários públicos e membros do Partido Socialista.

Na madrugada de quinta-feira (11), a Venezuela havia anunciado o início de uma operação militar "de resistência", em resposta às movimentações americanas no Caribe.

A mobilização militar abrange instalações petrolíferas, de serviços públicos, aeroportos e pontos de fronteira.

"Estes mares, esta terra, estes bairros, estas montanhas, estas imensidões e as riquezas destas terras pertencem ao povo da Venezuela, jamais pertencerão ao império norte-americano", declarou Maduro em uma comunidade entre Caracas e a cidade costeira de La Guaira, na quinta.

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